Intervenção Estrutural · Medicina Baseada em Evidências

Implante Transcateter de Válvula Aórtica

Da fisiopatologia da estenose aórtica calcificada às evidências de longo prazo. Guia de referência para cardiologistas intervencionistas: indicações, próteses, sizing, técnica passo a passo, eco intraoperatório, complicações, VAB, TAVI-in-TAVI e comparação com cirurgia.

PARTNER 3 NOTION DEDICATE SAPIEN 3 Evolut PRO+ BASILICA ACC/AHA 2020 ESC/EACTS 2021 TAVI-in-TAVI
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Fisiopatologia da Estenose Aórtica Calcificada
Doença ativa, progressiva — não degenerativa passiva

A estenose aórtica calcificada (EAc) é uma doença ativa mediada por lipídios, inflamação e mineralização — com mecanismos que guardam semelhanças com a aterosclerose coronária, mas distintos em aspectos cruciais. A lesão inicial consiste no acúmulo subendotelial de lipoproteínas contendo apolipoproteína B — principalmente LDL e lipoproteína(a) [Lp(a)] — nas cúspides valvares. A Lp(a) carrega fosfolípidos oxidados que promovem calcificação local de forma independente dos níveis de LDL-C, explicando por que estatinas não reduzem a progressão de EA já estabelecida e por que o silenciamento de Lp(a) com RNA interferente (pelacarsen, zerlasiran) é investigado como estratégia preventiva.[1,2]

A oxidação dos lipídios acumulados recruta macrófagos e linfócitos T para a cúspide, com ativação de TNF-α, IL-6 e NF-κB, e upregulation de metaloproteinases de matriz (MMP-2, MMP-9) que degradam a arquitetura colágena. Simultaneamente, células intersticiais valvares (VIC) normalmente fibroblasto-like sofrem trans-diferenciação osteoblástica, em processo dependente da supressão do gene Notch1 (perda de função do Notch1 é identificada em formas precoces e hereditárias de EAc), com ativação dos fatores de transcrição Runx2 e Osterix. O resultado é deposição de fosfato de cálcio estruturado (hidroxiapatita) nas cúspides, com espessamento progressivo, rigidez e obstrução do VSVE.[1,2,3]

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A progressão hemodinâmica média é de ≈0,1 cm²/ano na área valvar e ≈0,3 m/s/ano na velocidade de jato doppler — mas com ampla variabilidade interindividual. EA muito grave (Vmáx >5 m/s, área <0,6 cm²) tem taxa de eventos cardíacos >50%/2 anos sem intervenção.[3]

A obstrução fixa ao fluxo impõe sobrecarga crônica de pressão ao ventrículo esquerdo (VE). A resposta adaptativa inicial é a hipertrofia concêntrica — replicação de sarcômeros em paralelo que reduz o estresse parietal segundo a Lei de Laplace e mantém o débito cardíaco. Essa adaptação é inicialmente benéfica, mas torna-se maladaptativa com a progressão da doença.[3,4]

Com o tempo, desenvolvem-se duas formas distintas de fibrose miocárdica com implicações prognósticas e responsividade à intervenção completamente diferentes:[4,5,6]

🔄 Fibrose Intersticial Difusa

  • Expansão da matriz extracelular entre cardiomiócitos
  • Detectável por CMR-T1 mapping (ECV elevado)
  • Potencialmente reversível após substituição valvar
  • Contribui para disfunção diastólica e rigidez ventricular
  • GLS reduzido mesmo com FEVE preservada

❌ Fibrose Focal de Substituição

  • Necrose e substituição de cardiomiócitos por colágeno
  • Detectável por CMR-LGE (late gadolinium enhancement)
  • Irreversível — não regride após intervenção valvar
  • Preditor independente de mortalidade e IC pós-AVR
  • Presente em 30-40% dos pacientes com EA grave
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Janela de oportunidade: a fibrose focal por LGE é independentemente associada ao dobro da mortalidade pós-AVR (HR ~2.0) e pode estar presente mesmo em pacientes assintomáticos. Isso reforça a investigação de CMR antes da intervenção em casos selecionados e o argumento para intervenção antes do desenvolvimento de fibrose irreversível.[4,7]

A sobrecarga pressórica e a hipertrofia resultante comprometem a perfusão microvascular coronária (redução da reserva de fluxo coronário por compressão dos capilares intra-murais e aumento da demanda), levam à apoptose de miócitos, disfunção diastólica por lentificação do relaxamento, dilatação do átrio esquerdo e, em estágios avançados, à disfunção sistólica. As consequências a montante incluem dilatação do AE, fibrilação atrial, hipertensão pulmonar e regurgitação mitral funcional secundária ao remodelamento do VE.[5,7]

A detecção precoce de disfunção subclínica é fundamental para otimizar o timing da intervenção antes do surgimento de fibrose irreversível. As principais ferramentas são:[5,7]

GLS
Strain Global Longitudinal — redução precede queda da FEVE; limiar de corte ≤−18%
LGE
Late Gadolinium Enhancement em CMR — fibrose focal, preditor independente de mortalidade
ECV
Fração de Volume Extracelular por T1 mapping — fibrose difusa, reversível após AVR
BNP
NT-proBNP elevado em assintomáticos associa-se a maior mortalidade e é critério de intervenção
EA de Baixo Fluxo, Baixo Gradiente com FEVE Reduzida (Classical Low-Flow)
AVA <1 cm², gradiente médio <40 mmHg, FEVE <50%, índice de volume sistólico <35 mL/m². O baixo gradiente reflete tanto a obstrução severa quanto a disfunção miocárdica. A EA verdadeira é confirmada pelo aumento do AVA com dobutamina (reserva de fluxo positiva). Mortalidade operatória elevada, mas benefício da intervenção em relação ao tratamento clínico demonstrado. Escore de cálcio valvar por TC pode confirmar gravidade real (homens >2000 AU, mulheres >1200 AU = EA severa).
EA de Baixo Fluxo, Baixo Gradiente com FEVE Preservada (Paradoxical Low-Flow)
AVA <1 cm², gradiente médio <40 mmHg, FEVE ≥50%, mas índice de volume sistólico <35 mL/m². Causas: VE pequeno e concentricamente hipertrófico, hipertensão descontrolada, obesidade, erros de medida por planimetria. Prognóstico pior que EA de alto gradiente. Escore de cálcio e cateterismo cardíaco para confirmação. Benefício da intervenção bem estabelecido por registros e meta-análises.
EA Moderada com IC de Fração de Ejeção Reduzida
O estudo AVATAR randomizou pacientes com EA moderada (AVA 1,0–1,5 cm²) e FEVE <60% assintomáticos para intervenção precoce versus tratamento conservador. Houve redução significativa do desfecho primário (morte, IAM, internação por IC, AVC) com intervenção precoce (HR 0.46, p=0.02). Em construção também o RECOVERY II. A EA moderada com ICFEr pode se beneficiar de intervenção valvar — decisão em Heart Team.
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Indicações Baseadas em Diretrizes e Estratificação de Risco
ACC/AHA 2020 · ESC/EACTS 2021 · Heart Team obrigatório
≤1,0
cm² — Área valvar aórtica (AVA)
≥4,0
m/s — Velocidade de jato (Vmáx)
≥40
mmHg — Gradiente médio transprosthético
≤0,6
cm²/m² — AVA indexada (EA muito grave: ≥5 m/s)
Tríade sintomática clássica (Apresentação de Heberden): angina de esforço → síncope de esforço → dispneia/IC. A presença de qualquer sintoma em EA grave é indicação Classe I para intervenção. A sobrevivência mediana sem intervenção após o início de sintomas é de 2-3 anos para IC, 3 anos para síncope e 5 anos para angina.[3]

Perfil Critério Recomendação Classe / Nível
Risco proibitivo/muito alto STS-PROM >15% ou contraindicação cirúrgica TAVI (se anatomia adequada) I / A
Alto risco cirúrgico STS-PROM ou EuroSCORE II >8% TAVI preferida (todas as idades) I / A
≥75 anos (qualquer risco) Anatomia transfemoral favorável TAVI — preferida I / A
65–74 anos, risco baixo-int. Decisão individualizada pelo Heart Team TAVI ou SAVR — equiparáveis, individualizar IIa / B
<65 anos Risco baixo-intermediário, vida esperada >20 anos SAVR preferida (durabilidade, dados limitados para TAVI) I / C
Válvula bicúspide (VAB) EA grave sintomática; centro de excelência valvar TAVI pode ser alternativa à SAVR IIb / B-NR
Assintomática, EA muito grave Vmáx ≥5 m/s OU rápida progressão OU BNP >3× normal Intervenção precoce a considerar IIa / B
EA moderada + ICFEr AVA 1,0–1,5 cm², FEVE <50% Considerar intervenção valvar (dados emergentes) IIb / C

Os scores de risco são ferramentas auxiliares — jamais devem substituir a avaliação clínica integrada pelo Heart Team. Todos têm limitações conhecidas: foram derivados de populações cirúrgicas, não capturam fragilidade, DPOC grave, rede de apoio social, aortapatia ou anatomia coronária.[8,10]

STS-PROM

  • Society of Thoracic Surgeons Predicted Risk of Mortality
  • Padrão norte-americano, disponível em riskcalc.sts.org
  • Baixo <4%, intermediário 4–8%, alto >8%
  • Não inclui fragilidade, DPOC grave, porcelain aorta

