Tratamento Percutâneo da
Valvopatia Tricúspide
Referência clínica completa para o cardiologista intervencionista: fisiopatologia, seleção de pacientes, dispositivos (TEER/TTVR), técnica, guia ecocardiográfico intraprocedimento, resultados comparativos e complicações. Baseada nas diretrizes ACC 2025, AHA 2024, ESC 2021/2025 e ensaios clínicos randomizados de maior impacto.
A insuficiência tricúspide (IT) é a valvopatia mais prevalente, acometendo >1,6 milhão de adultos nos EUA e muito mais globalmente. Sua classificação etiológica determina diretamente a elegibilidade e o tipo de intervenção percutânea.
Resulta de anormalidades estruturais intrínsecas do aparato valvar. As principais etiologias incluem: anomalia de Ebstein (deslocamento apical do folheto septal, com atrialização do VD), endocardite infecciosa (destruição de folhetos, perfuração, vegetações — particularmente em usuários de drogas intravenosas, onde a valva tricúspide é acometida em 70–80% dos casos), doença reumática (fusão comissural, espessamento, retração de folhetos — raramente isolada), síndrome carcinoide (depósito de placas fibrosas induzidas pela serotonina, causando regurgitação e/ou estenose tricúspide e pulmonar, classicamente com metástases hepáticas), degeneração mixomatosa, trauma cardíaco e lesão iatrogênica por biópsia endomiocárdica ou durante implante percutâneo de dispositivos.
É a forma mais comum de IT clinicamente significativa. Resulta de remodelamento geométrico do VD — mais frequentemente secundário a doença cardíaca esquerda avançada ou hipertensão pulmonar — com folhetos estruturalmente normais. Os mecanismos incluem:
- Dilatação do VD → deslocamento lateral dos músculos papilares → tethering (tração) dos folhetos em direção ao ápice do VD, impedindo a coaptação sistólica adequada
- Dilatação do anel tricúspide → aumento progressivo da área de coaptação necessária → malcoaptação crescente; o anel tricúspide é intrinsecamente mais susceptível à dilatação por ser menos fibroso que o anel mitral
- Disfunção do VD → piora adicional da geometria e da sincronização de contração papilares
- Ciclo vicioso auto-perpetuante: a própria IT aumenta a sobrecarga de volume do VD → maior dilatação → piora da IT ("TR-generates-TR")
Descrita por Muraru, Badano, Hahn et al. (European Heart Journal 2024) como entidade fisiopatológica distinta. Prevalente em idosos com fibrilação atrial crônica ou insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp). [11]
Mecanismo central: dilatação do átrio direito (AD) → expansão circunferencial do anel tricúspide → malcoaptação com tethering mínimo dos folhetos (que permanecem morfologicamente normais) e VD com função relativamente preservada.
Representa um desafio clínico crescente com a proliferação de CDIs e marcapassos transvenosos. A prevalência de IT significativa após implante de CIED varia de 7–45% nas séries publicadas, dependendo da definição e tempo de seguimento. [3,12]
Mecanismos de IT por CIED:
- Impingement mecânico direto do eletrodo sobre o folheto septal ou anterior → interferência na coaptação sistólica
- Adesão fibrótica do eletrodo à valva ou ao subvalvar → tração crônica com restrição ao movimento do folheto
- Remodelamento do VD induzido por estimulação apical dessincrônica → mecanismo adicional de V-STR sobreposto
- Perfuração ou laceração de folheto (complicação aguda incomum do implante)
A valva tricúspide difere da mitral em aspectos críticos que determinam a complexidade das intervenções percutâneas:
Anel saddle-shaped (sela de montaria), não-planar, com diâmetro médio de 28–35 mm no estado normal e frequentemente >40 mm em IT grave. Área variando de 6 a 12 cm². Colapso inspiratório e mudanças posicionais dificultam o sizing por TC.
Folheto anterior (maior), posterior (frequentemente bífido ou trífido, acidentado) e septal (o menor, inserindo-se diretamente no septo interventricular e menos móvel — dificulta a grasping no TEER). A comissura A-Sep é o local alvo preferencial no TEER.
Nó AV: adjacente ao folheto septal → risco de BAVT durante dispositivos de anuloplastia e âncoras do TTVR. ACx direita / coronária direita: corre no sulco AV direito. Seio coronariano: referência anatômica fundamental nos procedimentos guiados por eco.
