Intervenção Percutânea na
Valvopatia Mitral
Guia clínico abrangente sobre TEER (MitraClip/PASCAL), TMVR (Tendyne/Intrepid), anuloplastia percutânea e comissurotomia mitral por balão. Indicações, anatomia favorável, técnica guiada por ecocardiograma, evidências dos grandes estudos e gestão de complicações.
O aparelho mitral é uma unidade funcional composta por: anel mitral (sela de cavalo, contração sistólica de ~25%), folheto anterior (A1-A2-A3, ~2/3 da área do orifício), folheto posterior (P1-P2-P3, maior comprimento mas menor área), cordas tendíneas (primárias à beira livre, secundárias ao corpo, terciárias ao anel), músculos papilares (anterolateral irrigado por diagonal/marginal obtusa; posteromedial mais vulnerável — único suprimento por coronária direita ou circunflexa) e ventrículo esquerdo. A competência valvar depende da coaptação adequada (≥7 mm de extensão, ≥2 mm de profundidade) ao longo da linha de coaptação anterior-posterior.
A IM degenerativa abrange desde o prolapso de Barlow (degeneração mixomatosa difusa, excesso tecidual, anel muito dilatado, múltiplos segmentos, Carpentier IIb) até a deficiência fibroelástica (tecido escasso, chorda única rota, geralmente P2, Carpentier IIa — anatomia mais favorável para TEER). O mecanismo central é a malcoaptação sistólica por movimento excessivo do(s) folheto(s), gerando jato regurgitante no átrio esquerdo.
A sobrecarga de volume crônica leva a: remodelamento excêntrico do VE (Lei de Laplace: aumento do raio → aumento do estresse parietal), disfunção subclínica precoce (detectable por strain longitudinal global ≤ −20% mesmo com FE preservada), e progressão para disfunção sistólica irreversível se FEVE cair para ≤60% ou DSVE atingir ≥40 mm. Dados do registro MIDA demonstraram que sobrevida em 20 anos com reparo (41%) é significativamente superior à troca valvar (24%, p <0,001).
Na IM secundária, a válvula em si é estruturalmente normal — o problema é o remodelamento do VE. A dilatação ventricular desloca os músculos papilares apical e lateralmente, aumentando o tethering (tração) dos folhetos, enquanto o anular dilata por perda de contração do anel. O resultado é restrição sistólica da motilidade dos folhetos e coaptação incompleta.
Mecanismos fisiopatológicos
- Deslocamento apical/lateral dos músculos papilares
- Aumento das forças de tethering (tração das cordas)
- Redução das forças de fechamento (disfunção sistólica)
- Dilatação do anel mitral (perda de contração anular)
- Assincronia do VE (BCRE — piora do tethering lateral)
- Remodelamento esférico do VE → maior deslocamento papilar
IM isquêmica vs não-isquêmica
- Isquêmica: predomina músculo papilar posteromedial (infarto inferior)
- Geometria assimétrica → tethering assimétrico, P3 mais restrito
- Não-isquêmica (DCM): tethering simétrico bilateral, anel mais dilatado
- Ambas: GDMT (BB, IECA/ARNi, MRA, SGLT2i) pode reduzir IM em 20–30%
- TRC reverte remodelamento → redução da IM em 40–50% dos casos
- Definir IM residual após 3–6 meses de GDMT otimizada antes de indicar TEER
O processo reumático resulta de fusão comissural, espessamento/fibrose dos folhetos e fusão/encurtamento das cordas tendíneas. A área valvar normal é 4–6 cm²; sintomas surgem quando AVMi cai para ≤1,5 cm² (estenose severa). A obstrução ao fluxo transmitral eleva a pressão atrial esquerda → hipertensão venocapilar pulmonar → hipertensão arterial pulmonar → eventual disfunção do VD.
A gravidez é contexto especial: débito cardíaco aumenta 40% no 2º trimestre; AVMi <1,5 cm² sintomática é indicação classe I para CMB (IIa se assintomática), preferencialmente no 2º trimestre para minimizar irradiação fetal, embora o procedimento possa ser realizado com shield de radiação e TEE como guia primário.
Score de Wilkins — Calculadora
Avalia mobilidade, espessamento, calcificação (folhetos) e comprometimento subvalvar (1–4 cada). Score ≤8 = candidato favorável à CMB.
