Medicina Baseada em Evidências

Probabilidade Pré-Teste em
Dor Torácica

Ferramenta interativa para estratificação de risco e cálculo de probabilidade pré-teste em dor torácica aguda (emergência) e crônica (DAC estável). Baseada nas diretrizes ACC/AHA 2021–2022, ESC 2019/2020 e evidências contemporâneas até Lancet 2025.

HEART Scorehs-TroponinaRF-CL Juarez-OrozcoCACACC/AHA 2021 ACC 2022ESC 2020Lancet 2025
Estratificação de Risco — Dor Torácica Aguda

O objetivo primário na emergência é identificar com segurança pacientes de baixo risco (alta precoce) e de alto risco (internação/estratégia invasiva). O escore HEART é a ferramenta mais recomendada pelas diretrizes ACC 2022 (Classe I, LOE B-NR), com desempenho superior ao TIMI e GRACE para predição de MACE em 30 dias.

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HEART Score
History · ECG · Age · Risk Factors · Troponin — Escores 0–10 pontos
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Derivado por Six et al. (Neth Heart J 2008) e validado em múltiplos estudos prospectivos e meta-análises. O HEART prediz MACE com AUC 0,80 — superior ao GRACE (0,70) e TIMI para dor torácica indiferenciada na emergência. Escore ≤3 identifica baixo risco com sensibilidade 99,5% e VPN 99,6% para MACE em 6 semanas [Reaney 2018; ACC 2022 Classe I, LOE B-NR].
H — História Clínica
Compatibilidade com síndrome isquêmica coronariana
E — ECG
Alterações eletrocardiográficas na apresentação
A — Idade
R — Fatores de Risco
HAS, dislipidemia, DM, obesidade (IMC>30), tabagismo, HF coronariana
T — Troponina
Em relação ao limite superior de normalidade (LSN) do ensaio utilizado
HEART SCORE
/ 10
⚠️ O HEART Score é uma ferramenta auxiliar. Decisões de alta devem integrar julgamento clínico, troponinas seriadas e contexto completo. MACE inclui: IAM, revascularização não eletiva e óbito.
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Tabela de Estratificação — HEART Score
CategoriaScoreMACE 6 semanasConduta recomendada
Baixo Risco0–31,7–2,5%Alta precoce. Acompanhamento ambulatorial em 72h. Sem teste provocativo de rotina em assintomático (ACC 2022, Classe I, LOE B).
Risco Intermediário4–612–16,6%Observação, troponinas seriadas. Teste não-invasivo (CCTA, ECO estresse, cintilografia) antes da alta ou em 72h.
Alto Risco7–1050–65%Hospitalização imediata. Estratégia invasiva precoce. Coronariografia em 24–72h conforme quadro clínico.
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Nota sobre troponinas de alta sensibilidade: Em centros com hs-Tn, protocolos 0h/1h ou 0h/2h (ESC 2020) oferecem estratificação análoga ao componente T do HEART e devem ser usados em paralelo. Evidências sugerem que a adição de escore clínico ao protocolo hs-Tn preserva a avaliação do contexto clínico e ECG, importantes para a decisão de alta segura [Dawson 2022, JACC].
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Protocolos de Troponina de Alta Sensibilidade (hs-Tn)
Estratificação rápida — rule-out e rule-in de IAM sem supra-ST
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Os protocolos de hs-Tn permitem rule-out de IAM com segurança em 1–2h após apresentação. ESC 2020 NSTE-ACS (Collet et al.) recomenda os algoritmos 0h/1h e 0h/2h como Classe I, LOE B. Os valores-limite variam por ensaio — nunca aplique cutoffs de um ensaio em outro. Aproximadamente 60–70% dos pacientes são classificados na chegada; os demais requerem coleta seriada.
Protocolo 0h/1h (ESC 2020) — Roche Elecsys hs-TnT
Sensibilidade 99%, VPN 99,5% para IAM tipo 1 em população de emergência
✅ RULE-OUT — IAM improvável
hs-TnT 0h < 5 ng/L
E Δ1h < 2 ng/L
Alta precoce segura. Risco de MACE 0,4–1% em 30 dias.
🚨 RULE-IN — IAM provável
hs-TnT 0h ≥ 52 ng/L
OU Δ1h ≥ 6 ng/L
IAM tipo 1 em ~76% dos casos. Estratégia invasiva.
⚠️ OBSERVAÇÃO (Zona cinzenta)
Não atende critérios de rule-out nem rule-in → coleta seriada (2h ou 3h). Avaliação clínica, HEART score e ECG seriados. ~20% dos pacientes caem nesta zona.
Protocolo 0h/2h (ESC 2020) — Roche Elecsys hs-TnT
Alternativa quando coleta de 1h não é operacionalmente viável
✅ RULE-OUT
hs-TnT 0h < 12 ng/L
E hs-TnT 2h < 12 ng/L
E Δ2h < 3 ng/L
🚨 RULE-IN
hs-TnT 0h ≥ 52 ng/L
OU Δ2h ≥ 6 ng/L
⚠️ OBSERVAÇÃO
Critérios não atendidos → avaliação de coleta adicional, contexto clínico e HEART score.
Protocolo 0h/1h — Abbott ARCHITECT hs-TnI
Cutoffs específicos do ensaio — NÃO intercambiáveis com hs-TnT
✅ RULE-OUT
hs-TnI 0h < 5 ng/L
E Δ1h < 4 ng/L
🚨 RULE-IN
hs-TnI 0h ≥ 64 ng/L
OU Δ1h ≥ 6 ng/L
⚠️
Limitações críticas: (1) Válidos apenas para IAM tipo 1 — elevações crônicas (DRC, miocardite, TEP) geram falsos-positivos. (2) Dor com início <3h pode requerer coleta adicional mesmo com rule-out inicial. (3) O protocolo não estratifica DAC não obstrutiva ou angina instável sem lesão miocárdica — o HEART score complementa nestas situações [Dawson 2022 JACC].