Câmara de baixa pressão (PAD média 0–8 mmHg). A IT grave produz ondas V atriais gigantes, hepatização das veias hepáticas e refluxo venoso sistêmico. A ausência de gradiente transvalvar ao Doppler não exclui IT grave funcionalmente relevante.
A IT grave grave produz uma cascata hemodinâmica progressiva: sobrecarga crônica de volume do VD → dilatação e hipertrofia excêntrica → disfunção diastólica e depois sistólica do VD → elevação da pressão venosa central → congestão hepática (hepatomegalia, enzimas hepáticas elevadas, podendo evoluir para cirrose cardíaca com hipertensão portal e coagulopatia) → síndrome cardiorrenal (redução da perfusão renal + hipertensão venosa renal → piora da função renal, independentemente do débito cardíaco) → congestão visceral (ascite, edema de alça intestinal com má absorção) → caquexia cardíaca.
A decisão de intervenção percutânea na IT grave integra critérios ecocardiográficos, clínicos, anatômicos, e de risco cirúrgico — sob avaliação mandatória de Heart Team multidisciplinar.
| Cenário Clínico | Recomendação | Nível | Fonte |
|---|---|---|---|
| IT grave concomitante à cirurgia de valva esquerda | Cirurgia tricúspide indicada (reparo ou substituição) | I / B-NR | ACC/AHA 2020/2021 [6] |
| IT grave sintomática isolada, sem cirurgia prévia, baixo-intermediário risco | Cirurgia de reparo ou substituição valvar | IIa / C | ACC/AHA 2020/2021 [6] |
| IT grave sintomática isolada, cirurgia prévia de valva esquerda, sem disfunção grave do VD | Reoperação de reparo/substituição TV | IIb / C | ACC/AHA 2020/2021 [6] |
| IT secundária grave sintomática, inoperável, centro especializado | Intervenção percutânea (TEER ou TTVR) | IIa (ESC 2025) | ESC 2025 [14] |
| TriClip ou EVOQUE em IT grave sintomática refratária ao OMT, Heart Team | Aprovação FDA 2024 com "Coverage with Evidence Development" CMS | FDA-Approved 2024 | ACC Consensus 2025 [2] |
| IT grave progressiva assintomática, sem disfunção do VD | Vigilância ativa; intervenção não indicada rotineiramente | III / C | ACC/AHA 2020/2021 [6] |
- Gap de coaptação <7,2 mm (idealmente <5 mm para TriClip G4)
- Jato central ou anterosseptal (acesso da via atrial direita)
- Folhetos com comprimento ≥10 mm de tecido disponível para grasping
- Ausência de calcificação extensa ou espessamento grave dos folhetos
- Anatomia compatível com posicionamento do guia (tricúspide não muito lateral)
- Presença de eletrodo de CIED: geralmente tolerada (eletrodo no espaço inter-folheto)
- Preferido em pacientes de muito alto risco cirúrgico, anatomia borderline
- Gap de coaptação amplo (>7–10 mm) — candidato não ideal para TEER
- IT grave por qualquer mecanismo, incluindo anatômica complexa
- Diâmetro anular entre 36–52 mm (sizing por TC cardíaca obrigatório)
- Ausência de trombose venosa profunda bilateral (acesso femoral bilateral)
- CIED pré-existente: requer planejamento rigoroso (eletrodo será "jailed")
- Morfologia subvalvar permissiva para implante das âncoras no VD
- Preferido quando IT é muito grave, gap enorme, anatomia desfavorável para TEER
- Endocardite infecciosa ativa
- Trombo intracardíaco ou intraprocedimento
- Anatomia vascular proibitiva (acesso femoral/jugular)
- Disfunção grave do VD (TAPSE <12 mm, FSVD <30%, RV/LV ratio >1 com disfunção sistólica grave)
- HP pré-capilar grave (PAPm >35 mmHg com resistência vascular pulmonar elevada)
- Expectativa de vida <12 meses por comorbidades não cardíacas
- PAPsis >70 mmHg (aumenta risco peri-procedimento)
- Cirrose hepática avançada Child-Pugh B/C (coagulopatia, ascite tensa)
- Síndrome cardiorrenal avançada (Cr >3 mg/dL dependente de diálise)
- MELD-XI >15 (mortalidade pré-programada alta)
- Gap de coaptação >10 mm (para TEER — considerar TTVR)
- Calcificação extensa do anel (para TTVR — risco de embolização, anchoring inadequado)
O manejo contemporâneo da IT grave segue abordagem escalonada:
O campo das intervenções transcateter tricúspides evoluiu de experiências off-label com sistemas mitrais para plataformas dedicadas com aprovação FDA/CE e ensaios randomizados robustos. Três categorias de abordagem: reparo (TEER), anuloplastia percutânea e substituição valvar (TTVR).