O reparo cirúrgico permanece o padrão-ouro para IM primária severa sintomática em pacientes com risco cirúrgico operatório. A TEER é indicada quando o risco cirúrgico é alto ou proibitivo e a anatomia valvar é favorável. A mortalidade cirúrgica de referência para reparo de folheto posterior isolado em centros de alto volume é <1%; para troca valvar mitral, 3–8% dependendo da comorbidade.
✅ Anatomia FAVORÁVEL para TEER
- Patologia central A2/P2 (deficiência fibroelástica)
- AVMi >4 cm² (pós-clip ≥2,5 cm²)
- Gap de flail ≤10 mm e largura ≤15 mm
- Folhetos sem calcificação na zona de grasping
- Comprimento do folheto posterior ≥7–10 mm
- Ausência de fenda ou perfuração
- Prolápso único de segmento (A2/P2)
❌ Anatomia DESFAVORÁVEL / Contraindicações
- Barlow extenso (múltiplos segmentos)
- Calcificação severa na zona de grasping
- Flail gap >10 mm ou largura >15 mm
- AVMi <4 cm² (risco de estenose pós-clip)
- Folheto posterior curto (<7 mm) — grasping difícil
- Doença reumática (Carpentier IIIa)
- IM de causa não-degenerativa favorável a cirurgia
| Critério | COAPT (favorável para TEER) | MITRA-FR (desfavorável) |
|---|---|---|
| FEVE | 20–50% | 15–40% |
| DSVE | ≤70 mm | >70 mm (média 74 mm) |
| EROA | ≥0,20 cm² (média 0,31 cm²) | ≥0,20 cm² (média 0,31 cm²) |
| Volume regurgitante | Médio 45 mL | Médio 31 mL |
| VDVE indexado | 101 mL/m² | 135 mL/m² |
| PSAP ≤70 mmHg | Sim (requisito) | Sem exclusão |
| Proporção IM/VE | Desproporcional (mais IM p/ tamanho VE) | Proporcional (VE muito grande) |
| Resultado TEER | Redução 38% mortalidade, 47% hospitalização IC (5 anos) | Sem benefício (HR 1,01; p=0,99) |
MATTERHORN (Baldus et al., NEJM 2024) — RCT multicêntrico alemão comparando TEER vs cirurgia mitral (reparo ou troca) em pacientes com IM secundária severa e IC. Critério de inclusão: FEVE 20–50%, IM severa secundária, sintomática, decisão de Heart Team favorável a ambas as abordagens (risco cirúrgico não proibitivo).
| Indicação | Classe | LOE |
|---|---|---|
| EM severa sintomática, anatomia favorável, sem trombo AE, IM ≤2+ | I | A |
| EM severa assintomática, PSAP >50 mmHg em repouso (ou >60 no esforço) | IIa | C |
| EM severa, gestação sintomática (2º trimestre), anatomia favorável | I | C |
| EM moderada-severa (AVMi 1,5–2,0 cm²) + Nova FA sintomática | IIa | C |
| EM severa, anatomia desfavorável, alto risco cirúrgico (alternativa à cirurgia) | IIb | C |
Contraindicações absolutas à CMB
- Trombo em apêndice atrial esquerdo (obrigatório TEE pré-procedimento)
- IM moderada-severa (≥ Grau 2+) — risco de IM grave pós-CMB
- Calcificação comissural bilateral extensa (score de Wilkins >10–12)
- Doença aórtica ou tricúspide associada grave necessitando cirurgia
Score de Cormier/Padial (complementar)
- Grupo 1: Calcificação ≤ Grau 1, folhetos não espessados — melhor prognóstico
- Grupo 2: Calcificação ≤ Grau 1, folhetos espessados — prognóstico intermediário
- Grupo 3: Calcificação bilateral ≥ Grau 2 — piores resultados
- Importante para completar avaliação além do Wilkins
O TMVR é indicado principalmente para pacientes com anatomia não adequada para TEER (calcificação anular extensa, Barlow multissegmento, falha prévia de TEER) e risco cirúrgico alto/proibitivo. A abordagem valve-in-valve (ViV) é o contexto atual com maior evidência, representando a indicação mais estabelecida para próteses biológicas mitrais degeneradas.