EuroSCORE II

  • European System for Cardiac Operative Risk Evaluation II
  • Padrão europeu, disponível em euroscore.org
  • Tende a subestimar risco em idosos e a superestimá-lo em alguns subgrupos
  • Alto risco definido >8% pelo ESC/EACTS
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Heart Team — Requisito Mandatório A discussão multidisciplinar entre cardiologista intervencionista, cirurgião cardiovascular, cardiologista clínico, ecocardiografista e, quando necessário, geriatra e fisioterapeuta é recomendação Classe I pelas diretrizes ACC/AHA e ESC/EACTS. A decisão deve integrar anatomia valvar e vascular, comorbidades, fragilidade, preferências do paciente e expectativa de vida estimada — incluindo planejamento de futuras intervenções (coronárias, TAVI-in-TAVI).[8,10,11]

Contraindicações Absolutas
  • Expectativa de vida estimada <1 ano (neoplasia avançada, demência grave, fragilidade terminal)
  • Ausência de melhora esperada da qualidade de vida após intervenção (comorbidade extracardíaca grave)
  • Endocardite infecciosa ativa na válvula nativa ou em prótese
  • Trombo intracardíaco não tratado
  • Annulo <17 mm (nenhuma prótese disponível) ou >30 mm (apenas grandes SEV, mas risco de migração)
  • Ausência de acesso vascular adequado E ausência de acesso alternativo factível
Contraindicações Relativas / Fatores de Risco Anatômicos
  • Altura de óstio coronário <6 mm com seio de Valsalva estreito (risco de obstrução coronária)
  • Calcificação severa do VSVE e do annulo (risco de ruptura anular, bloqueio de condução)
  • Angulação aórtica extrema (>70° VSVE-aorta) — dificuldade de posicionamento e cruzamento
  • Aorta bicúspide tipo 0 com calcificação assimétrica severa
  • Dilatação grave da aorta ascendente (>55 mm) — considerar correção cirúrgica simultânea
  • Doença vascular periférica severa impedindo acesso transfemoral E sem alternativa
  • Insuficiência aórtica pura grave sem calcificação significativa — risco de migração (dispositivos específicos existem: JenaValve)
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Válvulas Cardíacas Transcateter — Design, Seleção e Comparação
BEV · SEV · MEV — Princípios de escolha e implicações clínicas

As BEVs são expandidas por inflação de balão e não são reposicionáveis uma vez iniciado o deployment. O frame de liga cobalto-cromo (CC) oferece alta força radial e geometria circular previsível. Os folhetos de pericárdio bovino são posicionados intra-anularmente, com a saia de vedação externa (outer sealing skirt) minimizando o refluxo paravalvar. A característica definitória das BEVs é o perfil de frame baixo e a previsibilidade do deployment, o que facilita significativamente o acesso coronário futuro — crítico em candidatos a TAVI mais jovens.[12,14]

Edwards Lifesciences · BEV
SAPIEN 3 / Ultra / Ultra RESILIA
FrameCobalto-cromo, perfil baixo
FolhetoPericárdio bovino (RESILIA na nova geração)
Posição folhetoIntra-anular
Tamanhos20 / 23 / 26 / 29 mm
Sheath14F (eSheath expandível) → 16F
PVL moderado/grave~2,1% (OBSERVANT II)
MPP8–13%
ReposicionávelNão
Meril Lifesciences · BEV
Myval Series (Myval / THV+ / Octacor)
FrameCobalto-cromo, geometria octagonal
FolhetoPericárdio bovino
Posição folhetoIntra-anular
Tamanhos23 / 25 / 27 / 29 mm + intermediate sizes
PVL mod/graveNão-inferior ao SAPIEN 3 (LANDMARK 2024)
MPPDados semelhantes a BEV
DiferencialSizes intermediárias reduzem mismatch

Fabricadas em nitinol com memória de forma, as SEVs expandem espontaneamente ao serem liberadas do sistema de entrega. São recapturáveis e reposicionáveis, oferecendo maior margem de ajuste de posicionamento. O posicionamento supra-anular dos folhetos resulta em maior área de orifício efetivo (EOA) e menores gradientes, especialmente benéficos em annuli pequenos (síndromes de paciente-prótese [PPM]). O preço é a maior taxa de MPP (pelo maior contato com o septo membranoso e o feixe de His) e frames mais altos que complicam o acesso coronário futuro.[12,15,16]

Medtronic · SEV
Evolut R / PRO / PRO+
FrameNitinol, supra-anular
FolhetoPericárdio porcino, supra-anular
Tamanhos23 / 26 / 29 / 34 mm
Sheath14F (R/PRO) → 16F (34mm PRO+)
PVL mod/graveEvolut R: 5,0%; PRO: 10,1%
MPP19–22% (R) → PRO+ reduz ligeiramente
Outer wrapPRO/PRO+ — pericárdio externo para ↓PVL
ReposicionávelSim — até 80% de liberação
Boston Scientific · SEV
ACURATE neo2
FrameNitinol, dupla coroa (top-down delivery)
FolhetoPericárdio porcino, supra-anular
TamanhosS / M / L (annulo 21–27mm)
PVL mod/graveneo: 13,1%; neo2 com PVS: ↓significativa
MPP~10–15% (neo2 menor que neo)
DiferencialAuto-alinhamento comissural, acesso coronário preservado em certos cenários
Abbott · SEV
Portico (+ FlexNav)
FrameNitinol, amplas células abertas
FolhetoPericárdio bovino, supra-anular
Tamanhos23 / 25 / 27 / 29 mm
PVL mod/grave~10,8% (OBSERVANT II)
DiferencialTotalmente reposicionável e recapturável, células abertas largas → acesso coronário

Parâmetro BEV (SAPIEN 3) SEV (Evolut PRO+) Favorece
PVL moderado/grave~2%~5–10%BEV
MPP8–13%19–22%BEV
Gradiente médio pós-implante10–15 mmHg7–12 mmHgSEV
EOA (área de orifício efetivo)MenorMaior (supra-anular)SEV
Annuli pequenos (<23 mm)PPM frequenteVantajosoSEV
Acesso coronário futuroMais fácil (frame baixo)Mais difícil (frame alto)BEV
ReposicionamentoNãoSimSEV
TAVI-in-TAVI-in-TAVI futuraMais planejávelAcesso coronário muito limitadoBEV
Annulo elíptico / VABMelhor aposição por força radialRisco de PVL aumentadoBEV
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COMPARE-TAVI 1 (Lancet 2025): SAPIEN 3 Ultra RESILIA vs Myval — o SAPIEN 3 Ultra RESILIA demonstrou EOA superior e menores taxas de regurgitação aórtica moderada ou grave. O registro GARY (2024) confirmou SAPIEN 3 com menor PVL ≥ grau II (1,2%) versus todos os concorrentes. OBSERVANT II (n=3.028) é o maior estudo de comparação contemporânea direta entre 5 próteses.[9,16,17,18]

A tecnologia RESILIA (Edwards) utiliza fixação do pericárdio bovino com glutaraldeído em estado de zero-pressure com quelação do cálcio pelo reagente EDC — diferentemente do tratamento clássico de alta pressão. Estudos ex vivo demonstram redução de calcificação acelerada e maior resistência à fadiga in vitro. Dados clínicos de curto prazo (COMMENCE trial) mostram excelente performance hemodinâmica; dados de durabilidade de longo prazo para pericárdio RESILIA ainda em seguimento em TAVI (PARTNER 3 RESILIA em andamento).[9,18]

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Sizing, Tomografia Computadorizada e Proteção Coronária
CTA — padrão ouro para planejamento anatômico do TAVI

A tomografia computadorizada com angiografia (CTA) cardíaca é o padrão ouro para o planejamento anatômico do TAVI, superando o ecocardiograma na caracterização precisa do annulo, das estruturas periannulares e do acesso vascular. A aquisição deve ser retrospectivamente gated (melhor qualidade temporal) ou prospectivamente triggered (menor dose de radiação). A fase de análise é a sístole (tipicamente 25–35% do ciclo RR), que corresponde à máxima abertura valvar e ao maior diâmetro anular funcional — subestimar o annulo em diástole leva a undersizing e PVL.[13,19]

Parâmetros Técnicos da CTA
  • Cobertura: da carina até a bifurcação aórtica (+ artérias ilíacas femorais para avaliação de acesso)
  • Contraste: protocolo bifásico — concentração alta (370–400 mgI/mL), 80–100 mL IV + flush
  • Colimação: ≤0,6 mm (isotropic reconstruction para multiplanar reformatted)
  • Gatilho: ROI na aorta ascendente ou VE, threshold 100–150 HU
  • Reconstrução: MPR curvilíneo e duplo-oblíquo ao nível do annulo. Software dedicado: 3mensio, Medis, Philips IntelliSpace
  • Contraindicações relativas: ClCr <30 mL/min (CO2 angiography ou CTA sem gadolínio), alergia grave ao contraste (pre-medicação)

O plano de reconstrução deve ser posicionado no ponto de inserção das três cúspides valvares — chamado de anel virtual basal (VBA) ou simplesmente annulo. O plano é obtido traçando-se uma reta entre os nadir das três cúspides em visão sagital e coronal, depois corrigindo a obliquidade até visualizar o anel en face. As medidas necessárias são:[13,19]

MedidaTécnicaAplicação
Diâmetro médio (D médio)Média de D maior e D menorOrientação geral de tamanho
PerímetroTraçado manual sobre a borda interna do annuloPreferido para seleção de BEV (SAPIEN 3) — mais acurado para annuli elípticos
ÁreaCalculada pelo software após traçado do contornoPreferido para SEV (Evolut); D derivado da área = √(4A/π)
Diâmetro maior e menorEixos máximo e mínimoElipticidade: D maior / D menor >1,3 = alto risco de PVL e má aposição
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Oversizing: a seleção da prótese envolve grau controlado de oversizing em relação ao annulo — tipicamente 10–20% para BEV (baseado no perímetro) e 5–15% para SEV (baseado na área). Undersizing → PVL e migração. Oversizing excessivo → ruptura anular, distúrbios de condução. O mismatch anular (annulo >29 mm para SAPIEN 3) pode exigir SEV 34mm ou se for VAB achatado considerar 29 mm com leve undersizing + pós-dilatação seletiva.[13,19]

A oclusão coronária é uma complicação catastrófica, associada a mortalidade de 40–50% e conversão emergencial para cirurgia ou intervenção coronária (chimney stenting). A CTA deve medir a distância da base do annulo virtual ao centro do óstio coronário — a Coronary Height:[13,19,20]

>12
mm — Baixo risco de oclusão coronária
6–12
mm — Risco intermediário: considerar wiring profilático + chimney standby
<6
mm — Alto risco: BASILICA ou chimney stenting planejado
STJ
Junção sinotubular estreita: frame da prótese pode obstruir seio mesmo com óstio alto

Além da altura, o Basal-To-Width (BTW) — extensão do seio de Valsalva — é crítico: um seio estreito impede que os folhetos da prótese se afastem dos óstios. O parâmetro chamado "Virtual TAVI" ou simulação de implante pelo software (ex: 3mensio) projeta os folhetos da prótese em relação à anatomia coronária, permitindo identificar risco de oclusão antes do procedimento.