Calculadora Rápida — Protocolo 0h/1h (Elecsys hs-TnT)
Classificação automática com interpretação clínica
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Comparação de Escores — Dor Torácica Aguda
HEART vs TIMI vs GRACE vs EDACS — Evidências 2018–2022
🏆
Meta-análise indireta (Ke et al. BMJ Open 2021, 9 estudos, 12.589 pacientes): HEART supera TIMI e GRACE para MACE em 30 dias: AUC 0,80 vs 0,72 (TIMI) vs 0,70 (GRACE). O HEART classifica mais pacientes como baixo risco habilitando alta precoce segura.
EscoreVariáveisAUC (MACE)Sensibilidade baixo risco% pacientes baixo riscoDiretriz
HEART Preferido5 domínios (H/E/A/R/T)0,8099,5%~30–40%ACC 2022 Classe I
EDACSIdade, sexo, sintomas, FR0,7999,7%~45–50%ACC 2022 Classe IIa
TIMI7 variáveis0,7296–98%~20–30%Derivado em UA/NSTEMI
GRACE8 variáveis clínicas0,7095–97%~15–25%Prognóstico pós-SCA
⚠️
TIMI e GRACE foram derivados em populações com SCA confirmada — não em dor torácica indiferenciada na emergência. Aplicá-los como triagem inicial subestima sistematicamente o risco em pacientes atípicos e pode classificar incorretamente IAM como baixo risco (Mark et al. JACC 2018). O HEART foi derivado especificamente para triagem primária na emergência.