Indicações atuais de TMVR
- Valve-in-Valve mitral — bioprótese degenerada, risco cirúrgico alto: melhor resultado atual
- Valve-in-Ring — anel protético degenerado (maior risco de LVOT obstruction)
- IM nativa complexa inacessível à TEER ou cirurgia
- Calcificação anular mitral severa (MAC) — alto risco técnico e de obstrução do LVOT
- Falha prévia de reparo percutâneo (TEER)
Limitações do TMVR nativo
- Obstrução do LVOT pós-implante (neo-LVOT <1,7–2,0 cm² = alto risco)
- Necessidade de ACT na maioria dos dispositivos transapicais
- Ausência de dados de durabilidade a longo prazo (além de 5 anos)
- Risco de vazamento paravalvar (ainda significativo)
- Acesso transapical: morbidade associada à ventriculotomia
- TMVR transseptal em desenvolvimento — menor morbidade
O MitraClip é um dispositivo de cobalto-cromo recoberto por poliéster, implantado via acesso transseptal retrógrado. Ao aproximar A2 e P2 (ou o segmento responsável pelo jato regurgitante), cria uma válvula de duplo orifício tipo Alfieri stitch percutâneo. A geração G4 (lançada 2019) introduziu braços independentes (Independent Leaflet Technology — ILT), permitindo grasping separado de cada folheto — fundamental em assimetria de comprimento dos folhetos (muito comum na IM secundária funcional).
Disponível em 4 tamanhos: NTR (braços 23 mm), XTR (braços 40 mm — para flail gap maior), NT e XT (versões G4 com ILT). Múltiplos clips podem ser implantados na mesma sessão; a limitação prática é a AVMi residual (meta ≥2,5 cm² pós-procedimento).
Seleção do tamanho do clip (G4)
- NT (NTR equiv.): Folheto posterior curto (<10 mm), gap de coaptação pequeno, anatomia restrita
- XT (XTR equiv.): Folheto posterior longo (>10 mm), flail gap 5–10 mm, IM secundária (tethering)
- ILT (G4 exclusivo): Folhetos com diferença de comprimento >3 mm, IM secundária com assimetria, necesidade de grasping independente
- Medir comprimento do folheto posterior na vista ME comissural (120–135°) no TEE 3D
Critérios ecográficos de sucesso
- IM residual ≤ Grau 2+ por integração multiparamétrica
- AVMi residual ≥ 2,5 cm² (planimetria 3D ou PHMT)
- Gradiente transmitral médio <5 mmHg
- Captura folheto ≥ 2 mm de tecido em cada braço
- Coaptação mantida ao longo de toda a linha de coaptação
O sistema PASCAL difere do MitraClip em três aspectos técnicos: (1) Elemento central de coaptação (spacer) que preenche o gap de coaptação — útil em gaps amplos. (2) Braços mais longos (18 mm) com paddles de grasping independentes. (3) Mecanismo de bloqueio e liberação separados para cada folheto — permite repositionamento após grasping bilateral.
Vantagens potenciais do PASCAL
- Spacer central — efetivo em grandes gaps de coaptação (IM secundária grave)
- Braços mais longos — maior área de captura tecidual
- Grasping independente — maior controle em anatomias assimétricas
- PASCAL Ace (versão menor) — para anatomias com restrição de espaço
- Perfil de entrega: cateter de 22F — similar ao MitraClip G4
Status regulatório e evidência
- CE Mark Europa para IM degenerativa e funcional
- CLASP IID (vs MitraClip, IM degenerativa) — em andamento
- CLASP IIF (vs MitraClip, IM funcional) — em andamento
- Dados de registros sugerem resultados comparáveis ao MitraClip
- Sem aprovação FDA como de 2025 — uso off-label nos EUA em algumas indicações
| Dispositivo | Mecanismo | Acesso | Status | Evidência |
|---|---|---|---|---|
| Cardioband | Anuloplastia direta — banda ancorada no anel posterior via transseptal, tensionada por cabo | Transseptal, com TEE 3D guiando cada âncora | CE Mark | ACTIVE trial (NCT03016442): ↓ EROA e ↑ KCCQ em 1 ano (n=61); aguarda RCT |
| Carillon | Anuloplastia indireta — implante no seio coronário (SC) para compressão do anel posterior | Veia jugular → SC (sem punção transseptal) | CE Mark | CARILLON AMADEUS/TITAN II: ↓ EROA ~30%, mas anatomia do SC limita aplicabilidade (artéria circunflexa pode ser comprimida) |
| Mitralign | Plicatura do anel posterior via cateter transseptal — 2 pares de fios implantados no anel fibromuscular | Transseptal | Estudo Interrompido | Trial ALIGN-AR encerrado por recrutamento insuficiente; tecnologia em revisão |
Ambos os sistemas implanttam cordas de ePTFE via acesso transapical no coração batendo, com guia ecocardiográfico. São desenhados para prolapso/flail isolado do folheto posterior (principalmente P2), evitando CEC. O NeoChord implanta cordas com âncora no ápice do VE e ajuste extracorpóreo da tensão da corda; o Harpoon é semelhante mas com âncora helicoidal no folheto.
