Probabilidade Pré-Teste em
Dor Torácica
Ferramenta interativa para estratificação de risco e cálculo de probabilidade pré-teste em dor torácica aguda (emergência) e crônica (DAC estável). Baseada nas diretrizes ACC/AHA 2021–2022, ESC 2019/2020 e evidências contemporâneas até Lancet 2025.
O objetivo primário na emergência é identificar com segurança pacientes de baixo risco (alta precoce) e de alto risco (internação/estratégia invasiva). O escore HEART é a ferramenta mais recomendada pelas diretrizes ACC 2022 (Classe I, LOE B-NR), com desempenho superior ao TIMI e GRACE para predição de MACE em 30 dias.
| Categoria | Score | MACE 6 semanas | Conduta recomendada |
|---|---|---|---|
| Baixo Risco | 0–3 | 1,7–2,5% | Alta precoce. Acompanhamento ambulatorial em 72h. Sem teste provocativo de rotina em assintomático (ACC 2022, Classe I, LOE B). |
| Risco Intermediário | 4–6 | 12–16,6% | Observação, troponinas seriadas. Teste não-invasivo (CCTA, ECO estresse, cintilografia) antes da alta ou em 72h. |
| Alto Risco | 7–10 | 50–65% | Hospitalização imediata. Estratégia invasiva precoce. Coronariografia em 24–72h conforme quadro clínico. |
E Δ1h < 2 ng/L
Alta precoce segura. Risco de MACE 0,4–1% em 30 dias.
OU Δ1h ≥ 6 ng/L
IAM tipo 1 em ~76% dos casos. Estratégia invasiva.
E hs-TnT 2h < 12 ng/L
E Δ2h < 3 ng/L
OU Δ2h ≥ 6 ng/L
E Δ1h < 4 ng/L
OU Δ1h ≥ 6 ng/L
| Escore | Variáveis | AUC (MACE) | Sensibilidade baixo risco | % pacientes baixo risco | Diretriz |
|---|---|---|---|---|---|
| HEART Preferido | 5 domínios (H/E/A/R/T) | 0,80 | 99,5% | ~30–40% | ACC 2022 Classe I |
| EDACS | Idade, sexo, sintomas, FR | 0,79 | 99,7% | ~45–50% | ACC 2022 Classe IIa |
| TIMI | 7 variáveis | 0,72 | 96–98% | ~20–30% | Derivado em UA/NSTEMI |
| GRACE | 8 variáveis clínicas | 0,70 | 95–97% | ~15–25% | Prognóstico pós-SCA |
| Componente | HEART | TIMI | GRACE |
|---|---|---|---|
| Idade | ✅ (0/1/2) | ✅ (≥65) | ✅ (contínua) |
| História clínica da dor | ✅ (0/1/2) | ✅ (≥3 FR) | ❌ |
| ECG | ✅ (0/1/2) | ✅ (desvio ST) | ✅ (parada) |
| Troponina | ✅ (0/1/2) | ✅ (positiva) | ✅ (elevada) |
| FC / PA | ❌ | ❌ | ✅ (ambas) |
| Killip class | ❌ | ❌ | ✅ |
| Creatinina sérica | ❌ | ❌ | ✅ |
| Doença coronariana conhecida | ✅ (em FR) | ✅ (estenose ≥50%) | ❌ |
| AAS nos últimos 7 dias | ❌ | ✅ | ❌ |
| Angina recente (≤24h) | ❌ | ✅ (≥2 episódios) | ❌ |
• HEART 0–3 + hs-Tn < LSN: ~30% dos pacientes já estratificados como baixo risco na chegada.
• HEART 7–10 + hs-Tn >3× LSN: alto risco — hospitalização sem aguardar resultado seriado.
• Rule-out atendido: avaliar HEART; se ≤3 → alta com acompanhamento em 72h.
• Rule-in atendido: IAM tipo 1 provável → hospitalização e estratégia invasiva.
• Zona cinzenta: coleta adicional às 3–6h; echocardiograma e consulta cardiológica.
Risco intermediário (HEART 4–6): teste não-invasivo antes da alta — CCTA, ECO estresse ou cintilografia — ou agendamento em 72h.
Alto risco (HEART ≥7 ou rule-in): hospitalização; coronariografia dentro de 24–72h. Se instável hemodinamicamente: emergencial.