| Parâmetro | TriClip G4 (Abbott) | PASCAL (Edwards) | Cardioband (Edwards) | EVOQUE (Edwards) |
|---|---|---|---|---|
| Tipo | TEER | TEER | Anuloplastia | TTVR |
| Aprovação | FDA 2024 · CE | CE | CE (apenas) | FDA 2024 · CE |
| Acesso | Transfemoral / Transseptal | Transfemoral / Transseptal | Transfemoral / Transseptal | Transfemoral 28F (bilateral) |
| Gap ideal | <7,2 mm | <10 mm (spacer) | N/A (anel, não folheto) | Qualquer (não depende de coaptação) |
| IT residual | ≤ moderada em 87% | ≤ moderada em ~80% | ≤ moderada em ~65% | ≤ leve em >95% |
| RCT publicado | ✅ TRILUMINATE · Tri.Fr | ❌ (em andamento CLASP II TR) | ❌ | ✅ TRISCEND II |
| Mort. peri-proc. | ~0–2% | ~1–2% | ~2% | ~2–4% |
| PM permanente | <3% | <3% | 5–10% (âncoras septais) | 17,4% (TRISCEND II) |
| CIED pré-existente | Tolerado (eletrodo in situ) | Tolerado | Tolerado | Eletrodo "jailed" — extração impossível |
| Opções futuras | Mantém anatomia para cirurgia ou TTVR | Mantém anatomia | Mantém anatomia (ideal bridge) | Valve-in-valve possível; cirurgia complexificada |
| Durabilidade | 2 anos: 60% IT ≤ mod | Dados limitados | Dados limitados | Sem falha estrutural até 1–2 anos |
A avaliação ecocardiográfica completa é mandatória antes de qualquer intervenção tricúspide, combinando ETT e ETE (com reconstrução 3D quando disponível). Os seguintes parâmetros são essenciais:
- • Área do jato/área AD (semi-quantitativo)
- • PISA (vena contracta ≥7 mm = grave; ≥14 mm = muito grave)
- • Volume regurgitante (VR ≥45 mL = grave)
- • Fração regurgitante (FR ≥50% = grave)
- • Reversal de fluxo em veias hepáticas (S-wave reversal = IT grave)
- • TV-ARC: Grading em 5 categorias (leve/moderada/grave/muito grave/maciça)
- • Morfologia dos três folhetos (espessura, calcificação, mobilidade)
- • Gap de coaptação (em mm, vista E2C/4C)
- • Localização do jato (anterosseptal, central, posterior)
- • Tethering area (área de tração subvalvar)
- • Dimensão anular (diâmetro septal-lateral e antero-posterior)
- • Presença e posição de eletrodo de CIED
- • TAPSE (normal >17 mm; alto risco <14 mm)
- • S' tecidual lateral do anel tricúspide (<10 cm/s = disfunção)
- • FSVD (fração de variação de área; <35% = disfunção)
- • Razão VD/VE (razão de áreas; >1 indica dilatação do VD)
- • Pressão sistólica da AP (por jato de IT/IP)
- • Volume e função do AD; reversal em VP hepáticas
- • Vista en-face da valva tricúspide (perpendicular ao anel)
- • Mensuração precisa do gap de coaptação no plano de maior abertura sistólica
- • Comprimento do folheto septal e anterior disponível para grasping
- • Identificação da comissura A-Sep como alvo primário
- • Avaliação de calcificação por TC (não echo)
Acesso
Acesso Atrial
Orientação
Grasping
Avaliação
- Sizing por TC: Medição do plano anular ortogonal em diástole. Diâmetros disponíveis: 44, 48 e 52 mm. Oversizing de 10–15% é recomendado para garantir fixação estável pelo anel (que frequentemente não é calcificado — diferente da estenose aórtica).