  • 1
    Wiring Coronário Profilático
    Fio guia posicionado em coronária de risco antes do deployment. Se houver obstrução, permite angioplastia imediata. Limitação: o fio e o cateter guia podem dificultar o alinhamento da prótese e podem não prevenir chimney standby coronária.
  • 2
    Chimney Stenting (Coronary Snorkel)
    Stent posicionado em paralelo com a prótese, com porção proximal protrudindo para a aorta acima da coronária. Indicado como resgate em oclusão aguda ou como técnica planejada de alta complexidade (chimney bilateral = "kissing chimneys"). Mortalidade operatória ainda elevada (~30%). Compromete o acesso coronário futuro.
  • 3
    BASILICA (Bioprosthetic or native Aortic Scallop Intentional Laceration to prevent Iatrogenic Coronary Artery obstruction)
    Laceração intencional do folheto da válvula nativa (ou bioprótese) na altura do óstio coronário com cateter de radiofrequência, criando uma abertura que permite o fluxo coronário mesmo após a prótese transcateter deslocar o folheto. Técnica pre-procedimento em laboratório hemodinâmica ou hemodinâmica híbrida. Taxa de sucesso técnico >90%, redução significativa de oclusão coronária. Indicado quando LVEF >20%, coronary height <10mm + seio estreito. O BASILICA bilateral simultâneo é possível. Recurso crítico para TAVI-in-TAVI com risco de coronária.[20]

O estudo RE-ACCESS (JACC CI 2022) demonstrou que a reintubação coronária seletiva após TAVI foi impossível em 7,7% dos casos, com SEV supra-anuares, profundidade de implante excessiva e oversizing em relação ao seio de Valsalva como preditores independentes de falha de acesso. O alinhamento comissural — posicionamento das comissuras da prótese em correspondência com os óstios coronários — é recomendado pelo ALIGN-TAVR Consortium como medida para preservar o acesso coronário futuro, especialmente em pacientes jovens que necessitarão de coronariografia ao longo da vida.[14,21]

🎯
Alinhamento comissural na prática: Para o SAPIEN 3, o comando de rotação do sistema de entrega (Commander) permite ajuste preciso. Para o Evolut, o pino de retenção indica a posição de uma comissura. A CTA pré-operatória define o ângulo do corno de projeção ideal para fluoroscopia. O alinhamento perfeito (desalinhamento <10°) é alcançado em >80% dos casos com técnica dedicada.[21]

O acesso femoral transfemoral é o padrão ouro por sua menor morbimortalidade. A CTA das ilíacas e femorais deve avaliar: diâmetro luminal mínimo, calcificação circunferencial, tortuosidade e angulação. O diâmetro mínimo requerido varia conforme o sistema de entrega (sheath) utilizado:

Sistema / PróteseSheathDiâmetro Mínimo FemoralObservação
SAPIEN 3 20/23/26mm14F eSheath XT≥5,0 mmSheath expandível reduz trauma
SAPIEN 3 29mm16F eSheath XT≥5,5 mm
Evolut R/PRO 23–29mm14F EnVeo≥5,0 mm
Evolut PRO+ 34mm16F EnVeo≥5,5 mm
Portico FlexNav14F≥5,0 mm
🩺
Calcificação circunferencial severa (grau 3–4) aumenta o risco de ruptura ilíaca e dissecção, mesmo com diâmetro adequado. A presença de calcificação na origem da femoral profunda é particularmente perigosa. Nesses casos, considerar acessos alternativos: subclávia/axilar esquerda, transcarotídeo, transcaval ou acesso cirúrgico (transapical, transaórtico).
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Técnica de Implantação — Passo a Passo no Laboratório de Hemodinâmica
Abordagem transfemoral · SAPIEN 3 (BEV) e Evolut (SEV)
  • 1
    Profilaxia Antibiótica e Anestesia
    Cefazolina 1–2g IV 30–60 min antes do procedimento. Abordagem minimalist (sedação consciente + TTE) em casos de baixa complexidade anatômica e boa janela ecográfica. TEE com anestesia geral para anatomias complexas, VAB, emergências, janela acústica pobre e conversão de acesso. A tendência nos centros experientes é sedação moderada, com redução de tempo de UTI e complicações pulmonares.
  • 2
    Acesso Vascular e Hemostasia
    Punção femoral bilateral guiada por ultrassom (parede anterior da AFC acima da bifurcação) + acesso arterial radial ou braquial para cateter pigtail. Técnica de pré-fechamento (ProGlide × 2 em 10h e 2h, ou MANTA 18F) antes da inserção do introdutor de grande calibre. O uso de dispositivo MANTA (14F ou 18F) tem mostrado equivalência ao ProGlide com menor sangramento em alguns registros. Alternativamente: acesso cirúrgico com exposição da femoral comum (em casos de calcificação severa ou acesso altamente tortuoso).
  • 3
    Anticoagulação
    Heparina não fracionada (HNF): 70–100 UI/kg IV após inserção do introdutor. ACT alvo >300 s (alguns protocolos utilizam >250 s para sedação consciente). Monitorar ACT a cada 30–40 min. Protamina ao final para reversão (especialmente em acessos com risco hemorrágico). Bivalirudina é alternativa, especialmente em trombocitopenia induzida por heparina.

  • 4
    Definição da Projeção de Trabalho (Implant Angulation)
    Angiografia aórtica com cateter pigtail em Ao ascendente, posicionado à altura das cúspides. Ajuste do angulamento do arco fluoroscópico para obter visualização perpendicular do plano do annulo: alinhamento das cúspides em 3-cusp view (todas as três cúspides no mesmo plano, duas sobrepostas). Tipicamente entre 20–25° RAO + 15–20° caudal (variável por anatomia aórtica). Importação do ângulo ideal a partir da CTA pré-operatória pelo software de co-registro.
  • 5
    Cruzamento Retrógrado da Válvula Aórtica
    Cateter AL1 ou JR4 + fio-guia hidrofílico reto ou J-suave. O cruzamento é realizado pela cúspide não-coronariana (geralmente anterior direita) com movimentos de torque e avanço. Posição ideal: cateter e fio no interior do VE sem contato excessivo com a parede. Substituição por fio-guia diagnóstico J-0,035" e troca por cateter pigtail no VE para medida de gradiente transvalvar e ventriculografia.
  • 6
    Posicionamento do Fio-Guia de Suporte (Stiff Wire)
    Inserção do fio-guia rígido (Amplatz Extra-Stiff 0,035", Safari 2, ou Lunderquist). O loop é formado no ápice ou parede lateral do VE, criando uma curva suave que estabiliza o sistema de entrega sem risco de perfuração (evitar loop no VSVE). A posição do fio é crítica: tensão excessiva no ápice pode causar perfuração (hemopericárdio), posição muito superficial reduz suporte. A fio Lunderquist oferece maior rigidez mas é mais rígido no VE.

A valvuloplastia de balão pré-implante foi historicamente realizada rotineiramente. Com as próteses de terceira geração, múltiplos centros adotaram estratégia de implantação direta (sem BAV), especialmente para BEV. O estudo DIRECT TAVR demonstrou que a omissão da BAV com SAPIEN 3 não resultou em piora de PVL, gradientes ou MPP, com tendência a menor taxa de FA e menor tempo de procedimento. Para SEV (Evolut), a BAV ainda é comum para facilitar o cruzamento e o deployment inicial.

📌
Quando a BAV ainda é indicada: annulo muito calcificado com resistência ao cruzamento, VAB com rafe calcificada rígida (pré-dilatação para romper fusão da rafe), EA muito grave com VE dilatado e gradiente elevadíssimo dificultando o avanço do sistema, e em contexto de TAVI urgente/emergencial em paciente instável (bridge para deployment). O balão deve ter diâmetro igual ou discretamente menor que o annulo — nunca oversized.

🔵 BEV — SAPIEN 3 Ultra

  • Avança o sistema Commander sobre o fio-guia rígido
  • Posicionamento: 80% da prótese abaixo do plano do annulo (ventricular) e 20% supraanular em fluoroscopia
  • Estimulação ventricular rápida (VVI 180–200 bpm) via pace-maker temporário para reduzir o débito durante o deployment
  • Insuflação do balão em 5–7 s com seringa roscável
  • Deflação imediata após insuflação completa
  • Avaliação imediata por TEE/TTE e angiografia pigtail
  • Pós-dilatação seletiva com balão se PVL significativo

🟣 SEV — Evolut PRO+

  • Libera lentamente girando o mecanismo de torque do sistema Enveo
  • Posicionamento inicial: marcadores radiopacos do frame alinhados ao plano do annulo
  • Sem estimulação rápida para o deployment (gradual, controlado)
  • Recapturo possível até ~80% de liberação para ajuste
  • A coroa ventricular âncora primeiro; liberação completa depois do ajuste de posição
  • Avaliação por TEE e angiografia
  • Pós-dilatação com balão: mais comum que em BEV
Profundidade de implante (implant depth): para BEV — quanto mais profundo no LVOT, maior o risco de MPP e bloqueio de condução. Para SEV — a profundidade de implante >6 mm abaixo do annulo é o maior preditor de MPP. Monitoramento fluoroscópico e ecocardiográfico em tempo real da profundidade é crítico.