Componentes Detalhados — HEART vs TIMI vs GRACE
ComponenteHEARTTIMIGRACE
Idade✅ (0/1/2)✅ (≥65)✅ (contínua)
História clínica da dor✅ (0/1/2)✅ (≥3 FR)
ECG✅ (0/1/2)✅ (desvio ST)✅ (parada)
Troponina✅ (0/1/2)✅ (positiva)✅ (elevada)
FC / PA✅ (ambas)
Killip class
Creatinina sérica
Doença coronariana conhecida✅ (em FR)✅ (estenose ≥50%)
AAS nos últimos 7 dias
Angina recente (≤24h)✅ (≥2 episódios)
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Algoritmo Integrado — Dor Torácica Aguda na Emergência
ACC 2022 (Kontos et al.) · ESC NSTE-ACS 2020 (Collet et al.)
📌
Fluxo sequencial integrando avaliação de STEMI, uso de hs-Tn e HEART Score. Aplicável a pacientes adultos com dor torácica aguda na emergência sem diagnóstico alternativo evidente na triagem.
🔴 PASSO 1 · Exclusão de STEMI — ECG em ≤10 min
Se supradesnivelamento de ST ≥1mm em ≥2 derivações contíguas (ou equivalentes: BRE novo, supra de aVR + infradesnivelamento difuso) → ativação imediata de hemodinâmica. Tempo porta-balão alvo: <90 min. O fluxo abaixo aplica-se aos pacientes SEM STEMI.
⚪ PASSO 2 · Avaliação Inicial (0h)
História clínica completa + ECG interpretado + hs-Tn 0h + HEART score calculado.
HEART 0–3 + hs-Tn < LSN: ~30% dos pacientes já estratificados como baixo risco na chegada.
HEART 7–10 + hs-Tn >3× LSN: alto risco — hospitalização sem aguardar resultado seriado.
🟡 PASSO 3 · Protocolo hs-Tn 0h/1h ou 0h/2h
Pacientes não classificados no passo 2 → coleta seriada de hs-Tn.
Rule-out atendido: avaliar HEART; se ≤3 → alta com acompanhamento em 72h.
Rule-in atendido: IAM tipo 1 provável → hospitalização e estratégia invasiva.
Zona cinzenta: coleta adicional às 3–6h; echocardiograma e consulta cardiológica.
🟢 PASSO 4 · Decisão Final
Baixo risco (HEART ≤3 + rule-out): alta precoce, orientação sobre retorno imediato, consulta em 72h. Sem teste provocativo de rotina em assintomático.

Risco intermediário (HEART 4–6): teste não-invasivo antes da alta — CCTA, ECO estresse ou cintilografia — ou agendamento em 72h.

Alto risco (HEART ≥7 ou rule-in): hospitalização; coronariografia dentro de 24–72h. Se instável hemodinamicamente: emergencial.
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Evidência de impacto clínico: Implementação do HEART Pathway demonstrou redução de 20–37% na taxa de hospitalização desnecessária sem aumento de eventos adversos perdidos (taxa de MACE <1% em 30 dias nos grupos de baixo risco com alta precoce) [Dawson 2022 JACC State-of-the-Art Review].
Probabilidade Pré-Teste — Dor Torácica Crônica

A probabilidade pré-teste (PPT) de DAC obstrutiva orienta a indicação e interpretação de testes diagnósticos. Modelos contemporâneos são significativamente mais precisos que o histórico Diamond-Forrester, que superestimava a prevalência em ~3× nas populações modernas [AHA/ACC 2021; Lancet 2025].