- Acesso femoral bilateral 28F: Uma bainha para o sistema de entrega, outra para cateter diagnóstico de controle. Acesso sob guia de ultrassom vascular.
- Posicionamento sob ETE + fluoroscopia: A valva é avançada ao AD, orientada em relação ao anel e ao septo, com as 9 âncoras de nitinol posicionadas no miocárdio do VD antes da expansão total.
- Expansão e liberação: O frame é expandido progressivamente — avaliação de resultado por ETE (Doppler color) após cada passo. Possibilidade de reposicionamento parcial antes da liberação definitiva. Confirmar ausência de PI paravalvar significativa e ausência de impacto nas estruturas adjacentes (folheto da mitral, seio coronariano).
- Avaliação de eletrodo de CIED: 38,2% dos pacientes no TRISCEND II tinham eletrodo pré-existente. O eletrodo é jailed dentro do frame — avaliar integridade do eletrodo e função do marcapasso pós-implante. Monitorar por bloqueio AV pós-procedimento.
Scotti et al. (EuroIntervention 2022) realizaram meta-análise de 35 estudos (5.316 pacientes) e demonstraram que a mortalidade operatória da cirurgia TV isolada permaneceu em 9–12% nas últimas décadas, sem melhora substancial no tempo. A morbidade inclui: lesão renal aguda (15–19%), sangramento grave (7–12%), marcapasso permanente (10–14%), e ventilação mecânica prolongada (15–20%). [32]
| Desfecho | TTVI Percutâneo | Reparo Cirúrgico | Substituição Cirúrgica |
|---|---|---|---|
| Mortalidade hospitalar | 2,4% | 7,0% | 11,6% |
| Mortalidade 30 dias (TVT Registry) | 3,0–3,9% | 7–12% | |
| Mortalidade 1 ano | 18–19% | 25–30% | |
| Sangramento grave | TTVR: 15,4% · TEER: <5% | 7–12% | |
| Marcapasso permanente | TTVR: 17,4% · TEER: <3% | 10–14% | |
| Lesão renal aguda | <5% | 15–19% | |
| Tempo de recuperação | 2–5 dias hospitalização | 7–14 dias + reabilitação | |
| Redução da IT a ≤ leve | TTVR: >95% · TEER: 87% ≤ mod | 80–90% imediato; recorrência em 30–40% a 5 anos | |
| Melhora KCCQ | TEER: +12 pts · TTVR: +18–21 pts | ~15–20 pts (estimado; poucos dados prospectivos) | |
- TEER 2 anos (TRILUMINATE Transatlantic): IT ≤ moderada em 60% aos 2 anos; 75% com pelo menos 1 grau de redução mantido. Redução de 75% na taxa de hospitalização por IC (0,56 → 0,14 eventos/paciente-ano). Sem deterioração estrutural documentada. [38]
- TEER 3 anos (dados ACC 2025): A redução da IT obtida ao 1 ano é mantida através de 3 anos em análises preliminares, com taxa de hospitalização por IC persistentemente reduzida. [2]
- TTVR curto prazo: Sem falha estrutural do dispositivo ou embolização em até 2 anos de seguimento disponível. A durabilidade de longo prazo é desconhecida — analogia com TAVR sugere que dados de 5–10 anos serão críticos para definir necessidade de valve-in-valve.
- Bioprótese cirúrgica: Tempo médio para disfunção estrutural requerendo valve-in-valve: 12 anos (variação 3–32 anos); taxa de DVE 2–3%/ano. Durabilidade superior no longo prazo (se paciente sobreviver), mas às custas do risco inicial da cirurgia. [39]
Taramasso et al. (JACC Cardiovasc Interv 2020, TriValve Registry) analisaram 312 pacientes submetidos a TTVI, dos quais 21% tinham eletrodo de CIED intracardíaco. Resultados: [40]
1. Avaliar dependência de marcapasso: Paciente dependente (BAVT, FA com BAV) → alternativas de estimulação pré-extração (leadless, epicárdico, ramo do feixe/fascicular) se eletrodo deve ser removido.