  • 7
    Avaliação Imediata Pós-Deployment
    Angiografia aórtica (pigtail na Ao ascendente, 40–50% de opacificação): avaliação de PVL (jet de contraste ao redor da prótese no LVOT), posição, abertura de folhetos, patência das coronárias. TEE/TTE: gradientes por Doppler contínuo e pulsado, PVL por Doppler de cor (EROA, vena contracta, holodiastólico nas ilíacas), função VE, pericárdio (excluir tamponamento), valva mitral. ECG: novo LBBB, BAV, mudanças de PR.
  • 8
    Manejo de PVL Agudo Significativo
    PVL moderado-grave imediato: 1) Post-dilatação com balão do mesmo diâmetro (ou discretamente maior) sob estimulação rápida — resolve em ~60% dos casos. 2) Valve-in-valve (segunda prótese) — para PVL não responsivo ou prótese malposicionada. 3) Avaliação de possível oclusão coronária, perfuração, ruptura anular (TC urgente ou angiografia).
  • 9
    Hemostasia Vascular e Encerramento
    Ativação dos sutures ProGlide ou deployment do MANTA vascular closure. Angiografia ilíaca/femoral final para confirmar ausência de extravasamento, dissecção ou obstrução. Compressão manual adicional se necessário. Heparina revertida com protamina (0,5–1 mg/100 UI de HNF) para femorais com calcificação severa. Remoção do marcapasso temporário em 24–48h após monitoramento de condução (exceto se BRE novo persistente ou episódios de BAV).

AcessoIndicaçãoVantagemLimitação
Subclávia / Axilar Esq.DVP femoral severa bilateralPercutâneo, baixo perfil, proximidade à aortaDissecção local, AVC ipsilateral, manejo difícil em obesos
TranscarotídeoDVP periférica grave; cirurgias préviasCurto trajeto, menor angulaçãoAVC ipsilateral, acesso cirúrgico obrigatório, contraindicado em placa carotídea grave
TranscavalSem acesso arterial adequadoCompletamente percutâneo; VCI → Ao abdominalTécnica complexa, riscos de fístula AV residual, disponível em poucos centros
TransapicalDVP periférica severa, anatomia desfavorávelAcesso direto ao ápice do VE, pré-dilatação sem estimulação rápidaToracotomia necessária, mortalidade maior, acesso coronário comprometido
TransaórticoAnastomoses femorais, DVP severaAcesso direto Ao ascendenteEsternotomia parcial; experiência limitada; restrito a centros selecionados
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Abordagem minimalist: o caminho em centros experientes A abordagem "minimalist TAVI" — sedação consciente moderada, TTE intraprocedimento, remoção do marcapasso temporário na mesa, deambulação em 6h e alta hospitalar em 24–48h — está associada a menor tempo de internação, menos complicações pulmonares e ausência de piora de desfechos em centros de alto volume. Requer protocolo rigoroso de seleção (anatomia simples, FEVE >40%, sem BAV, boa janela TTE).
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Ecocardiografia durante o TAVI
TEE 2D/3D · Abordagem minimalist com TTE · ASE 2023
📋 Pré-Procedimento: TTE e TEE Diagnóstico

A ecocardiografia transtorácica (TTE) confirma o diagnóstico de EA grave pelos critérios hemodinâmicos, avalia a função ventricular (FEVE, GLS), quantifica regurgitações concomitantes e identifica contraindicações ao TAVI (trombo no VE, miocardiopatia hipertrófica obstrutiva, IM grave). A ecocardiografia transesofágica (TEE) adiciona resolução superior na avaliação da morfologia valvar, e o TEE 3D é preferido para análise da anatomia em VAB. A medida do annulo por TEE 3D tem moderada correlação com CTA, mas a CTA permanece superior (menor variabilidade intraoperador, campo de visão mais amplo). [22,23,24]

  • Calcificação e morfologia das cúspides (incluindo fusão, rafe em VAB)
  • FEVE, disfunção diastólica, cargas de pressão no VE
  • Regurgitação mitral: primária vs funcional, gravidade
  • Hipertensão pulmonar (gradiente estimado VD-AD)
  • Exclusão de endocardite, trombo, mixoma
🎯 Intraoperatório: Guia em Tempo Real

O TEE intraoperatório guia o cruzamento valvar (cateter posicionado na cúspide adequada), monitora o fio-guia rígido no VE (evitar loop no VSVE — risco de perfuração), guia o posicionamento e deployment da prótese, e avalia imediatamente pós-implante.[23,24]

  • Profundidade de implante: distância da base do frame ao annulo (alvo 3–6 mm para SAPIEN 3)
  • Posicionamento do fio-guia: confirmar loop apical livre de tensão (sem "tenting" da parede)
  • Pré-dilatação: monitorar expansão do balão, detectar hemopericárdio imediato
  • Deployment: avaliação da abertura simétrica dos folhetos; supra ou infra-posicionamento
  • Pós-implante imediato: PVL (localização e graduação), gradiente, função VE, pericárdio
✅ Pós-Implante: Avaliação Estruturada de PVL

A avaliação de PVL pela ASE (Zoghbi et al., JASE 2019) requer abordagem multiparamétrica — nenhum parâmetro isolado é suficiente.[25,26]

  • Circunferência do jet: <10% = leve; 10–29% = moderado; ≥30% = grave
  • Vena contracta: <3 mm = leve; 3–6 mm = moderado; >6 mm = grave
  • Pressão meia-tempo: <500 ms = leve; 200–500 ms = moderado; <200 ms = grave
  • Fluxo diastólico reverso em Ao descendente: presente e holodiastólico = moderado/grave
  • TEE 3D: localização precisa (anterior, posterior, lateral) — guia pós-dilatação
  • Angiografia + Eco: integração dos dois métodos melhora a classificação

Janela / PlanoÂngulo (°)Aplicação Principal
Eixo longo da valva aórtica (LVOT view)120–150°Profundidade de implante, PVL, alinhamento LVOT-prótese
Eixo curto da aorta (SAX Ao)30–60°Morfologia valvar, morfologia do PVL (localização, circunferência)
4-câmaras transgástrico (deep TG)0–20°Cruzamento valvar, posição do fio-guia no VE
Eixo longo transgástrico90–120°LVOT e prótese em visão simultânea, gradiente por Doppler
3D en face da valva70–100° + 3DMorfologia da prótese, circunferência do PVL, alinhamento comissural
Ao descendente90°Fluxo diastólico reverso (confirmação PVL significativo)

Em centros de alto volume e anatomia favorável, o TTE substitui o TEE na maioria dos casos de abordagem minimalist. As janelas paraesternal longa, apical 5-câmaras e subcostal permitem avaliação adequada do posicionamento e PVL na maioria dos pacientes. As limitações são: janela acústica pobre (obesos, DPOC), dificuldade de avaliação 3D, menor resolução na visualização de pequenos jets de PVL. O TEE sempre deve estar disponível no laboratório para conversão imediata se necessário.

🎓
ASE 2023 — Competências Especiais em Eco Guiado de Cardiopatia Estrutural A American Society of Echocardiography (Little SH et al., JASE 2023) estabelece que o ecocardiografista intervencionista em procedimentos estruturais deve possuir nível de competência avançado, incluindo >150 procedimentos guiados (entre TAVI, TMVR, LAAO, correção de PFO/CIA, etc.), domínio de TEE 3D intraoperatório e integração com modalidades multimodais (CTA, CMR). A recomendação enfatiza que a presença de ecocardiografista treinado especificamente em intervenções estruturais melhora os desfechos e reduz complicações intraoperatórias.[24]

🚨
Sinal de alerta imediato: Derrame pericárdico novo de qualquer volume em paciente instável = tamponamento por perfuração cardíaca. Ação: pericardiocentese imediata + protamina + acionar cirurgia. O eco é o primeiro exame que detecta esta complicação — antes do colapso hemodinâmico.
⚠️
Embolização proximal: nova regurgitação mitral grave (prótese caiu no VE), impossibilidade de abertura dos folhetos (prótese migrou para a aorta). Em ambos os casos: contato imediato com cirurgia cardiovascular de emergência.
⚠️
Complicações do TAVI — Diagnóstico, Manejo e Prevenção
PVL · Condução · AVC · Oclusão coronária · Endocardite · Trombose

A PVL resulta da má aposição do frame da prótese ao annulo nativo — consequência de calcificação irregular que impede a expansão uniforme do stent, undersizing relativo, implantação excêntrica ou geometria não-circular do annulo (VAB). PVL de grau moderado ou grave é preditor independente de aumento de mortalidade (HR ~2,3), internação por IC e hemólise intravascular.[25,26,27,28,29]