Candidato ideal
- Prolapso/flail isolado folheto posterior (P2 predominante)
- Folheto posterior com comprimento adequado ≥ 10 mm
- Sem calcificação significativa no ponto de inserção da corda
- VE de geometria adequada (acesso apical)
- Ausência de doença multissegmento extensa
Limitações
- Acesso transapical → risco de sangramento, derrame pericárdico
- Sem CEC mas com equipe cirúrgica disponível (conversão em ~3–5%)
- Resultados de durabilidade ainda limitados (3–5 anos)
- Restrição à anatomia posterior — patologia anterior/comissural inacessível
- Não disponível no Brasil como dispositivo regularmente aprovado
| Dispositivo | Design / Âncora | Acesso | Sizing | Status (2025) |
|---|---|---|---|---|
| Tendyne (Abbott) | Duplo anel autoexpansível (nitinol), pericárdio bovino; âncora apical por fio passado pelo ápice do VE | Transapical | MDCT obrigatório: área anular, IC, neo-LVOT; 15 tamanhos disponíveis | CE Mark · FDA Breakthrough |
| Intrepid (Medtronic) | Stent externo de nitinol com fricção ativa + válvula tricúspide bovina interna; sem âncora apical | Transapical (SUMMIT trial) / Transseptal (versão transseptal em desenvolvimento) | MDCT: anular + neo-LVOT; 4 tamanhos | CE Mark · SUMMIT trial em andamento (FDA) |
| Tiara (Neovasc) | Prótese em forma de D com três âncoras nos folhetos anterior/posterior e VSIV | Transapical | MDCT: morfologia em D do anel mitral; 2 tamanhos (35/40 mm) | Ensaios suspensos / Neovasc adquirida |
| ViV Mitral (via Tendyne / Sapien 3) | Prótese balão-expansível (Sapien 3/XT) em bioprótese degenerada | Transseptal anterógrado (acesso venoso) | Diâmetro interno da bioprótese + neo-LVOT (TC obrigatório) | FDA Aprovado · Melhor evidência atual de TMVR |
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1Preparação e Acesso Vascular Anestesia geral (controle de VA e apneia para manobras críticas) + TEE pré-procedimento para revisão da anatomia. Acesso venoso femoral direito (usualmente). Anticoagulação sistêmica: heparina não fracionada — alvo TCA ≥250–300 s durante todo o procedimento. Posição do paciente: decúbito dorsal, braços ao lado do corpo.
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2Punção Transeptal — O Passo Mais Crítico Avançar bainha de Mullins + agulha de Brockenbrough ao septo interatrial. Localização ideal da punção: região posterior-superior do septo, especificamente na fossa oval; alvo de 3,5–4,0 cm acima do plano anular mitral (medido pelo TEE bicaval). Punção muito anterior → dificuldade de manobrar o clip; muito posterior → proximidade à aorta; muito inferior → altura insuficiente para orientação do clip. Vista TEE bicaval (90°) para posição superior-inferior; vista ME 4 câmaras (0°) para posição anterior-posterior. Confirmação com injeção de microbolhas ou TEE 3D mostrando bainha no AE.
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3Orientação do Sistema de Entrega no AE Após punção bem-sucedida, introduzir a guia e avançar o cateter-guia (22F) para o AE. Orientação do sistema perpendicular à linha de coaptação é fundamental: usar TEE 3D "en face" (visão cirúrgica — câmera no AE olhando para a valva mitral) para confirmar alinhamento. O angulo do clip deve ser perpendicular ao eixo A–P da coaptação. Manobras de deflexão medial-lateral e anterior-posterior do cateter-guia permitem posicionamento fino.
