ECG na Síndrome Coronariana Aguda
Interpretação pragmática e baseada em evidências para o médico: do traçado ao cateterismo. Padrões de oclusão arterial aguda, equivalentes de STEMI, critérios de Sgarbossa, e quando estratificar com emergência ou urgência.
Avaliação Sistemática do ECG na SCA
O guideline ACC/AHA 2025 para SCA estabelece que o ECG de 12 derivações deve ser obtido e interpretado em ≤10 minutos do primeiro contato médico, independentemente do cenário clínico. A comparação com traçados prévios é fortemente recomendada — alterações dinâmicas são o marcador cardinal de isquemia aguda, e anormalidades basais são prevalentes, especialmente em idosos.
Algoritmo de Avaliação em 6 Passos
STEMI: Supradesnivelamento ≥1 mm em ≥2 derivações contíguas em qualquer derivação, exceto V2–V3, onde os limiares são ≥2 mm em homens ≥40 anos, ≥2,5 mm em homens <40 anos e ≥1,5 mm em mulheres.
IAMSEST: Infradesnivelamento horizontal ou descendente ≥0,5 mm em ≥2 derivações contíguas e/ou inversão de onda T >1 mm em ≥2 derivações contíguas com onda R proeminente ou relação R/S >1. Ou supradesnivelamento transitório ≥0,5 mm.
Cerca de 41% dos IAMSEST apresentam ECG normal ou não diagnóstico na chegada — a ausência de alteração não exclui SCA.
Critérios Quantitativos — Tabela de Referência Rápida
| Derivação / Grupo | Limiar de STEMI | Observações Clínicas |
|---|---|---|
| V2–V3 · Homens ≥40 anos | ≥2 mm | Limiar mais elevado pela repolarização precoce frequente nessas derivações |
| V2–V3 · Homens <40 anos | ≥2,5 mm | Jovens têm maior voltagem de repolarização basal |
| V2–V3 · Mulheres (qualquer idade) | ≥1,5 mm | Limiar menor — mulheres têm menor amplitude de ST basal |
| Demais derivações (DI, DII, DIII, aVL, aVF, V4–V6) | ≥1 mm | Independente de sexo e idade |
| aVR | ≥1 mm + contexto | Isolado não define STEMI; em conjunto com infra ≥1 mm em ≥6 derivações = tronco ou TVC |
| V7–V9 (posteriores) | ≥0,5 mm (≥1 mm em H <40a) | Confirmação de IAM posterior — equivalente de STEMI se <0,5 mm mas V1–V3 com infra isolado |
| V4R (direita) | ≥1 mm | IAM de VD — contra-indicação relativa a nitrato e vasodilatadores |
Padrões de Oclusão Arterial Aguda
Além do STEMI clássico, vários padrões eletrocardiográficos — denominados "equivalentes de STEMI" — indicam oclusão coronariana aguda e exigem reperfusão emergente mesmo na ausência de supradesnivelamento típico. O reconhecimento ativo desses padrões é determinante para não atrasar a intervenção.
Galeria de Padrões — Ilustrações das Morfologias Diagnósticas
Critérios de Sgarbossa e Sgarbossa Modificado (BRE / Marcapasso)
O bloqueio de ramo esquerdo (BRE) e o ritmo de marcapasso ventricular alteram profundamente a repolarização, tornando a interpretação do segmento ST dependente de critérios específicos. Os critérios originais de Sgarbossa (1996) apresentavam sensibilidade limitada; o Sgarbossa Modificado por Smith et al. (2012) substituiu o terceiro critério absoluto por uma razão proporcional (ST/S), aumentando substancialmente a sensibilidade sem perda significativa de especificidade.
Valor Preditivo dos Padrões — Razões de Verossimilhança
| Achado ECG | LR+ para SCA (IC 95%) | Nível de Evidência |
|---|---|---|
| Infradesnível ST | 5,3 (2,1–8,6) | Estudo Nohria & Viera, AFP 2024 · Metanálise |
| Ondas Q patológicas | 3,6 (1,6–5,7) | AFP 2024; 4ª Definição Universal de IAM |
| Supradesnivelamento ST | 3,6 (1,6–5,7) | AFP 2024; ACC/AHA 2025 |
| Inversão de onda T | 1,8 (1,3–2,7) | AFP 2024 — sensibilidade >especificidade |
| Padrão de de Winter | Alto (sem LR isolado) | Tzimas et al., AJC 2019; alta PPV para oclusão proximal de DA |
| Sgarbossa modificado ≥1 critério | Sensib. ~91% / Espec. ~90% | Smith et al. (2012); validação prospectiva em BRE |
| ECG dinâmico em série (mudança) | Aumenta significativamente | ACC/AHA 2025; guideline de dor torácica 2021 |
Estratificação Invasiva: Emergente vs Urgente
A decisão sobre o timing da angiografia coronariana é central no manejo da SCA. O ACC/AHA 2025 e o ESC 2020 estratificam os pacientes em três horizontes temporais, baseados no risco de deterioração hemodinâmica, extensão isquêmica e prognóstico a médio prazo.