2. TEER: Eletrodo pode ser deixado in situ; device posicionado com atenção à relação com o eletrodo (evitar "aprisionamento"). Risco de disfunção do eletrodo é baixo em mãos experientes.
3. TTVR: Eletrodo será inevitavelmente jailed; extração futura impossível. Se paciente tem alta probabilidade de necessitar troca de eletrodo (gerador com bateria em fim de vida <2 anos, lead disfuncionante) → extrair antes do TTVR. [12,41,42]
| Complicação | Frequência | Manejo |
|---|---|---|
| Estenose tricúspide iatrogênica | 5–10% (clínica), >20% leve por Doppler | Gradiente >5 mmHg = parar; evitar 3+ clipes; área valvar mínima aceitável ~1,0 cm² (PHT) |
| IT residual ≥ moderada | 13–20% | Segundo clipe se anatomia permite; aceitação ou planejamento de TTVR posterior |
| Falha de grasping / clipe não retido | 10–15% | Reposicionamento; second clip; em casos raros, retirada e abordagem cirúrgica posterior |
| Desacoplamento / embolização do clipe | <1% | Captura percutânea com laço ou cirurgia; requer monitorização fluoroscópica pós-alta |
| Lesão do eletrodo de CIED | <3% | Avaliação de limiar/impedância/sensing intra e pós-procedimento; substituição eletiva |
| Tamponamento / perfuração cardíaca | <1% | Pericardiocentese imediata; cirurgia raramente necessária |
| Complicações vasculares de acesso | 2–5% | Compressão, sutura percutânea, raramente cirurgia vascular |
| Fibrilação atrial nova ou piora | 5–10% | Anticoagulação, controle de ritmo/frequência; não específica do TEER |
| Falha de captura (folheto septal) | 10–20% em séries iniciais | Reposicionamento; PASCAL oferece menor restrição neste cenário pelo braço independente |
| Complicação | Frequência (TRISCEND II) | Considerações Clínicas |
|---|---|---|
| Sangramento grave / muito grave | 15,4% vs. 5,3% (controle) | Relacionado ao acesso 28F bilateral e anticoagulação intensa; transfusão, raramente cirurgia |
| Necessidade de marcapasso permanente | 17,4% vs. 2,3% | Relacionado à posição das âncoras septais perto do nó AV / feixe de His; monitorar ECG ≥5 dias |
| Regurgitação paravalvar | 5–10% leve; <3% moderada | Avaliada por ETE intraprocedimento; geralmente clinicamente tolerada se ≤ leve; sem técnica estabelecida de correção percutânea na posição tricúspide |
| Mismatch dispositivo-anel | Raro (<2%) | Anel muito pequeno (<36 mm) ou muito grande (>52 mm) fora do range disponível; sizing por TC é mandatório |
| Interferência com valva mitral / seio coronariano | Raro (<2%) | Frame EVOQUE pode comprimir seio coronariano ou folheto posterior da mitral — avaliar por TC pré e ETE intraprocedimento |
| Obstrução de TSVD | Raro | Frame pode aproximar-se do septo interventricular em VDs muito dilatados; avaliar dimensões pré-TC |
| Embolização do dispositivo | <1% | Extremamente raro com EVOQUE; âncoras garantem fixação robusta; cirurgia de resgate necessária |
| BAVT / Bloqueio de ramo | Incluído na taxa de PM; ~5–8% novos BRCE | Monitorização ECG extendida; limiar para implante profilático de MP temporário pré-procedimento em centros experientes |
| Trombose de válvula | Não reportada no TRISCEND (seguimento curto) | Anticoagulação com varfarina recomendada por pelo menos 3–6 meses (dado incerteza de longo prazo) |
A anatomia da valva tricúspide e a complexidade do acesso trans-atrial direito conferem ao TEER tricúspide uma curva de aprendizado mais íngreme que o TEER mitral:
- TEER mitral → TEER tricúspide: Operadores experientes em TriClip mitral necessitam de ~20–30 casos supervisionados para alcançar desempenho plateau no TEER tricúspide — a orientação do dispositivo e as vistas ecográficas são significativamente diferentes
- TTVR: Curva ainda maior; inicialmente restrito a centros de excelência com volume mínimo recomendado (ACC 2025: ≥25 TAVR/ano como proxy de competência institucional em TTVR)