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4Cruzamento da Valva e Posicionamento no VE Abrir os braços do clip (180°), avançar para o VE sob orientação biplanar TEE (0° + 60°). O clip deve cruzar a valva mitral durante a diástole, com braços abertos paralelos ao fluxo transmitral. Vista TEE em 60–75° ("long axis" transmitral) para confirmar posição do clip abaixo dos folhetos. Evitar contato inadvertido com subvalvar durante essa etapa.
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5Grasping dos Folhetos — Etapa Técnica Central Retrair o clip do VE para o AE com braços abertos, capturando os folhetos. Verificar no TEE que ambos os folhetos estão capturados: "tissue bridges" — pontes de tecido de pelo menos 2 mm em cada braço visíveis no TEE 2D biplanar. Com o sistema G4/ILT: possibilidade de grasping sequencial (um folheto de cada vez). Vista ME em 60° + 120° para confirmar captura bilateral. Fechar parcialmente o clip e avaliar IM residual com Doppler colorido antes do fechamento completo.
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6Avaliação Ecocardiográfica Pós-Grasping (antes do release) Esta é a janela de oportunidade para ajuste — antes de soltar o clip definitivamente. Avaliar: (a) Redução da IM (Doppler colorido — múltiplas vistas; vena contracta; parâmetros quantitativos); (b) AVMi residual (planimetria 3D ou PHMT — meta ≥2,5 cm²); (c) Gradiente transmitral médio (<5 mmHg); (d) Geometria do duplo orifício (vistas 3D en face); (e) Anatomy de captura (tissue bridges presentes). Se IM residual ≥3+ ou gradiente >5 mmHg: reposicionar antes do release.
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7Release e Avaliação Pós-Procedimento Final Após confirmação de sucesso, liberar o clip (travar mecanismo de lock, soltar a guia). Realizar avaliação ecocardiográfica completa: IM residual (todos os parâmetros), AVMi, gradiente, função do VE, pressão pulmonar (estimativa pelo IT), derrame pericárdico. Retirar o sistema sob TEE. Fechar o septo transeptal se punção >8F (usualmente com plug de colágeno ou sutura Proglide). Hemostasia femoral. Monitorização em UTI por 24h.
- 0° (4C ME): Posição mediolateral (anterior = aorta / posterior = parede livre)
- 90° (Bicaval ME): Posição superior-inferior (alvo: superior na fossa oval)
- 3D Live: Visão en face do septo — confirma tenting e posição precisa da agulha
- Altura pré-cálculo: Medir distância punção → plano anular na vista bicaval (alvo 3,5–4 cm)
- Doppler colorido: Área do jato / vena contracta — interpretação modificada no duplo orifício
- CW Doppler: Velocidade de pico e padrão da curva (sinal denso/triangular = IM severa)
- Vena contracta 3D: Mais precisa pós-TEER — soma dos dois orifícios
- PISA: Limitado pós-TEER por duplo orifício — subestima IM residual; usar com cautela
- Método volumétrico: VE por 3D + VAS Doppler = mais preciso mas tempo-dependente
- Fluxo venoso pulmonar: Inversão sistólica = IM severa residual
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1Sizing do Balão Inoue Fórmula de Nobuyoshi: Diâmetro do balão (mm) = Altura (cm)/10 + 10. Exemplo: 160 cm → 26 mm de balão. Estratégia stepwise: iniciar com diâmetro 2–4 mm menor que o alvo, avaliando AVMi e IM após cada insuflação (incremento de 1 mm por vez).
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2Punção Transeptal e Guia para o AE Técnica similar à TEER. Após punção, dilatar o septo com dilatador 14F. Introduzir cateter-guia e avançar o balão Inoue (deflacionado) para o AE.
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3Cruzamento da Estenose e Posicionamento Com auxílio de guia em J, avançar o balão para o VE via orifício estenótico. Inflar a porção distal do balão para ancorar no VE. Retrair até posicionar a cintura na área comissural. Vista TEE ou fluoroscopia confirma posição antes da insuflação completa.
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4Insuflação e Avaliação Ecocardiográfica Imediata Insuflação rápida e esvaziamento imediato para evitar oclusão prolongada. TEE confirma: AVMi resultante (planimetria/PHMT), gradiente transmitral, grau de IM induzida. Se AVMi ≥1,5 cm² e IM ≤ Grau 2+: proceder ou considerar incremento. Se IM ≥3+ após insuflação: não insuflação adicional (risco de IM grave por ruptura de corda ou comissura).