Critérios Clínicos Comparativos
| Parâmetro | 🚨 Emergente (<2 horas) | ⚠️ Urgente (<24 horas) |
|---|---|---|
| Padrão ECG | STEMI, Equivalentes de STEMI (de Winter, posterior, Wellens crítico, Sgarbossa ≥1), supra aVR + infra multilead, novo BRE com critérios | Infradesnivelamento ST novo ou dinâmico ≥0,5 mm; inversão T nova; ECG com alterações transitórias resolvidas |
| Status Hemodinâmico | Choque cardiogênico (PAS <90 mmHg, sinais de hipoperfusão), IC aguda descompensada, instabilidade refratária a medidas iniciais | Hemodinamicamente estável com dor recorrente ou troponina em ascensão |
| Arritmias | TV sustentada, FV recorrente, bloqueio AV avançado (BAV 2° grau tipo II, BAV total novo), necessidade de cardioversão ou marcapasso | TV não sustentada sem comprometimento hemodinâmico; bradiarritmias controladas |
| Escore de Risco | Sem limiar numérico — indica clínica diretamente. GRACE não se aplica neste estrato — a decisão é clínica | GRACE >140 (preferencial) ou TIMI ≥4. GRACE superior ao TIMI para discriminação — maior acurácia prognóstica validada em metanálises (Jobs et al., Lancet 2017) |
| Troponina | Não aguardar resultado para decisão se ECG diagnóstico — reperfusão não deve ser retardada por ausência de troponina | Elevação confirmada de hs-cTnI/T com padrão de ascensão e/ou queda (pelo menos 1 valor acima do percentil 99) |
| Anatomia Coronariana | Suspeita de TCC ou lesão proximal da DA com comprometimento hemodinâmico | Anatomia ameaçadora (TCC, DA proximal, multiarterial com FE reduzida) identificada em cateterismo prévio ou na apresentação atual |
| Dor Refratária | Angina refratária à terapia clínica máxima (dupla antiagregação + anticoagulação + nitratos + morfina) | Angina recorrente em repouso após estabilização inicial |
| Populações Especiais | Qualquer das acima em idosos, diabéticos ou mulheres — atenção redobrada para apresentações atípicas | Idade ≥75 anos, diabetes mellitus e disfunção renal são fatores agravantes que aumentam o peso de qualquer critério |
| Reperfusão se Sem Cateterismo | Fibrinólise se ICPp não disponível em ≤120 min. Tenecteplase, alteplase ou reteplase dose completa se ≤12h de sintomas e sem contraindicações | Não se aplica — fibrinólise não indicada em IAMSEST |
A ICP primária é a estratégia de reperfusão preferida quando disponível dentro do prazo. Cada 30 minutos de atraso no tempo porta-balão associa-se a aumento de ~7,5% na mortalidade relativa em 1 ano.
A metanálise de Jobs et al. (Lancet, 2017), incluindo dados individuais de ~5.000 pacientes de 8 RCTs (TIMACS, VERDICT, ELISA-3, entre outros), demonstrou que estratégia invasiva em ≤24h vs. 25–72h reduz isquemia recorrente e revascularização urgente, sem diferença significativa em mortalidade geral — mas com benefício de mortalidade em pacientes com GRACE >140.
Absolutas
Relativas
Limitações, Confundidores e Populações Especiais
O ECG é um método sensível a inúmeras condições não isquêmicas que podem simular ou mascarar alterações de SCA. O reconhecimento dessas armadilhas — e o ajuste interpretativo para populações específicas — é tão importante quanto conhecer os critérios diagnósticos primários.
Condições que Simulam ou Mascaram Isquemia
O BRE altera completamente a morfologia do QRS e a repolarização ventricular, tornando a análise do segmento ST dependente de critérios específicos. A discordância fisiológica entre QRS e ST é esperada — o que é patológico é o desvio excessivo ou concordante.