1,2%
PVL ≥grau II: SAPIEN 3 (GARY 2024)
2,1%
PVL mod/grave: SAPIEN 3 (OBSERVANT II)
10,1%
PVL mod/grave: Evolut PRO (OBSERVANT II)
13,1%
PVL mod/grave: ACURATE neo (OBSERVANT II)
Manejo do PVL Agudo e Crônico
  • PVL leve: conduta expectante; monitoramento com eco seriado
  • PVL moderado imediato: pós-dilatação com balão (soluciona ~60% dos casos); localização guiada por TEE 3D
  • PVL grave imediato: valve-in-valve (segunda prótese); conversão cirúrgica se instabilidade
  • PVL crônico moderado/grave: oclusão percutânea com plug vascular (AVP II, Vascular Plug, Occlutech); redo-TAVI; cirurgia de retirada e substituição (raramente indicada)
  • Benefício prognóstico: redução para PVL leve ou ausente associa-se a melhora significativa de sobrevida em registros de seguimento (Landes EHJ 2023) [29]

O nó atrioventricular e o feixe de His passam pelo septo membranoso imediatamente abaixo e posterior ao ponto de inserção da cúspide coronariana direita. A compressão radial do frame da prótese sobre essa região anatômica — especialmente em implantes profundos no LVOT — é o principal mecanismo de distúrbio de condução pós-TAVI.[15,16,32]

ComplicaçãoBEV (SAPIEN 3)SEV (Evolut R)Preditor Principal
BRE novo15–20%25–40%Profundidade implante >6mm no LVOT
BAV completo / MPP8–13%19–22%BRE pré-existente, calcificação LVOT, SEV
BAV de 1º ou 2º grau novo5–10%10–20%PR basal >200ms, RBBB pré-existente
🫀
Protocolo de monitoramento pós-TAVI: telemetria por 24–72h para TODOS os pacientes. Holter de 14 dias se BRE novo pós-TAVI (risco de BAV tardio). TAVI PACE trial e outros dados suportam implante de MPP se BAV completo persistir por >24–48h ou BRE novo com PR >240ms + LBBB pós-TAVI. Considerar gravação com loop recorder subcutâneo (ILR) para pacientes de alto risco com BRE novo que não alcançam critério de MPP imediato. MPP persistente impacta negativamente a função VE em seguimento (síndrome de marcapasso por dessincronismo).

AVC é a complicação mais temida do TAVI, com incidência de 2–4% em 30 dias (maior nas primeiras 24h peri-procedimento). Os mecanismos incluem: embolização de cálcio fragmentado da válvula durante o cruzamento e deployment, tromboembolismo de fragmentos do aorta, embolização de ar e fibrina da prótese, e FA perioperatória. O risco é maior em VAB (OR 1,24 para AVC em 30 dias vs TAV).[45]

🛡️
Sentinel Embolic Protection Device (Claret Medical / BD): sistema de dupla cesta (tronco braquiocefálico + carótida esquerda) posicionado via via radial direita, capturando êmbolos antes de alcançar a circulação cerebral anterior. O estudo PROTECTED-TAVI (N=3.000) demonstrou redução absoluta de 4,3% em AVC disabilitante ou morte (p=0,02) versus controle. FDA aprovado; recomendado em pacientes de alto risco neurológico (VAB, calcificação severa, história de AVC prévia).

Incidência: 0,7–1,1% — mas associada a mortalidade de 40–50% e necessidade de conversão cirúrgica de emergência em até 20% dos casos. Ocorre quando os folhetos deslocados pela prótese se alinham ao óstio coronário e bloqueiam o fluxo. Mais comum na coronária esquerda (seio de Valsalva mais próximo ao annulo), em mulheres (seios menores) e em VAB (folhetos mais longos).[13,19,20]

🚨
Diagnóstico e manejo imediato: hipotensão + infradesnível de ST em parede anterior ou lateral DURANTE o deployment → suspeitar imediatamente de oclusão coronária → angiografia coronária urgente → angioplastia de resgate (balão + stent no óstio coronário). Se impossível: chimney stent. Cirurgia de emergência se instabilidade elétrica persistente e impossibilidade de revascularização percutânea.

Complicação rara (0,5–1%) mas catastrófica — mortalidade de 30–50%. Resulta de oversizing excessivo combinado a calcificação severa e rígida do annulo/LVOT. Três tipos: tipo 1 (apenas o annulo), tipo 2 (LVOT/septo interventricular), tipo 3 (estendendo-se à aorta). O diagnóstico é sugerido por colapso hemodinâmico imediato após o deployment e confirmado por eco (nova regurgitação mitral grave por perfuração septal, hemopericárdio) ou CTA emergencial.[19]

Prevenção e Manejo da Ruptura Anular
  • Prevenção: CTA detalhada da calcificação do LVOT, não oversizing além do recomendado em annuli calcificados, balão de pré-dilatação nunca maior que o annulo
  • Preditores em CTA: calcificação circunferencial severa do LVOT, presença de "calcium bar" no septo interventricular basal
  • Manejo: pericardiocentese imediata (se tamponamento), protamina, controle de pressão (vasoconstritor se hipotensão + manutenção FC), cirurgia cardiovascular de emergência. Em casos Tipo 1 sem tamponamento: watchful waiting com monitoramento rigoroso

A endocardite após TAVI (TAVI-IE) ocorre em 0,7–3,4% por paciente-ano, com pico de incidência nos primeiros 100 dias (2,59 eventos por 100 pessoas-ano). A bioprótese transcateter parece mais susceptível que a cirúrgica no período precoce, possivelmente pela manipulação intraoperatória, calcificação residual e menor endotelização inicial.[33,34,35]

ParâmetroDado
Agente mais comumEnterococcus spp. (25–30%) — DIFERENTE das próteses cirúrgicas (estreptococo)
2º agente mais comumStaphylococcus aureus (16–20%)
Mortalidade hospitalar~25–30%
Sobrevida em 1 ano~58%
Sobrevida em 5 anos~29%
Profilaxia recomendadaAmoxicilina/clavulanato (cobre enterococo — cefalosporinas NÃO cobrem enterococo)
💊
Profilaxia: o Enterococcus faecalis coloniza o trato gastrointestinal e urinário — procedimentos como cistoscopia, colonoscopia e tratamentos dentários são as portas de entrada mais comuns. A recomendação do ACC (Del Val JACC 2023) inclui profilaxia com amoxicilina/clavulanato ao invés da cefalosporina convencional para pacientes com TAVI submetidos a procedimentos de risco, e enfase na higiene dental rigorosa antes e após o procedimento.[37,38]

A trombose subclínica dos folhetos (Hypoattenuating Leaflet Thickening — HALT) é detectada por CTA em 10–40% dos pacientes pós-TAVI, com frequência muito maior que a apresentação clínica. O HALT leva a incremento nos gradientes médios (Subclinical Leaflet Thrombosis — SCLT) e é reversível com anticoagulação. Os ensaios GALILEO e ATLANTIS avaliaram estratégias antitrombóticas pós-TAVI:[13,39]

💊
Estratégia antitrombótica padrão pós-TAVI: aspirina 75–100 mg indefinidamente. Adição de clopidogrel (DAPT) por 3–6 meses é prática em muitos centros baseada em extrapolação, mas sem evidência robusta de benefício em AVC (POPULAR-TAVI). Anticoagulação com AVK ou NOAC é indicada em FA concomitante (não DAPT); warfarin ou apixabana baseada em ARISTOTLE. Se HALT por CTA sem gradiente elevado: anticoagulação com VKA ou NOAC por 3–6 meses resolve em >90% dos casos.

PPM ocorre quando a EOA da prótese implantada é pequena em relação à superfície corporal do paciente — resultando em gradientes residuais elevados (gradiente médio >20 mmHg = PPM severo). É mais frequente com BEV em annuli pequenos e em obesidade. O impacto clínico é controverso no curto prazo, mas PPM severo associa-se a pior remodelamento ventricular e possivelmente maior mortalidade em seguimento. SEVs supra-anuares (Evolut) oferecem maior EOA e menor risco de PPM — vantagem particularmente relevante para sexo feminino e baixa superfície corporal.

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Casos Especiais: Válvula Aórtica Bicúspide e TAVI-in-TAVI
VAB · Desafios técnicos · TAVI-in-TAVI · Planejamento de acesso coronário

A VAB é a malformação cardíaca congênita mais comum (0,5–2% da população), responsável por até 50% de todas as intervenções valvares aórticas em adultos jovens. A morfologia varia amplamente — da fusão de duas cúspides com ou sem rafe à presença de três cúspides desiguais — o que determina desafios técnicos muito distintos para o TAVI.[40,41,42,43,44]

ClassificaçãoMorfologiaPrevalênciaRelevância para TAVI
Sievers Tipo 0 (VAB pura)Apenas 2 cúspides, sem rafe~10%Anel elíptico marcado, maior risco de PVL — desafio máximo
Sievers Tipo 1-L1 rafe (fusão das cúspides coronarianas esquerda + direita)~68%Calcificação anterior/anterior-esquerda; obstrução coronária esquerda potencial
Sievers Tipo 1-R1 rafe (fusão coronariana direita + não-coronariana)~25%Calcificação anterior-direita; preferencial para muitos centros
Sievers Tipo 22 rafes (rarissímo)<1%Anatomia mais complexa; manejo caso a caso
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Desafios Técnicos Específicos da VAB (1) Annulo elíptico e assimétrico — índice de elipticidade frequentemente >1,3; BEVs com força radial elevada têm melhor aposição que SEVs. (2) Calcificação da rafe — a rafe calcificada impede a expansão uniforme da prótese, levando a frame oval ou triangular; pré-dilatação para romper a rafe pode ajudar. (3) Folhetos longos com maior risco de obstrução coronária. (4) Aortapatia associada — dilatação da raiz e/ou aorta ascendente; se >50 mm, considerar correção cirúrgica concomitante.[41,42,43]

Pacientes com VAB foram excluídos dos trials pivotais de TAVI. Os dados disponíveis são de registros e meta-análises:[40,41,42,45,46,47]