Medidas Anulares
- Área anular (planimetria em fase sistólica — maior dimensão)
- Perímetro anular
- Diâmetro intercomissural (IC)
- Diâmetro antero-posterior (AP)
- Profundidade em sela (saddle shape)
Neo-LVOT (Crítico)
- Simular posição da prótese no anel (virtual implante)
- Medir área do neo-LVOT na sístole (menor espaço entre prótese e VSIV)
- Alvo: neo-LVOT ≥1,7–2,0 cm² (abaixo deste limiar = alto risco de obstrução)
- LAMPOON preventivo se <2,0 cm²
Planejamento de Acesso
- Comprimento da abordagem transapical
- Angulo cardíaco (coaxialidade ápice-anel)
- Calcificação subvalvar e cordoalha
- Diâmetros aortofemoroilíacos para acesso transseptal
Primeiro RCT comparando TEER percutânea (MitraClip) versus cirurgia mitral (reparo ou troca) em pacientes de risco moderado. Desfecho primário: morte, cirurgia ou IM ≥3+ em 12 meses. Importante: 73% dos pacientes apresentavam IM primária; o grupo cirúrgico recebeu principalmente reparo (74%).
Marco divisor na IM secundária. Pacientes com IC, FEVE 20–50%, DSVE ≤70 mm, PSAP ≤70 mmHg, IM secundária severa persistente após GDMT otimizada foram randomizados para TEER + GDMT vs GDMT isolada.
Aparente contradição com o COAPT — sem benefício da TEER em 12 meses. Diferenças explicativas centrais: (1) população com VE muito mais dilatado (VDVE médio 135 vs 101 mL/m²) e IM relativamente proporcional; (2) GDMT pouco otimizada no grupo controle (apenas 58% em betabloqueador ideal); (3) EROA média 31 mL vs volume regurgitante médio 31 mL — fenótipo de IM proporcional ao tamanho do VE; (4) Falha técnica do clip maior (20% permaneceram com IM ≥3+ após procedimento).
Primeiro RCT comparando TEER diretamente com cirurgia mitral na IM secundária grave. Pacientes com FEVE 20–50%, IM secundária severa, sintomáticos, elegíveis para ambas as abordagens (risco cirúrgico não proibitivo). Desfecho primário composto: morte + IC hospitaliz. + reintervenção + implante de DAV + AVC em 12 meses.
O reparo mitral cirúrgico permanece o padrão-ouro de durabilidade para IM primária em centros de alto volume. Dados do registro MIDA (20 anos, prospectivo multicêntrico) e de coortes nacionais estabelecem os benchmarks:
| Comparação | ICER / Resultado | Horizonte | Referência |
|---|---|---|---|
| TEER vs GDMT (IM secundária) | €31.227–€38.123/QALY (custo-efetivo em países europeus) | Lifetime | Connock et al., PLoS ONE 2023 |
| TEER vs Cirurgia (IM primária) | $178.109 vs $157.146 (custo hospitalar total); TEER tem internação menor (2 vs 4 dias) | Hospitalar | Kay et al., Mayo Clin Proc 2021 |
| Reparo vs Troca (IM isquêmica) | Reparo dominante em 10 anos; mecânica pode ser mais custo-efetiva em 20 anos | 10 e 20 anos | Ferket et al., Circ CVQO 2018 |
| ViV-TMVR vs Reoperação cirúrgica | Menor morbidade, menor sangramento, menor tempo de internação; mortalidade equivalente | 180 dias | Zogg et al., Am J Cardiol 2023 |
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3–5%Detachment / Single Leaflet Device Attachment (SLDA)Desapego de um dos folhetos do clip após implante — resulta em IM severa aguda. Pode ocorrer intra ou pós-procedimento. Diagnóstico: TEE mostrando clip preso em apenas um folheto com jato central ou medial residual. Manejo: novo clip se anatomia permitir, ou conversão cirúrgica urgente. Fator de risco: tecido friável, flail extenso, clip muito pequeno para a anatomia.
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2–4%Estenose Mitral IatrogênicaAVMi residual <1,5 cm² após implante de clip(s). Risco aumentado com: múltiplos clips, anatomia com AVMi basal limítrofe (3–4 cm²), folheto posterior curto. Prevenção: planimetria 3D pós-cada clip. Clínicamente relevante se gradiente médio >5 mmHg com FC normal. Sem tratamento eficaz percutâneo — avaliação cirúrgica se sintomático.