O guideline ACC/AHA 2025 é explícito: BRE novo isolado não é diagnóstico de STEMI e não justifica ativação automática de hemodinâmica. Essa atualização reverte orientação anterior e se baseia em evidências de que BRE novo ocorre frequentemente por causas não isquêmicas e que a ativação indiscriminada leva a cateterismos com anatomia normal em até 20–30% dos casos.
O marcapasso ventricular gera morfologia semelhante ao BRE. O mesmo raciocínio com Sgarbossa Modificado aplica-se. Atenção especial ao "pacing overriding" — aumento da frequência de estimulação pode mascarar ritmo intrínseco que revelaria alterações de repolarização.
A pericardite produz supradesnivelamento de ST difuso e côncavo (em sela), sem distribuição anatômica coronariana. A diferenciação com STEMI tem impacto terapêutico direto: antiinflamatórios vs. anticoagulação + reperfusão.
Características de STEMI
Características de Pericardite
Repolarização precoce: ST côncavo com entalhe (notch) ou esboço no ponto J, predominante em V2–V5 e derivações inferiores em adultos jovens. Tipicamente sem reciprocidade. O padrão de alto risco de Haissaguerre (supra ≥1 mm em derivações inferiores e/ou laterais com morfologia horizontal-descendente) associa-se a maior risco arrítmico — raramente um dilema com SCA aguda.
Hipertrofia Ventricular Esquerda (HVE): Critérios de voltagem + repolarização secundária (strain pattern) — ST negativo assimétrico nas derivações de alta voltagem (V5–V6, DI, aVL). Pode mascarar isquemia subjacente ou simular lesão subendocárdica. Na vigência de HVE, qualquer alteração de ST dinâmica deve ser valorizada mesmo que não alcance os limiares absolutos.
Síndrome de Brugada: Supra ≥2 mm descendente com onda T negativa em V1–V3 — padrão tipo 1. Pode ser convertido pelo febre, cocaína, antidepressivos tricíclicos, flecainida. Ausência de isquemia na distribuição esperada e contexto clínico diferencial são chaves. Isoproterenol ou quinidina revertem o padrão. Não confundir com IAM anterior de parede alta.
Embolia Pulmonar Maciça: Síndrome S1Q3T3, T negativa em V1–V4, taquicardia sinusal, BRD novo, eixo à direita. O STEMI anterior pode ser confundido quando existe T negativa precordial. A ausência de dor isquêmica típica, hipoxemia e contexto clínico orientam. Ecocardiograma é decisivo: dilatação aguda do VD vs. hipocinesia anterosseptal do VE.
Hipercalemia: Progressão característica — T apiculadas → alargamento de QRS → perda de onda P → padrão sinusoidal. Pode simular STEMI com QRS alargado e supra em derivações precordiais. Potássio sérico >6 mEq/L com QRS >120 ms = urgência independentemente do ECG.
Takotsubo (SCA sem obstrução — MINOCA): Hipocinesia apical reversível após estresse físico ou emocional, com supradesnivelamento difuso em derivações precordiais imitando STEMI anterior extenso. Angiografia frequentemente normal ou com espasmo. Ecocardiograma demonstra o "balonamento apical" típico. Suspeitar em mulheres pós-menopausa com gatilho emocional.
Eventos do SNC (AVC, HSA): Alterações de repolarização difusas, ondas T gigantes negativas (neurogenic T waves), prolongamento de QT, arritmias. Elevação de troponina por lesão miocárdica neurogênica. A confusão com SCA é especialmente perigosa porque anticoagulação plena e cateterismo em hemorragia intracraniana têm consequências graves.
Populações de Alto Risco Diagnóstico
Cerca de 70% dos pacientes com ≥75 anos apresentam anormalidades basais do ECG: HVE, distúrbios de condução, FA, ritmo de marcapasso, ondas Q antigas. Isso reduz tanto a sensibilidade quanto a especificidade do traçado para SCA. Comparação obrigatória com ECG prévio — pequenas variações dinâmicas têm maior peso do que valores absolutos.
SCA em idosos frequentemente se manifesta com dispneia, fadiga ou confusão como sintoma predominante — sem dor torácica típica (apresentação atípica em até 40% dos casos). O guideline da AHA para SCA no idoso (Damluji et al., Circulation 2023) recomenda limiar baixo para ECG seriado e troponina mesmo com clínica inespecífica.
Mulheres tendem a ter amplitudes menores de ST durante IAM agudo — especialmente em V2–V3, razão pela qual o limiar diagnóstico é ≥1,5 mm (vs. 2–2,5 mm em homens). A aplicação de limiares masculinos em mulheres subestima o grau de elevação relativa.