- Ecocardiografista intervencionista: O ACC enfatiza que a qualidade do guia ecocardiográfico é determinante crítico do sucesso técnico — o ecocardiografista deve ter treinamento específico em anatomia tricúspide e em procedimentos de TEER/TTVR
- Impacto do volume: Centros com >20 procedimentos tricúspides/ano demonstram taxas de sucesso de grasping 15–20% superiores e tempos de procedimento 30–40% menores em comparação com centros de baixo volume (dados de registros europeus)
- 1Transcatheter Tricuspid Valve Interventions for Tricuspid Regurgitation: A Review of Percutaneous Annuloplasty, Edge-to-Edge Repair, and Valve Replacement Devices
- 210 Issues for the Clinician in Tricuspid Regurgitation Evaluation and Management: 2025 ACC Expert Consensus Decision Pathway
- 3The Tricuspid Valve: A Review of Pathology, Imaging, and Current Treatment Options: A Scientific Statement From the American Heart Association
- 4Tricuspid Valve Academic Research Consortium Definitions for Tricuspid Regurgitation and Trial Endpoints
- 5Tricuspid Regurgitation [Review Article]
- 62020 ACC/AHA Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease
- 7Anatomy and Physiology of the Tricuspid Valve
- 8Guidelines for the Echocardiographic Assessment of the Right Heart in Adults and Special Considerations in Pulmonary Hypertension
- 11Atrial Secondary Tricuspid Regurgitation: Pathophysiology, Definition, Diagnosis, and Treatment
- 12The Two-Device Problem: A Comprehensive Framework for Managing Transvalvular CIED Leads in the Era of Transcatheter Tricuspid Intervention
- 14ACC/AHA and ESC/EACTS Guidelines For the Management of Valvular Heart Diseases: JACC Guideline Comparison
- 15A Contemporary Look at the Landscape of Treatment of Tricuspid Regurgitation
- 17Valvular Heart Disease: From Mechanisms to Management
- 18Applying the TRILUMINATE Eligibility Criteria to Real-World Patients Receiving Tricuspid Valve Transcatheter Edge-to-Edge Repair
- 19Causes and Clinical Outcomes of Patients Who Failed Screening for Transcatheter Tricuspid Valve Interventions
- 20Imaging for Tricuspid Valve Repair and Replacement
- 25Transcatheter Valve Replacement in Severe Tricuspid Regurgitation (TRISCEND II Pivotal Trial)
- 27Transcatheter Edge-to-Edge Repair for Severe Isolated Tricuspid Regurgitation: The Tri.Fr Randomized Clinical Trial
- 28Transcatheter Repair for Patients with Tricuspid Regurgitation (TRILUMINATE Pivotal)
- 30Tricuspid Regurgitation: From Imaging to Clinical Trials to Resolving the Unmet Need for Treatment
- 31Isolated Tricuspid Valve Surgery: Impact of Aetiology and Clinical Presentation on Outcomes (TRI-SCORE)
- 32Outcomes of Isolated Tricuspid Valve Replacement: A Systematic Review and Meta-Analysis of 5,316 Patients From 35 Studies
- 34Inpatient Tricuspid Valve Transcatheter and Surgical Inpatient Outcomes: A Propensity Matched Analysis
- 35Early Outcomes of Off-Label Transcatheter Tricuspid Valve Repair/Replacement in the STS/ACC TVT Registry
- 36Quality of Life After Transcatheter Tricuspid Valve Replacement: 1-Year Results From TRISCEND II Pivotal Trial
- 37Transfemoral Tricuspid Valve Replacement and One-Year Outcomes: The TRISCEND Study
- 38Two-Year Outcomes for Tricuspid Repair With a Transcatheter Edge-to-Edge Valve Repair From the Transatlantic TRILUMINATE Trial
- 40Outcomes of TTVI in Patients With Pacemaker or Defibrillator Leads: Data From the TriValve Registry
- 41Management of Patients With Transvalvular Right Ventricular Leads Undergoing Transcatheter Tricuspid Valve Interventions: ESC/EHRA Scientific Statement
- 42Managing Implanted Cardiac Electronic Devices in Patients With Severe Tricuspid Regurgitation: JACC State-of-the-Art Review