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1–3%Tamponamento CardíacoPerfuração do AE ou VE durante manipulação do cateter ou punção transeptal errada. Complicação mais temida — pode levar a colapso hemodinâmico rápido. Monitorização hemodinâmica contínua e TEE durante todo o procedimento permitem diagnóstico precoce. Manejo: pericardiocentese imediata; raramente cirurgia. Fator de risco: punção transeptal superior ao ideal, manipulação agressiva no VE.
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1–3%AVC ou AIT PeriprocedimentalEmbolização de ar, coágulo ou material calcificado. Anticoagulação adequada (TCA ≥250 s) é prevenção primária fundamental. Atenção ao flushing do cateter-guia. Ocorrência de FA novo durante o procedimento eleva risco. Monitorização neurológica pós-procedimento nas primeiras 24h.
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1–2%Comunicação Interatrial (CIA) ResidualO cateter de 22F cria um orifício transeptal que pode persistir após o procedimento. Shunt E→D geralmente hemodinamicamente insignificante. Shunt D→E só ocorre se PAD > PAE (HAP severa). Fechamento percutâneo indicado se CIA sintomática ou shunt significativo (Qp/Qs >1,5).
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<1%Embolização do ClipExtremamente rara (<0,1% em séries contemporâneas). Clip pode migrar para o VE, aorta ou câmaras direitas. Cirurgia cardíaca de emergência para extração. Técnica adequada de implante e inspeção pós-release previnem.
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<1%Lesão do Tecido Subvalvar / ChordasEntrelaçamento do clip com cordas durante a travessia do VE, causando ruptura ou disfunção. TEE contínuo e uso de fluoroscopia ajudam na prevenção. Maior risco em anatomias com cordas espessadas (reumático) ou calcificação subvalvar extensa.
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5–8%IM Residual ≥2+ (Resultado Subótimo)Não é complicação técnica stricto sensu, mas é o desfecho mais frequente limitando o benefício da TEER. Causas: grasping incompleto, anatomia desfavorável não antecipada, IM multissegmento. Manejo: avaliação de clip adicional vs alta com seguimento. A aceitabilidade de IM 2+ depende do contexto clínico e da etiologia.
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2–5%Insuficiência Mitral Grave AgudaPrincipal complicação — ocorre por ruptura assimétrica da comissura, ruptura de cordas ou lacração de folheto calcificado. Critério de parada: IM ≥3+ após qualquer insuflação. Abordagem: cirurgia de urgência (reparo ou troca). Score de Wilkins >10, calcificação comissural bilateral, e anatomia assimétrica são preditores. Estratégia stepwise (incrementos de 1 mm) reduz risco.
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1–4%AVC EmbólicoEmbolização de trombo (excluir trombo por TEE pré-procedimento — obrigatório!) ou material calcificado. Anticoagulação plena (TCA ≥250 s) durante o procedimento. FA associada é fator de risco adicional.
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1–2%Tamponamento por PerfuraçãoPerfuração do AE ou VE durante punção transeptal ou manipulação do balão Inoue. Pericardiocentese de emergência. Baixa incidência em mãos experientes.
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<1%CIA Residual Hemodinamicamente SignificativaOrifício transeptal de 14F pode persistir. Maioria fecha espontaneamente em 3–6 meses. Fechamento percutâneo se significativo.
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5–10%Resultado Subótimo / Reestenose a Longo PrazoAVMi final <1,5 cm² ou gradiente persistentemente elevado. Reestenose ocorre em 20–40% em 10 anos, especialmente em anatomias desfavoráveis (Wilkins >8), jovens com doença ativa e populações de alta prevalência reumática. Repetição de CMB é viável se nova anatomia favorável e ausência de IM ≥2+.
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5–20%Obstrução do LVOT (neo-LVOT)Complicação mais temida e mais específica do TMVR. O folheto anterior mitral, ao ser aprisionado/deslocado pela prótese, obstrui o TSVE. Gradiente LVOT >30 mmHg = obstrução significativa. Pré-operatório: cálculo obrigatório do neo-LVOT por TC (contraindicado se <1,7 cm²). LAMPOON profilático pode ser usado para ablação por laser do folheto anterior antes do implante.