A síndrome de MINOCA é mais frequente em mulheres, incluindo Takotsubo e espasmo coronariano — ambos podem apresentar supra de ST sem obstrução obstrutiva na angiografia. Mulheres também têm maior prevalência de SCA com anatomia "não obstrutiva" (INOCA — ischemia with non-obstructive coronary arteries). O uso de ECG como filtro único pode levar a subdiagnóstico.
A neuropatia autonômica diabética é responsável por IAM "silencioso" — sem dor torácica como queixa principal — em uma proporção significativa. ECG pode ser a primeira pista. Além disso, pacientes com DM frequentemente apresentam hs-cTnT basalmente elevada, o que reduz o valor preditivo positivo da elevação aguda.
Haller et al. (Diabetes Care, 2020) demonstraram que o algoritmo ESC 0/1h mantém segurança comparável para rule-out de IAM em diabéticos, mas o algoritmo 0/3h tem valor preditivo negativo reduzido nessa população. Portanto, não abreviar o período de observação em diabéticos com clínica suspeita e ECG não diagnóstico.
Na DRC, anormalidades de ECG são altamente prevalentes — HVE (por sobrecarga de volume e pressão), distúrbios eletrolíticos (hipercalemia), PR prolongado ≥200 ms, QRS alargado ≥100 ms e QTc prolongado são preditores independentes de morte cardiovascular (Deo et al., JASN 2016).
A troponina hs-cTnT é cronicamente elevada na DRC por lesão miocárdica contínua — qualquer delta relativo de 20–30% em 1–2h é mais específico para IAM agudo do que valores absolutos acima do percentil 99. O padrão de ascensão/queda é mais informativo que o valor único na DRC avançada. Park et al. (J Clin Med, 2022) confirmaram que as anormalidades de ECG na DRC predizem MACE independentemente de outros fatores.
ECG Seriado, Troponina e Integração Diagnóstica
O ECG inicial é apenas o primeiro passo. A integração temporal de múltiplos ECGs com a cinética da troponina de alta sensibilidade e o escore GRACE constitui o framework diagnóstico moderno da SCA, com metas de tempo bem definidas pelos guidelines.
Integração com Troponina de Alta Sensibilidade (hs-cTn)
O protocolo 0/1h da ESC utiliza o valor absoluto da hs-cTn na chegada (t=0) e a variação (delta) em 1 hora para classificar os pacientes em três grupos:
Elevação de cTn com pelo menos 1 valor acima do percentil 99 do limite de referência superior (URL) E padrão de ascensão e/ou queda. A cinética importa — uma troponina elevada e estável (sem delta) sugere lesão miocárdica crônica, não IAM agudo.
Derivações Adicionais — Quando e Por Quê
| Derivações | Indicação | Critério Diagnóstico / Implicação |
|---|---|---|
| V3R–V4R (direitas) | Infarto inferior (DII, DIII, aVF com supra) — obrigatório. Qualquer suspeita de IAM de VD | Supra ≥1 mm em V4R = IAM de VD. Contra-indicação relativa a nitratos (risco de hipotensão grave por pré-carga VD reduzida). Indica necessidade de reposição volêmica cuidadosa |
| V7–V9 (posteriores) | Infradesnível isolado em V1–V3 sem causa alternativa. Suspeita de oclusão de circunflexa ou coronária direita posterior | Supra ≥0,5 mm (≥1 mm em H <40a) confirma IAM posterior = equivalente de STEMI → reperfusão emergente. Ausência deste critério com infra V1–V3 ainda mantém alta suspeição |
| ECG de 15 derivações (V4R + V7–V9) | Protocolo completo em infarto inferoposterior ou qualquer SCA com localização incerta | Aumenta sensibilidade global da triagem para STEMI equivalente sem custo adicional significativo |
O guideline ACC 2022 (Expert Consensus — dor torácica na emergência) recomenda ecocardiograma à beira do leito quando o ECG é suspeito mas não diagnóstico. A identificação de nova alteração de mobilidade segmentar regional (RWMA) em território coronariano específico eleva significativamente a probabilidade de oclusão aguda.
O GRACE 2.0 deve ser calculado na admissão e integrado com ECG e troponina. Variáveis: idade, FC, PA sistólica, creatinina, Killip, parada cardíaca na chegada, desvio de ST, elevação de marcadores cardíacos.
Inteligência Artificial na Interpretação do ECG em SCA
A integração de modelos de aprendizado de máquina (ML) e aprendizado profundo (deep learning) com o ECG representa a mudança paradigmática mais significativa na diagnóstico eletrocardiográfico das últimas décadas. As evidências de 2024–2025 são robustas o suficiente para recomendar a implementação — mas como adjunto, nunca como substituto do julgamento clínico.