A probabilidade pré-teste (PPT) de DAC obstrutiva orienta a indicação e interpretação de testes diagnósticos. Modelos contemporâneos são significativamente mais precisos que o histórico Diamond-Forrester, que superestimava a prevalência em ~3× nas populações modernas [AHA/ACC 2021; Lancet 2025].
| Faixa etária | Angina Típica ♂ | Angina Típica ♀ | Atípica ♂ | Atípica ♀ | Não-Anginosa ♂ | Não-Anginosa ♀ |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 30–39 | 3% | 5% | 4% | 3% | 1% | 1% |
| 40–49 | 22% | 10% | 10% | 6% | 3% | 2% |
| 50–59 | 32% | 13% | 17% | 6% | 11% | 3% |
| 60–69 | 44% | 16% | 26% | 11% | 22% | 6% |
| 70–79 | 52% | 27% | 34% | 19% | 24% | 14% |
| CAC (Agatston) | Interpretação | Efeito sobre a PPT | Conduta sugerida |
|---|---|---|---|
| 0 | Muito baixo | Redução de ~70–80% da PPT base | Se PPT base <15%: sem teste adicional. Reavaliação em 5 anos ou mudança de sintomas. Foco em estilo de vida e RCV global. |
| 1–99 | Baixo-Moderado | Aumento modesto da PPT | CCTA ou teste funcional conforme PPT clínica e sintomas. Controle agressivo de FR. |
| 100–399 | Moderado-Alto | Aumento significativo da PPT | Teste funcional (ECO estresse, SPECT, PET) ou CCTA. Estatina de alta intensidade independentemente. |
| ≥ 400 | Alto | Aumento ≥3× da PPT base | Considerar coronariografia direta em sintomáticos. Terapia médica intensiva. |
| Modelo | Ano | Variáveis | Definição de DAC | AUC | Status |
|---|---|---|---|---|---|
| Diamond-Forrester | 1979 | Idade, sexo, tipo de sintoma | ≥70% angiografia visual | ~0,72 | Superestima ~3× — NÃO USAR |
| Duke Clinical Score | 1993 | Sintomas, FR, ECG | ≥75% angiografia | ~0,74 | Derivado em pacientes referidos — viés de seleção |
| ESC 2013 Update | 2013 | Idade, sexo, sintomas | ≥50% angiografia | ~0,73 | Ainda superestima vs coortes contemporâneas |
| Juarez-Orozco ESC 2019 | 2019 | Idade, sexo, tipo de sintoma | ≥50% CCTA ou FFR <0,80 | 0,74 | Não inclui FR — subestima em pacientes com múltiplos FR |
| RF-CL ACC/AHA 2021 | 2019–22 | Idade, sexo, sintoma + FR | ≥50% CCTA ou FFR <0,80 | 0,82 | Modelo de referência atual — validado externamente |
| RF-CL + CAC Lancet 2025 | 2024 | RF-CL + Escore de Cálcio | ≥50% CCTA ou FFR <0,80 | 0,88 | Melhor desempenho global quando CAC disponível |
Coronariografia indicada
ECO estresse ou CCTA
Considerar CAC
CAC ou CCTA para refinar
| PPT (RF-CL) | Categoria | Exame recomendado | Estratégia |
|---|---|---|---|
| < 5% | Muito baixo | Nenhum — ou CAC se refinamento desejado | Investigar causas alternativas. Se CAC=0: sem teste adicional. Reavaliação em 5 anos. |
| 5–15% | Baixo | CAC para reclassificação | Se CAC=0 → sem teste adicional. Se CAC>0 → CCTA. Alta VPN da CCTA nesta faixa. |
| 15–50% | Intermediário | CCTA de primeira linha (Classe I, LOE A) | VPN excelente; detecta placas não-obstrutivas. SCOT-HEART (2018): redução de MACE com CCTA. FFR-CT pode ser adicionado. Alternativas: ECO estresse, SPECT, PET se CCTA limitada. |
| 50–65% | Intermed.-Alto | Teste funcional de imagem | PET (melhor acurácia), ECO estresse ou SPECT. Especificidade da CCTA cai por calcificações. Angiografia + FFR se discordância. |
| > 65% | Alto | Coronariografia direta (Classe IIa) | Em sintomáticos refratários: cateterismo + FFR permite diagnóstico e tratamento simultâneos. PET ou RNM se documentar isquemia prévia necessário. |
| Exame | Tipo | Sens. | Espec. | PPT ideal | Vantagem principal |
|---|---|---|---|---|---|
| CCTA | Anatômica | 95–99% | 64–83% | 15–50% | VPN excelente; detecta placas não-obstrutivas; exame integrado único |
| PET miocárdico | Funcional | 90–95% | 82–90% | 50–80% | Melhor especificidade; reserva de fluxo absoluta; doença microvascular |
| ECO de Estresse | Funcional | 80–88% | 80–88% | 30–70% | Sem radiação; informação funcional + estrutural; custo |
| SPECT | Funcional | 82–90% | 70–80% | 30–70% | Amplamente disponível; dados prognósticos robustos |
| FFR-CT (HeartFlow) | Funcional-Anat. | ~88% | ~79% | 25–65% | Fisiologia sem cateterismo; complementa CCTA duvidosa |
| Coronariografia + FFR | Invasivo | ~97% | ~96% | >65% | Diagnóstico e tratamento simultâneos; padrão-ouro |
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