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5–15%Vazamento Paravalvar (PVL)Mais comum no TMVR nativo (anel calcificado irregular) que no ViV. PVL significativo pode levar a hemólise e IC residual. Técnicas de ancoragem e designs específicos de cada dispositivo visam minimizar. No ViV, a bioprótese oferece assentamento mais regular.
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3–8%Sangramento Relacionado ao Acesso TransapicalHematoma de parede torácica, hemotórax, derrame pericárdico por ventriculotomia apical. Fator limitante do acesso transapical — principal motivação para desenvolvimento de sistemas transseptais.
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3–7%Migração / Embolização da PrótesePrótese pode migrar para o AE ou VE se ancoragem insuficiente. Mais risco em anatomias sem subvalvar para ancoragem (calcificação anular mitral — MAC) e em tamanho incorreto da prótese. Cirurgia de resgate necessária.
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12020 ACC/AHA Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart DiseaseDiretriz
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22021 ESC/EACTS Guidelines for the Management of Valvular Heart DiseasesDiretriz
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3Five-Year Follow-up after Transcatheter Repair of Secondary Mitral Regurgitation (COAPT)RCT LOE A
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4Transcatheter Repair versus Mitral-Valve Surgery for Secondary Mitral Regurgitation (MATTERHORN)RCT
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5Percutaneous Repair or Medical Treatment for Secondary Mitral Regurgitation (MITRA-FR)RCT LOE A
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6Randomized Comparison of Percutaneous Repair and Surgery for Mitral Regurgitation: 5-Year Results of EVEREST IIRCT LOE B
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7Percutaneous Repair or Surgery for Mitral Regurgitation (EVEREST II original)RCT LOE B
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8Contrasting Effects of Pharmacological, Procedural, and Surgical Interventions on Proportionate and Disproportionate Functional Mitral RegurgitationFisiopatologia
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9Durability of Surgical Mitral Repair vs. Transcatheter Edge-to-Edge Repair in Degenerative MRPropensity-Matched
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10Percutaneous Transcatheter Valve Replacement in Individuals With MR Unsuitable for Surgery or TEER (TMVR Multicêntrico)Prospectivo LOE B
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11Guidelines for the Evaluation of Valvular Regurgitation After Percutaneous Valve Repair or Replacement (ASE/SCAI)Diretriz Eco
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12Transcatheter Interventions for Mitral Regurgitation: Multimodality Imaging for Patient Selection and Procedural GuidanceRevisão
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13Transcatheter Treatment of Valvular Heart Disease: A ReviewRevisão JAMA
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14Twenty-Year Outcome After Mitral Repair Versus Replacement for Severe Degenerative MR (MIDA Registry)Registro LOE B
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15Health Status After Transcatheter Mitral-Valve Repair in Heart Failure and Secondary Mitral Regurgitation: COAPT TrialQualidade de Vida
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16Quality of Life After Mitral Valve Surgery: Results From the Cardiothoracic Surgical Trials NetworkQualidade de Vida
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17Myocardial Dysfunction in Primary Mitral RegurgitationRevisão JAMA Cardiol
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18Structural Cardiac Interventions in Patients With Heart Failure: JACC Scientific StatementScientific Statement
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19Transcatheter Mitral Valve Repair and Replacement. A Critical Review of Current Real-World PracticeRevisão
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20Optimizing Cardiac CT Protocols for Comprehensive Acquisition Prior to Percutaneous MV and TV Repair/ReplacementTC Cardíaco
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21Rheumatic Heart Disease: JACC Focus SeminarRevisão
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22Incidence and Factors Associated With Mitral Valve Reoperation After Surgery for MR (Coorte Nacional)Registro
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23Valvular Heart Disease: From Mechanisms to ManagementRevisão Lancet
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242019 AATS/ACC/SCAI/STS Expert Consensus Systems of Care: Operator and Institutional Recommendations for Transcatheter Mitral Valve InterventionConsenso
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25Imaging for Mitral Interventions: Methods and EfficacyRevisão Eco
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26Comparison of Postdischarge Outcomes Between Valve-in-Valve TMVR and Reoperative Surgical Mitral Valve ReplacementCoorte
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27ACC/AHA and ESC/EACTS Guidelines For the Management of Valvular Heart Diseases: JACC Guideline ComparisonComparação de Diretrizes