Meta-análise Saeed Al-Asad 2023 (Am J Cardiol) — 193.274 pacientes
  • Mortalidade 1 ano: menor em VAB vs TAV (OR 0,86; 95% CI 0,75–0,98; p=0,02)
  • AVC em 30 dias: maior em VAB vs TAV (OR 1,24; 95% CI 1,08–1,43; p<0,01)
  • MPP: semelhante entre grupos
  • PVL moderado/grave: tendência a maior em VAB
  • Taxa de conversão cirúrgica: maior em VAB
  • Sucesso do dispositivo com próteses de 3ª geração: >90%
NOTION-2 (EHJ 2024) — Único RCT incluindo VAB

Trial randomizado, pacientes ≤75 anos, baixo risco, incluiu 100 pacientes com VAB (20% da amostra). Resultados no subgrupo VAB:[46]

  • Composto (morte + AVC + reinternação) 1 ano: 14,3% TAVI vs 3,9% SAVR (HR 3,8; 95% CI 0,8–18,5; p=0,10)
  • Embora não significativo estatisticamente (amostra pequena), a magnitude da diferença é clinicamente alarmante
  • Conclusão: TAVI em VAB de baixo risco ≤75 anos deve ser realizado com grande cautela, idealmente em centros de excelência valvar, com decisão individualizada pelo Heart Team
Durabilidade da Prótese em VAB — Registros de Longo Prazo

Jia Y et al. (CCI 2025) reportou uma coorte multicêntrica de 894 pacientes com VAB submetidos a TAVI. Incidência cumulativa a 5 anos: SVD moderado/grave: 8,1%; SVD grave: 3,2%; Falha de bioprótese (BVF): 6,1%. Idade ≤75 anos associou-se a maiores taxas de reintervenção (HR 2,40; p=0,04). Pacientes com VAB e "downsizing" da válvula nativa TAV (implante em anatomia nativa menor que o frame) tiveram maior risco de SVD e BVF — evitar esta prática.[47]


Com o aumento da longevidade dos pacientes submetidos a TAVI e a expansão para populações mais jovens, o redo TAVI torna-se cada vez mais relevante. A degeneração estrutural da bioprótese transcateter (SVD-TAVI) é a principal indicação, com as limitações anatômicas específicas do TAVI-in-TAVI tornando o planejamento por CTA absolutamente crítico.[48,49,50]

  • 1
    Planejamento por CTA — Neo-LVOT e Risco Coronário
    A CTA pré-TAVI-in-TAVI deve incluir simulação do neo-LVOT (área do VSVE projetada após o segundo implante). Área <1,8 cm² é ponto de corte para risco aumentado de obstrução hemodinâmica grave. Risco de obstrução coronária: 27% de impossibilidade de acesso em CoreValve/Evolut-first vs 10% para SAPIEN-first. Multidetector CT study De Backer et al. JACC CI 2020.[49]
  • 2
    Técnicas de Preservação do Acesso Coronário
    BASILICA preventivo antes do TAVI-in-TAVI: lacera o folheto da bioprótese original ao nível do óstio coronário, criando abertura para o fluxo coronário. Alinhamento comissural durante o PRIMEIRO implante de TAVI reduz o risco no redo (planejar desde o índice). Seleção da prótese para TAVI-in-TAVI: preferir THVs com baixo perfil de frame e células abertas largas (SAPIEN 3 em SAPIEN 3 → melhor acesso; Evolut em Evolut → muito difícil).[14,49,50]
  • 3
    Técnica de Implantação no TAVI-in-TAVI
    Cruzamento da bioprótese degenerada (geralmente mais fácil que a valva nativa calcificada). Pré-dilatação com balão opcional mas frequentemente útil para fraturar os folhetos calcificados da bioprótese original (VIVID trial). Deployment da nova prótese alinhada ao annulo da primeira prótese. Gradientes geralmente levemente mais altos (15 vs 12 mmHg em 1 ano, sem impacto clínico - Makkar 2023 Lancet).[48]
📊
Registro Makkar et al. (Lancet 2023) — Redo TAVI com BEV Análise de registro nacional comparando redo TAVI com BEV (n=523) vs TAVI nativo aparelhado por propensity score. Obstrução coronária: 0,3%. Morte intraprocedimento: 0,6%. Conversão a cirurgia: 0,5%. Mortalidade 30 dias: 4,7% vs 4,0% (NS). Mortalidade 1 ano: 17,5% vs 19,0% (NS). Gradientes: 15 vs 12 mmHg a 1 ano (estáveis). Conclusão: redo TAVI com BEV é factível e seguro, com outcomes comparáveis ao TAVI nativo, embora gradientes sejam levemente mais elevados.[48]
📖
Guia de Planejamento TAV-in-TAV (Bapat JACC CI 2024): publicação abrangente do ALIGN-TAVR Consortium que sistematiza o planejamento de redo TAVI com base no tipo de prótese original (BEV, SEV, MEV), recomendando uma abordagem de 5 etapas: (1) identificar a prótese original, (2) medir o frame e os folhetos na CTA, (3) calcular o neo-LVOT projetado, (4) avaliar o risco coronário com simulação virtual, (5) selecionar a prótese de redo e planejar técnica de proteção coronária.[14]
📊
TAVI vs SAVR — Hard Endpoints e Durabilidade
RCTs e meta-análises · Mortalidade · AVC · Degeneração valvar
Trial N Risco / Perfil Seguimento Mortalidade / Comp. Primário Desfecho
PARTNER 3 1.000 Baixo risco 7 anos TAVI 19,5% vs SAVR 16,8% — morte all-cause NS
NOTION 280 Baixo risco; mediana 79a 10 anos 65,5% vs 65,5% (morte/AVC/IAM) NS
PARTNER 2A 2.032 Intermediário 5 anos Morte + AVC: 47,9% vs 43,4% NS
SURTAVI 1.746 Intermediário (Evolut) 5 anos Morte + AVC: 31,3% vs 30,8% NS
Evolut Low Risk 1.414 Baixo risco (SEV) 3 anos Morte + AVC: 7,4% vs 10,4% (1 ano) TAVI ≤
DEDICATE 1.414 Baixo-intermediário 1 ano Morte + AVC: 5,4% TAVI vs 10,0% SAVR TAVI NI
CoreValve ER 471 Extremo risco 3 anos Sobrevida: TAVI 54% vs SAVR 20,3% TAVI <<
CoreValve HR 750 Alto risco 3 anos Morte: TAVI 37,3% vs SAVR 46,7% TAVI <

O seguimento de 7 anos do PARTNER 3 (Leon MB et al., NEJM 2025) representa os dados mais longos disponíveis para TAVI vs SAVR em baixo risco. Os resultados demonstram que a equivalência mantida até 5 anos começa a mostrar uma tendência (não significativa) a maior mortalidade com TAVI em muito longo prazo — consistente com preocupações teóricas de durabilidade superior do SAVR em jovens.[39]

19,5%
Mortalidade TAVI a 7 anos — PARTNER 3
16,8%
Mortalidade SAVR a 7 anos — PARTNER 3 (NS)
8,5%
AVC acumulado TAVI — PARTNER 3 7 anos
6,9%
Falha de bioprótese TAVI vs 7,3% SAVR (NS) a 7 anos

O NOTION (Thyregod HGH et al., EHJ 2024) é o único RCT com 10 anos de seguimento comparando TAVI vs SAVR. Incluiu pacientes de baixo risco, mas com mediana de idade de 79 anos (não ideal para extrapolação para jovens). O dado de durabilidade é surpreendentemente favorável ao TAVI: SVD grave foi menos frequente com TAVI do que com SAVR aos 10 anos (1,5% vs 10,0%), enquanto BVF foi comparável (9,7% vs 13,8%).[51]

🔑
Mensagem central do NOTION a 10 anos: desfecho primário (morte + AVC + IAM) idêntico (65,5% vs 65,5%; HR 1,0). SVD grave significativamente menor com TAVI! Este dado desafia a percepção de que SAVR é sempre mais durável que TAVI. Limitações: amostra pequena (n=280), mediana de idade 79 anos, próteses Evolut CoreValve 1ª geração (tecnologia superada).[51]

Ahmad et al. EHJ 2023 — 8 RCTs, 8.698 pacientes

Meta-análise de 8 RCTs em pacientes de risco baixo a alto:[54]

  • Mortalidade precoce (<30 dias): TAVI menor (RR 0,67; 95% CI 0,47–0,96)
  • Morte + AVC 1 ano (baixo risco): TAVI menor (RR 0,68; 95% CI 0,50–0,92)
  • Depois de 1 ano: sem diferença entre TAVI e SAVR
  • TAVI: menor sangramento maior 30 dias (RR 0,38), menor IRA 30 dias (RR 0,38), menor FA nova 30 dias (RR 0,25)
  • TAVI: maior MPP 30 dias (RR 2,62), maior complicações vasculares 30 dias (RR 2,37), maior AVC/AIT 30 dias (RR 1,33)
Ahmed et al. IJSO 2024 — Seguimento Longo em Baixo-Intermediário Risco

Meta-análise focada em pacientes de baixo a intermediário risco com seguimento longo:[55]

  • Mortalidade comparável até 2 anos
  • Mortalidade com TAVI significativamente maior a ≥5 anos (RR 1,13; 95% CI 1,03–1,23)
  • Limitação crítica: inclui dados de próteses de 1ª e 2ª gerações — Não representativo de próteses atuais
  • Heterogeneidade elevada entre os estudos
  • Conclusão dos autores: TAVI e SAVR comparáveis nos primeiros anos; dados de longo prazo ainda insuficientes para próteses de 3ª geração