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Calculadora de PPT — Modelo RF-CL Contemporâneo
Probabilidade pré-teste de DAC obstrutiva (estenose ≥50% FFR-guiada ou CCTA)
📖
O modelo RF-CL (Risk Factor-weighted Clinical Likelihood) combina os parâmetros básicos de Juarez-Orozco (ESC 2019) — idade, sexo e tipo de sintoma — com a ponderação por fatores de risco cardiovascular. A adição de RF melhora a AUC de 0,74 para 0,82, e a posterior adição do CAC eleva para 0,88 (Rasmussen 2024, JACC Imaging). Recomendado pelas diretrizes AHA/ACC 2021 e Lancet 2025 como modelo preferencial.
Dados Demográficos
Tipo de Sintoma
Classificação AHA/ACC 2021 — 3 critérios: (1) pressão/aperto retroesternal, (2) relação com esforço/estresse, (3) alívio com repouso ou nitrato <5 min
Fatores de Risco Cardiovascular
Cada fator presente aumenta a PPT pelo modelo RF-CL
Diabetes mellitusTipo 1 ou 2, qualquer tratamento
Tabagismo atual ou recenteCessação há <1 ano
Hipertensão arterialDiagnóstico médico ou uso de anti-hipertensivo
DislipidemiaLDL elevado, HDL baixo ou uso de hipolipemiante
Histórico familiar de DAC precoceParente 1º grau: homem <55a ou mulher <65a
PPT ESTIMADA
—%
DAC obstrutiva (≥50%)
0%15%50%100%
⚠️ Estimativa baseada nos modelos Juarez-Orozco (ESC 2019) com ajuste por fatores de risco RF-CL. Valores refletem prevalência de DAC obstrutiva em populações europeias e norte-americanas contemporâneas. O cálculo é uma aproximação probabilística — interprete no contexto clínico completo.
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Tabela de PPT Clínica Básica — Juarez-Orozco 2019 / ESC 2019
Prevalência de DAC obstrutiva (%) — valores contemporâneos (significativamente menores que Diamond-Forrester)
Faixa etáriaAngina Típica ♂Angina Típica ♀Atípica ♂Atípica ♀Não-Anginosa ♂Não-Anginosa ♀
30–393%5%4%3%1%1%
40–4922%10%10%6%3%2%
50–5932%13%17%6%11%3%
60–6944%16%26%11%22%6%
70–7952%27%34%19%24%14%
Fonte: Juarez-Orozco et al. Eur Heart J 2019; reproduzido nas diretrizes ESC 2019 e AHA/ACC 2021. Valores baseados em coortes com CCTA ou angiografia funcional (FFR) — significativamente menores que Diamond-Forrester (1979).
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Escore de Cálcio Coronariano (CAC)
Refinamento da PPT — AHA/ACC 2021 Classe IIa · Rasmussen JACC Imaging 2024
💡
A adição do CAC ao modelo RF-CL aumenta a AUC de 0,82 para 0,88 (Rasmussen 2024 JACC Imaging). O CAC zero em pacientes com PPT <15% identifica uma coorte de risco muito baixo que pode dispensar testes adicionais. CAC ≥400 aponta para alta probabilidade de DAC multivascular, guiando estratégia invasiva direta. O CAC tem melhor custo-efetividade como "desempate" em PPT intermediária-baixa (5–50%) [Lancet 2025].
CAC (Agatston)InterpretaçãoEfeito sobre a PPTConduta sugerida
0Muito baixoRedução de ~70–80% da PPT baseSe PPT base <15%: sem teste adicional. Reavaliação em 5 anos ou mudança de sintomas. Foco em estilo de vida e RCV global.
1–99Baixo-ModeradoAumento modesto da PPTCCTA ou teste funcional conforme PPT clínica e sintomas. Controle agressivo de FR.
100–399Moderado-AltoAumento significativo da PPTTeste funcional (ECO estresse, SPECT, PET) ou CCTA. Estatina de alta intensidade independentemente.
≥ 400AltoAumento ≥3× da PPT baseConsiderar coronariografia direta em sintomáticos. Terapia médica intensiva.
Ajuste de PPT com CAC
Calculada na aba anterior com RF-CL
⚠️
Limitações do CAC: (1) Não avalia estenoses não calcificadas — relevante em jovens (<40–50a) e diabéticos com placas lipídicas. (2) Não substitui avaliação funcional de isquemia quando PPT já é alta (>65%). (3) Contraindicado em gestantes. (4) Exposição a ~1 mSv. Mais custo-efetivo como "desempate" em PPT intermediária-baixa (5–50%) [Lancet 2025].
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Evolução dos Modelos de Probabilidade Pré-Teste
Diamond-Forrester 1979 → ESC 2013 → Contemporâneo 2019–2024
🚫
O modelo de Diamond-Forrester (1979) foi derivado em era pré-stent, em população de alto risco, com definição de DAC por estenose ≥70% à angiografia visual. Nas populações contemporâneas, superestima a PPT em até 3×, levando à indicação excessiva de testes invasivos. As diretrizes AHA/ACC 2021 e ESC 2019 contraindicam seu uso como modelo primário [Gulati 2021; Winther 2022 JACC Imaging].
ModeloAnoVariáveisDefinição de DACAUCStatus
Diamond-Forrester1979Idade, sexo, tipo de sintoma≥70% angiografia visual~0,72Superestima ~3× — NÃO USAR
Duke Clinical Score1993Sintomas, FR, ECG≥75% angiografia~0,74Derivado em pacientes referidos — viés de seleção
ESC 2013 Update2013Idade, sexo, sintomas≥50% angiografia~0,73Ainda superestima vs coortes contemporâneas
Juarez-Orozco ESC 20192019Idade, sexo, tipo de sintoma≥50% CCTA ou FFR <0,800,74Não inclui FR — subestima em pacientes com múltiplos FR
RF-CL ACC/AHA 20212019–22Idade, sexo, sintoma + FR≥50% CCTA ou FFR <0,800,82Modelo de referência atual — validado externamente
RF-CL + CAC Lancet 20252024RF-CL + Escore de Cálcio≥50% CCTA ou FFR <0,800,88Melhor desempenho global quando CAC disponível
🔎
Por que a PPT caiu nas populações contemporâneas? (1) Controle moderno de FR reduz prevalência de DAC obstrutiva. (2) Diagnóstico precoce das SCA diminui progressão crônica obstrutiva. (3) Uso da CCTA revela que muitos com "angina típica" têm coronárias normais ou placas não-obstrutivas (INOCA/MINOCA). (4) Definições modernas usam FFR <0,80 — mais restritivo que estenose ≥70% visual de Diamond-Forrester.