Evidências de Alto Impacto — Estudos Recentes
O ROMIAE (Lee et al., European Heart Journal, 2025) foi um estudo multicêntrico prospectivo que avaliou um modelo de IA aplicado ao ECG de 12 derivações para diagnóstico de IAM e predição de MACE em 30 dias. Os resultados são notáveis:
Implicação prática: A combinação de IA-ECG com escore clínico supera qualquer ferramenta isolada. O modelo processou sinais de ECG brutos (não interpretação automatizada convencional), o que lhe confere capacidade de detectar padrões subliminares não reconhecidos visualmente pelo médico.
Herman et al. (JACC Cardiovascular Interventions, 2026) avaliaram prospectivamente o impacto de um sistema de IA-ECG integrado à triagem de STEMI em múltiplos centros norte-americanos. O problema das ativações falsas de hemodinâmica (pacientes sem oclusão culpada que ativam o sistema STEMI) é clinicamente relevante — gera custo, risco e desgaste da equipe.
Büscher et al. (European Heart Journal, 2025) desenvolveram um modelo de deep learning para estratificar, diretamente do ECG de 12 derivações na emergência, o risco de necessidade de revascularização coronariana — ou seja, prever quem precisará de cateterismo antes mesmo do resultado da troponina.
Este estudo tem implicação direta para o triage pré-hospitalar e ativação antecipada de laboratório de hemodinâmica — o modelo pode funcionar no monitor cardíaco do SAMU, eliminando a latência entre a chegada e a decisão de cateterismo.
Zworth et al. (CJEM, 2023) revisaram sistematicamente modelos de ML para diagnóstico de SCA por ECG: AUROC variando entre 0,79 e 0,98, contra 0,67–0,78 para interpretação clínica humana. Bishop et al. (AJEMed, 2024) realizaram scoping review de redes neurais artificiais para ECG em SCA: sensibilidade 87–99%, especificidade 78–99% — desempenho consistentemente superior ao médico em cenários controlados.
A revisão sistemática de Fatai & Sattayarom (IJMI, 2026) sobre IA no triage de SCA na emergência identificou que os melhores desempenhos ocorrem em integração multimodal (ECG + troponina + variáveis clínicas) — não em ECG isolado, reforçando o modelo de decisão clínica integrada.
Referências Bibliográficas
37 fontes primárias indexadas — guidelines, RCTs, metanálises e consensos de especialistas que fundamentam o conteúdo desta página.
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- 10Atypical Electrocardiographic Presentations in Need of Primary Percutaneous Coronary Intervention
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- 18Management of Patients With NSTE-ACS: A Comparison of the Recent AHA/ACC and ESC Guidelines
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- 22Electrocardiogeriatrics: ECG in Advanced Age
- 23Combined Effects of Age and Comorbidities on Electrocardiographic Parameters in a Large Non-Selected Population
- 24How Can Computerized Interpretation Algorithms Adapt to Gender/Age Differences in ECG Measurements?
- 252010 ACCF/AHA Guideline for Assessment of Cardiovascular Risk in Asymptomatic Adults
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- 27Prevalence and Clinical Impact of Electrocardiographic Abnormalities in Patients With Chronic Kidney Disease
- 28Electrocardiographic Measures and Prediction of Cardiovascular and Noncardiovascular Death in CKD
- 29The Potential of Electrocardiography for Cardiac Risk Prediction in Chronic and End-Stage Kidney Disease
- 30Performance of the ESC 0/1-H and 0/3-H Algorithm for Rapid Identification of MI Without ST-Elevation in Patients With Diabetes
- 31Artificial Intelligence Applied to Electrocardiogram to Rule Out Acute Myocardial Infarction: The ROMIAE Multicentre Study
- 32AI-Enabled ECG Analysis Improves Diagnostic Accuracy and Reduces False STEMI Activations: A Multicenter U.S. Registry
- 33Deep Learning Electrocardiogram Model for Risk Stratification of Coronary Revascularization Need in the Emergency Department
- 34Machine Learning for the Diagnosis of Acute Coronary Syndrome Using a 12-Lead ECG: A Systematic Review
- 35Artificial Neural Networks for ECG Interpretation in Acute Coronary Syndrome: A Scoping Review
- 36Artificial Intelligence Applications in Emergency Triage for Suspected Acute Coronary Syndrome: A Systematic Review
- 37Update to Practice Standards for Electrocardiographic Monitoring in Hospital Settings: AHA Scientific Statement