Dispositivo5 anos8 anos10 anos15+ anos
SAVR biológica (geral)>98% livre SVD~94%~90%~82% a 15a; ~52% a 20a
SAPIEN 3 (PARTNER 2)SVD 0,68%/100 pt-ano = comparável SAVRSVD menor TAVI (13,9% vs 28,3%)~15,4% mod/graveDados ainda limitados
CoreValve (NOTION)ComparávelComparávelSVD grave: 1,5% TAVI vs 10% SAVR (p<0,05)Dados em seguimento
TAVI em VABSVD mod/grave: 8,1%Dados insuficientes
🔭
Perspectiva de longo prazo: Os dados sugerem que TAVI com próteses de 3ª geração tem durabilidade comparável ao SAVR até 8–10 anos em pacientes ≥70 anos. Em pacientes mais jovens (<65 anos), a extrapolação de vida esperada da prótese além de 15–20 anos ainda carece de dados — razão pela qual o SAVR continua sendo recomendado nesse grupo (ACC/AHA Classe I), com planejamento de TAVI-in-TAVI como opção futura se necessário.[1,57,59,60]

O DEDICATE (Blankenberg S et al., NEJM 2024) é o trial mais recente e pragmático, com 1.414 pacientes de baixo a intermediário risco e uso de múltiplas próteses (SAPIEN 3, Evolut PRO, ACURATE neo2). TAVI demonstrou não-inferioridade para morte + AVC em 1 ano (5,4% vs 10,0% — HR 0,92; p para NI <0,001). Foi o primeiro trial realizado inteiramente com próteses de 3ª geração, tornando seus resultados os mais representativos da prática contemporânea.[56]