Exemplo Prático — Mulher 55 anos, angina atípica
Impacto do modelo escolhido na conduta clínica
DIAMOND-FORRESTER 1979
54%
→ Teste invasivo
Coronariografia indicada
ESC 2013
28%
→ Teste não-invasivo
ECO estresse ou CCTA
JUAREZ-OROZCO 2019
6%
→ Baixo risco
Considerar CAC
RF-CL (+ 2 FR)
12%
→ Baixo-intermediário
CAC ou CCTA para refinar
⟹ A mesma paciente teria coronariografia indicada com Diamond-Forrester, mas seria elegível para avaliação não-invasiva com modelos contemporâneos — discrepância que justifica a mudança de paradigma nas diretrizes.
🧭
Indicação de Testes Diagnósticos por PPT
AHA/ACC 2021 · ESC 2019 · Lancet 2025 (van der Bijl et al.)
📌
Testes diagnósticos são recomendados principalmente quando PPT >15%. Abaixo deste limiar, o rendimento diagnóstico é baixo e o risco de falso-positivos (com subsequente angiografia desnecessária) supera o benefício. Pacientes com PPT ≤5% têm risco equivalente a uma população assintomática [AHA/ACC 2021, Gulati et al. JACC 2021].
PPT (RF-CL)CategoriaExame recomendadoEstratégia
< 5%Muito baixoNenhum — ou CAC se refinamento desejadoInvestigar causas alternativas. Se CAC=0: sem teste adicional. Reavaliação em 5 anos.
5–15%BaixoCAC para reclassificaçãoSe CAC=0 → sem teste adicional. Se CAC>0 → CCTA. Alta VPN da CCTA nesta faixa.
15–50%IntermediárioCCTA de primeira linha (Classe I, LOE A)VPN excelente; detecta placas não-obstrutivas. SCOT-HEART (2018): redução de MACE com CCTA. FFR-CT pode ser adicionado. Alternativas: ECO estresse, SPECT, PET se CCTA limitada.
50–65%Intermed.-AltoTeste funcional de imagemPET (melhor acurácia), ECO estresse ou SPECT. Especificidade da CCTA cai por calcificações. Angiografia + FFR se discordância.
> 65%AltoCoronariografia direta (Classe IIa)Em sintomáticos refratários: cateterismo + FFR permite diagnóstico e tratamento simultâneos. PET ou RNM se documentar isquemia prévia necessário.
🔄
CCTA como primeiro exame na PPT intermediária: PROMISE (2015) e SCOT-HEART (2018) demonstraram que a CCTA como exame de primeira linha melhora a prescrição de tratamento preventivo e reduz MACE (SCOT-HEART: RR 0,59, p=0,04) comparada à estratégia funcional inicial. O Lancet 2025 (van der Bijl et al.) reafirma a CCTA como exame preferencial para PPT intermediária.