Argumento pró-TAVIArgumento pró-SAVR
Recuperação mais rápida (alta hospitalar 1–3 dias)Dados de durabilidade a 20+ anos estabelecidos
Menor sangramanto, IRA, FA novaMenor necessidade de MPP
Menor mortalidade operatória imediata em alto riscoMenor PVL com técnica cirúrgica
Acesso femoral percutâneo (sem esternotomia)Troca valvar mecânica simultânea possível
Possibilidade de TAVI-in-TAVI futura (se planejado)Revascularização coronária simultânea mais completa
Preferência do paciente idoso / frágilCorreção de aortapatia associada (VAB)
Anatomia coronária favorável para futuros cateterismosMenor custo hospitalar imediato (sem dispositivo THV)
📚
Referências Bibliográficas
Evidências de nível A1 · Guias internacionais · RCTs e meta-análises · 2017–2025
  1. 1
    Calcific Aortic Stenosis: A Review
    Otto CM, Newby DE, Hillis GS. JAMA. 2024;332(23):2014-2026. doi:10.1001/jama.2024.16477
  2. 2
    Evaluating Medical Therapy for Calcific Aortic Stenosis: JACC State-of-the-Art Review
    Lindman BR, Sukul D, Dweck MR, et al. J Am Coll Cardiol. 2021;78(23):2354-2376. doi:10.1016/j.jacc.2021.09.1367
  3. 3
    Mechanical Intervention for Aortic Valve Stenosis in Patients With Heart Failure And Reduced Ejection Fraction
    Steiner J, Rodés-Cabau J, Holmes DR, et al. J Am Coll Cardiol. 2017;70(24):3026-3041. doi:10.1016/j.jacc.2017.10.040
  4. 4
    Aortic Stenosis, Heart Failure, and Aortic Valve Replacement
    Mengi S, Januzzi JL, Cavalcante JL, et al. JAMA Cardiol. 2024;9(12):1159-1168. doi:10.1001/jamacardio.2024.3486
  5. 5
    Assessment of Subclinical Left Ventricular Dysfunction in Aortic Stenosis
    Dahl JS, Magne J, Pellikka PA, Donal E, Marwick TH. JACC Cardiovasc Imaging. 2019;12(1):163-171. doi:10.1016/j.jcmg.2018.08.040
  6. 6
    Calcific Aortic Stenosis: A Disease of the Valve and the Myocardium
    Dweck MR, Boon NA, Newby DE. J Am Coll Cardiol. 2012;60(19):1854-63. doi:10.1016/j.jacc.2012.02.093
  7. 7
    Multimodality Imaging Markers of Adverse Myocardial Remodeling in Aortic Stenosis
    Treibel TA, Badiani S, Lloyd G, Moon JC. JACC Cardiovasc Imaging. 2019;12(8 Pt 1):1532-1548. doi:10.1016/j.jcmg.2019.02.034
  8. 8
    2020 ACC/AHA Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease
    Otto CM, Nishimura RA, Bonow RO, et al. J Am Coll Cardiol. 2021;77(4):e25-e197. doi:10.1016/j.jacc.2020.11.018
  9. 9
    LANDMARK Comparison of Myval Transcatheter Heart Valve Series With Contemporary Valves (Sapien and Evolut)
    Baumbach A, van Royen N, Amat-Santos IJ, et al. Lancet. 2024;403(10445):2695-2708. doi:10.1016/S0140-6736(24)00821-3
  10. 10
    Valvular Heart Disease: From Mechanisms to Management
    Praz F, Beyersdorf F, Haugaa K, Prendergast B. Lancet. 2024;403(10436):1576-1589. doi:10.1016/S0140-6736(23)02755-1
  11. 11
    5-Year Outcomes After Transcatheter or Surgical Aortic Valve Replacement in Low-Risk Patients With Aortic Stenosis
    Forrest JK, Yakubov SJ, Deeb GM, et al. J Am Coll Cardiol. 2025;85(15):1523-1532. doi:10.1016/j.jacc.2025.03.004
  12. 12
    Considerations for Optimal Device Selection in Transcatheter Aortic Valve Replacement: A Review
    Claessen BE, Tang GHL, Kini AS, Sharma SK. JAMA Cardiol. 2021;6(1):102-112. doi:10.1001/jamacardio.2020.3682
  13. 13
    2017 ACC Expert Consensus Decision Pathway for Transcatheter Aortic Valve Replacement
    Otto CM, Kumbhani DJ, Alexander KP, et al. J Am Coll Cardiol. 2017;69(10):1313-1346. doi:10.1016/j.jacc.2016.12.006
  14. 14
    A Guide to Transcatheter Aortic Valve Design and Systematic Planning for a Redo-TAV (TAV-in-TAV) Procedure
    Bapat VN, Fukui M, Zaid S, et al. JACC Cardiovasc Interv. 2024;17(14):1631-1651. doi:10.1016/j.jcin.2024.04.047
  15. 15
    Outcomes of Three Different New Generation Transcatheter Aortic Valve Prostheses
    Costa G, Buccheri S, Barbanti M, et al. Catheter Cardiovasc Interv. 2020;95(3):398-407. doi:10.1002/ccd.28524
  16. 16
    Comparison of Contemporary Transcatheter Heart Valve Prostheses: Data From the German Aortic Valve Registry (GARY)
    Rudolph TK, Herrmann E, Bon D, et al. Clin Res Cardiol. 2024;113(1):75-85. doi:10.1007/s00392-023-02242-z
  17. 17
    Real-World Multiple Comparison of Transcatheter Aortic Valves: Insights From the Multicenter OBSERVANT II Study
    Costa G, Barbanti M, Rosato S, et al. Circ Cardiovasc Interv. 2022;15(12):e012294. doi:10.1161/CIRCINTERVENTIONS.122.012294
  18. 18
    SAPIEN 3 Versus Myval Transcatheter Heart Valves for TAVI (COMPARE-TAVI 1)
    Terkelsen CJ, Freeman P, Dahl JS, et al. Lancet. 2025;405(10487):1362-1372. doi:10.1016/S0140-6736(25)00106-0
  19. 19
    Imaging for Predicting, Detecting, And Managing Complications After TAVR
    Corrigan FE, Gleason PT, Condado JF, et al. JACC Cardiovasc Imaging. 2019;12(5):904-920. doi:10.1016/j.jcmg.2018.07.036
  20. 20
    Management of Difficult Coronary Anatomy During Transcatheter Aortic Valve Implantation
    Onishi T, Tang GHL. Curr Opin Cardiol. 2025. doi:10.1097/HCO.0000000000001229
  21. 21
    Rationale, Definitions, Techniques, And Outcomes of Commissural Alignment in TAVR: From the ALIGN-TAVR Consortium
    Tang GHL, Amat-Santos IJ, De Backer O, et al. JACC Cardiovasc Interv. 2022;15(15):1497-1518. doi:10.1016/j.jcin.2022.06.001
  22. 22
    Standard Imaging Techniques in Transcatheter Aortic Valve Replacement
    Salemi A, Worku BM. J Thorac Dis. 2017;9(Suppl 4):S289-S298. doi:10.21037/jtd.2017.03.114
  23. 23
    Echocardiography in Transcatheter Aortic (Core)Valve Implantation: Part 2 — Transesophageal Echocardiography
    Naqvi TZ. Echocardiography. 2018;35(7):1020-1041. doi:10.1111/echo.14034
  24. 24
    Recommendations for Special Competency in Echocardiographic Guidance of Structural Heart Disease Interventions: From the ASE
    Little SH, Rigolin VH, Garcia-Sayan E, et al. J Am Soc Echocardiogr. 2023;36(4):350-365. doi:10.1016/j.echo.2023.01.014
  25. 25
    Paravalvular Leak After Transcatheter Aortic Valve Replacement (TAVR): A Literature Review
    Sciaramenti G, Menzato E, Clo' S, et al. J Clin Med. 2025;14(24):8905. doi:10.3390/jcm14248905
  26. 26
    Guidelines for the Evaluation of Valvular Regurgitation After Percutaneous Valve Repair or Replacement
    Zoghbi WA, Asch FM, Bruce C, et al. J Am Soc Echocardiogr. 2019;32(4):431-475. doi:10.1016/j.echo.2019.01.003
  27. 27
    Evaluation and Management of Paravalvular Aortic Regurgitation After TAVR
    Sinning JM, Vasa-Nicotera M, Chin D, et al. J Am Coll Cardiol. 2013;62(1):11-20. doi:10.1016/j.jacc.2013.02.088
  28. 28
    Aortic Valve Disease, TAVR, and The Heart Failure Patient: A State-of-the-Art Review
    Okumus N, Abraham S, Puri R, Tang WHW. JACC Heart Fail. 2023;11(8 Pt 2):1070-1083. doi:10.1016/j.jchf.2023.07.003
  29. 29
    Treatment of Late Paravalvular Regurgitation After TAVI: Prognostic Implications
    Landes U, Hochstadt A, Manevich L, et al. Eur Heart J. 2023;44(15):1331-1339. doi:10.1093/eurheartj/ehad146
  30. 30
    Transcatheter Therapies for the Treatment of Valvular and Paravalvular Regurgitation
    Ruiz CE, Kliger C, Perk G, et al. J Am Coll Cardiol. 2015;66(2):169-83. doi:10.1016/j.jacc.2015.05.034
  31. 32
    Impact of Evolution of Self-Expandable Aortic Valve Design: Peri-Operative and Short-Term Outcomes
    Bei E, Voudris V, Kalogeras K, et al. J Clin Med. 2023;12(5):1739. doi:10.3390/jcm12051739
  32. 33
    Infective Endocarditis After TAVR
    Stortecky S, Heg D, Tueller D, et al. J Am Coll Cardiol. 2020;75(24):3020-3030. doi:10.1016/j.jacc.2020.04.044
  33. 34
    Infective Endocarditis After Transcatheter Aortic Valve Implantation: A Nationwide Study
    Bjursten H, Rasmussen M, Nozohoor S, et al. Eur Heart J. 2019;40(39):3263-3269. doi:10.1093/eurheartj/ehz588
  34. 35
    Long-Term Risk of Infective Endocarditis After TAVR
    Butt JH, Ihlemann N, De Backer O, et al. J Am Coll Cardiol. 2019;73(13):1646-1655. doi:10.1016/j.jacc.2018.12.078
  35. 37
    A Review of Recommendations for Infective Endocarditis Prevention in Patients Undergoing TAVI
    Conen A, Stortecky S, Moreillon P, et al. EuroIntervention. 2021;16(14):1135-1140. doi:10.4244/EIJ-D-19-00993
  36. 38
    Infective Endocarditis After TAVR: JACC State-of-the-Art Review
    Del Val D, Panagides V, Mestres CA, Miró JM, Rodés-Cabau J. J Am Coll Cardiol. 2023;81(4):394-412. doi:10.1016/j.jacc.2022.11.028
  37. 39
    Transcatheter or Surgical Aortic-Valve Replacement in Low-Risk Patients at 7 Years (PARTNER 3)
    Leon MB, Mack MJ, Pibarot P, et al. N Engl J Med. 2025. doi:10.1056/NEJMoa2509766
  38. 40
    Contemporary Transcatheter Heart Valves for TAVI in Bicuspid Aortic Anatomy
    Simopoulou C, Oliva O, Cesario V, et al. J Clin Med. 2025;14(8):2838. doi:10.3390/jcm14082838
  39. 41
    TAVI for Bicuspid Aortic Valve: Addressing Technical Challenges and Optimizing Outcomes
    Paglianiti DA, Aurigemma C, Busco M, et al. J Clin Med. 2025;14(21):7860. doi:10.3390/jcm14217860
  40. 42
    Bicuspid Aortic Valve Disease: Advancements and Challenges of TAVI
    Barbanti M, Costa G, Windecker S, et al. Eur Heart J. 2025. doi:10.1093/eurheartj/ehaf307
  41. 43
    TAVI in Patients With Bicuspid Valve Morphology: A Roadmap Towards Standardization
    Xiong TY, Ali WB, Feng Y, et al. Nat Rev Cardiol. 2023;20(1):52-67. doi:10.1038/s41569-022-00734-5
  42. 44
    International Consensus Statement on Nomenclature and Classification of the Congenital Bicuspid Aortic Valve
    Michelena HI, Della Corte A, Evangelista A, et al. Ann Thorac Surg. 2021;112(3):e203-e235. doi:10.1016/j.athoracsur.2020.08.119
  43. 45
    TAVR in Bicuspid Versus Tricuspid Aortic Valve Stenosis: Meta-Analysis and Systemic Review
    Saeed Al-Asad K, Martinez Salazar A, Radwan Y, et al. Am J Cardiol. 2023;203:105-112. doi:10.1016/j.amjcard.2023.06.120
  44. 46
    TAVI in Low-Risk Tricuspid or Bicuspid Aortic Stenosis: The NOTION-2 Trial
    Jørgensen TH, Thyregod HGH, Savontaus M, et al. Eur Heart J. 2024;45(37):3804-3814. doi:10.1093/eurheartj/ehae331
  45. 47
    Long-Term Durability of Transcatheter Aortic Valves in Patients With Bicuspid Aortic Stenosis
    Jia Y, Maznyczka A, Boiago M, et al. Catheter Cardiovasc Interv. 2025. doi:10.1002/ccd.31742
  46. 48
    Outcomes of Repeat TAVR With Balloon-Expandable Valves: A Registry Study
    Makkar RR, Kapadia S, Chakravarty T, et al. Lancet. 2023;402(10412):1529-1540. doi:10.1016/S0140-6736(23)01636-7
  47. 49
    Coronary Access After TAVR-in-TAVR as Evaluated by Multidetector Computed Tomography
    De Backer O, Landes U, Fuchs A, et al. JACC Cardiovasc Interv. 2020;13(21):2528-2538. doi:10.1016/j.jcin.2020.06.016
  48. 50
    Transcatheter Aortic Valve Replacement in Failed Transcatheter Bioprosthetic Valves
    Tarantini G, Sathananthan J, Fabris T, et al. JACC Cardiovasc Interv. 2022;15(18):1777-1793. doi:10.1016/j.jcin.2022.07.035
  49. 51
    Transcatheter or Surgical Aortic Valve Implantation: 10-Year Outcomes of the NOTION Trial
    Thyregod HGH, Jørgensen TH, Ihlemann N, et al. Eur Heart J. 2024;45(13):1116-1124. doi:10.1093/eurheartj/ehae043
  50. 52
    Eight-Year Outcomes for Patients With Aortic Valve Stenosis at Low Surgical Risk Randomized to TAVI vs. SAVR
    Jørgensen TH, Thyregod HGH, Ihlemann N, et al. Eur Heart J. 2021;42(30):2912-2919. doi:10.1093/eurheartj/ehab375
  51. 53
    Five-Year Outcomes of Transcatheter or Surgical Aortic-Valve Replacement (PARTNER 2)
    Makkar RR, Thourani VH, Mack MJ, et al. N Engl J Med. 2020;382(9):799-809. doi:10.1056/NEJMoa1910555
  52. 54
    Transcatheter Versus Surgical Aortic Valve Replacement in Lower-Risk and Higher-Risk Patients: A Meta-Analysis of Randomized Trials
    Ahmad Y, Howard JP, Arnold AD, et al. Eur Heart J. 2023;44(10):836-852. doi:10.1093/eurheartj/ehac642
  53. 55
    Meta-Analysis of Longitudinal Comparison of TAVR Versus SAVR in Patients at Low to Intermediate Surgical Risk
    Ahmed M, Ahsan A, Shafiq A, et al. Int J Surg (Lond). 2024;110(12):8097-8106. doi:10.1097/JS9.0000000000002158
  54. 56
    Transcatheter or Surgical Treatment of Aortic-Valve Stenosis (DEDICATE)
    Blankenberg S, Seiffert M, Vonthein R, et al. N Engl J Med. 2024;390(17):1572-1583. doi:10.1056/NEJMoa2400685
  55. 57
    Aortic Bioprosthetic Valve Durability: Incidence, Mechanisms, Predictors, and Management
    Rodriguez-Gabella T, Voisine P, Puri R, Pibarot P, Rodés-Cabau J. J Am Coll Cardiol. 2017;70(8):1013-1028. doi:10.1016/j.jacc.2017.07.715
  56. 58
    Structural Deterioration of Transcatheter Versus Surgical Aortic Valve Bioprostheses in the PARTNER-2 Trial
    Pibarot P, Ternacle J, Jaber WA, et al. J Am Coll Cardiol. 2020;76(16):1830-1843. doi:10.1016/j.jacc.2020.08.049
  57. 59
    Durability of Transcatheter Aortic Valve Implantation
    Ternacle J, Hecht S, Eltchaninoff H, et al. EuroIntervention. 2024;20(14):e845-e864. doi:10.4244/EIJ-D-23-01050
  58. 60
    Transcatheter Aortic Valve Replacement for Patients at Low Risk and Younger Patients—A Contemporary View
    Shuhaiber J. JAMA Intern Med. 2026. doi:10.1001/jamainternmed.2025.7624
  59. 61
    Evolving Indications for TAVI: Key Issues From Procedural Challenges to Lifetime Management
    Paolisso P, Ausiello D, Cefalì F, et al. Can J Cardiol. 2025. doi:10.1016/j.cjca.2025.12.006
⚕️ Aviso Legal: Este material é destinado exclusivamente a médicos e profissionais de saúde habilitados, para fins educacionais. Não substitui o julgamento clínico individual nem as diretrizes institucionais locais. As evidências apresentadas estão sujeitas a atualização contínua; a decisão clínica deve sempre ser fundamentada na literatura mais recente e na discussão multidisciplinar com Heart Team. As recomendações terapêuticas variam conforme a anatomia individual, experiência do centro e disponibilidade local de dispositivos. Dr. Lucas Silva · lucascardio.com.br · 2025.