Comparação de Modalidades Diagnósticas
ExameTipoSens.Espec.PPT idealVantagem principal
CCTAAnatômica95–99%64–83%15–50%VPN excelente; detecta placas não-obstrutivas; exame integrado único
PET miocárdicoFuncional90–95%82–90%50–80%Melhor especificidade; reserva de fluxo absoluta; doença microvascular
ECO de EstresseFuncional80–88%80–88%30–70%Sem radiação; informação funcional + estrutural; custo
SPECTFuncional82–90%70–80%30–70%Amplamente disponível; dados prognósticos robustos
FFR-CT (HeartFlow)Funcional-Anat.~88%~79%25–65%Fisiologia sem cateterismo; complementa CCTA duvidosa
Coronariografia + FFRInvasivo~97%~96%>65%Diagnóstico e tratamento simultâneos; padrão-ouro

Evidências que Fundamentam esta Ferramenta
  1. 1
    2022 ACC Expert Consensus Decision Pathway on the Evaluation and Disposition of Acute Chest Pain In the Emergency Department Guideline
    Kontos MC, de Lemos JA, Deitelzweig SB, et al. J Am Coll Cardiol. 2022;80(20):1925-1960.
  2. 2
    Indirect Comparison of TIMI, HEART and GRACE for Predicting Major Cardiovascular Events in Patients with Acute Chest Pain: Systematic Review and Meta-Analysis
    Ke J, Chen Y, Wang X, Wu Z, Chen F. BMJ Open. 2021;11(8):e048356.
  3. 3
    Risk Stratifying Chest Pain Patients in the Emergency Department Using HEART, GRACE and TIMI Scores With a Single Contemporary Troponin Result to Predict MACE
    Reaney PDW, Elliott HI, Noman A, Cooper JG. Emerg Med J. 2018;35(7):420-427.
  4. 4
    Care Models for Acute Chest Pain That Improve Outcomes and Efficiency: JACC State-of-the-Art Review
    Dawson LP, Smith K, Cullen L, et al. J Am Coll Cardiol. 2022;79(23):2333-2348.
  5. 5
    Performance of Coronary Risk Scores Among Patients With Chest Pain in the Emergency Department
    Mark DG, Huang J, Chettipally U, et al. J Am Coll Cardiol. 2018;71(6):606-616.
  6. 6
    2021 AHA/ACC/ASE/CHEST/SAEM/SCCT/SCMR Guideline for the Evaluation and Diagnosis of Chest Pain Guideline
    Gulati M, Levy PD, Mukherjee D, et al. J Am Coll Cardiol. 2021;78(22):e187-e285.
  7. 7
    Contemporary, Non-Invasive Imaging Diagnosis of Chronic Coronary Artery Disease Lancet 2025
    van der Bijl P, Gulati M, Saraste A, et al. Lancet. 2025;406(10519):2577-2587.
  8. 8
    Comparison of Pretest Probability Models of Obstructive Coronary Artery Disease
    Winther S, Schmidt SE, Knuuti J, Bttcher M. JACC Cardiovasc Imaging. 2022;15(1):173-175.
  9. 9
    Clinical Likelihood Prediction of Hemodynamically Obstructive Coronary Artery Disease in Patients With Stable Chest Pain
    Rasmussen LD, Karim SR, Westra J, et al. JACC Cardiovasc Imaging. 2024;17(10):1199-1210.
  10. 10
    2019 ESC Guidelines for the Diagnosis and Management of Chronic Coronary Syndromes Guideline
    Knuuti J, Wijns W, Saraste A, et al. Eur Heart J. 2020;41(3):407-477.
  11. 11
    ESC 2020 Guidelines for Acute Coronary Syndromes Without Persistent ST-Segment Elevation Guideline
    Collet JP, Thiele H, Barbato E, et al. Eur Heart J. 2021;42(14):1289-1367.
  12. 12
    HEART Score for Rapid Risk Stratification of Patients With Chest Pain at the Emergency Department
    Six AJ, Backus BE, Kelder JC. Neth Heart J. 2008;16(6):191-196.
Aviso legal: Esta ferramenta é destinada exclusivamente a médicos e profissionais de saúde devidamente habilitados. As informações e cálculos têm caráter educativo e de suporte à decisão clínica, não substituindo o julgamento médico individualizado. O autor não se responsabiliza por decisões clínicas tomadas com base exclusiva nesta ferramenta. Sempre consulte as diretrizes vigentes e avalie cada paciente no seu contexto clínico completo.