Hemodinâmica Invasiva · Cardiologia Intervencionista

Curvas de Pressão no
Cateterismo Cardíaco

Guia de referência interativo para interpretação de curvas de pressão intravasculares — cateterismo cardíaco direito e esquerdo. Morfologia normal, padrões patognomônicos e armadilhas técnicas. Fundamentado nas diretrizes ESC/ERS 2022, ACC/AHA 2024 e literatura contemporânea (JACC HF 2024, Circ HF 2026).

Cateterismo Direito Cateterismo Esquerdo PCWP · RVP Pericardite Constritiva Sinal Brockenbrough Estenose Aórtica Hipertensão Pulmonar ESC/ERS 2022 JACC HF 2024
Curvas de Pressão Normais
O cateterismo cardíaco direito (CCD) com cateter de Swan-Ganz permite registro sequencial de pressões nas câmaras direitas e vasculatura pulmonar conforme o cateter avança da veia cava ao leito capilar pulmonar. A correta interpretação das morfologias baseia-se na correlação com os eventos do ciclo cardíaco e do ECG simultâneo.
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Átrio Direito (AD)
Pressão normal: 2–8 mmHg (média) · Morfologia venosa com ondas a, x, v e y
Normal: 2–8 mmHg
PRESSÃO ATRIAL DIREITA Escala: 0 – 15 mmHg · 1,5 ciclos cardíacos
0 3 6 9 12 a x v y a x v y mmHg
Onda a — Gerada pela contração atrial, ocorre após a onda P do ECG. Amplitude aumentada em estenose tricúspide, hipertensão pulmonar grave e dissociação AV (canhão a waves). Ausente em fibrilação atrial.
Pressão Média
2–8mmHg
Acima de 8 mmHg sugere sobrecarga volumétrica ou pressórica do VD
Onda a
6–9mmHg
Contração atrial ativa; ausente em FA
Onda v
3–8mmHg
Retorno venoso sistêmico durante sístole ventricular
💡
Em condições normais, o descenso x (relaxamento atrial + deslocamento anular tricúspide durante sístole ventricular) é mais proeminente que o descenso y (esvaziamento atrial pós-abertura tricúspide). Esse padrão inverte-se na pericardite constritiva, onde o descenso y predomina, gerando o padrão M ou W característico na curva atrial. (Rajagopalan et al., JACC HF 2024)
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Ventrículo Direito (VD)
Pressão sistólica: 15–30 mmHg · PDFVD: 0–8 mmHg · Morfologia em "triângulo" com diastólica baixa
Sistólica 15–30 mmHg
PRESSÃO VENTRICULAR DIREITA Escala: 0 – 45 mmHg
0 10 20 30 Sistólica PDFVD mmHg
Pico Sistólico VD — Normalmente 15–30 mmHg, coincide com a PA sistólica. Pressão sistólica do VD > 35 mmHg indica hipertensão pulmonar ou estenose pulmonar. O upstroke é rápido e simétrico; retardo sugere distúrbio de condução ou cardiomiopatia.
⚠️
A posição do cateter é confirmada pela presença de pressão diastólica baixa (quase zero) no VD, diferenciando-o da artéria pulmonar onde a diastólica é superior. A equalização das pressões diastólicas VD = AP é sinal de hipertensão pulmonar grave ou posicionamento incorreto do cateter.
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Artéria Pulmonar (AP)
Sistólica: 15–30 · Diastólica: 4–12 · Média: 9–18 mmHg · Entalhe dicrótico visível
Média ≤20 mmHg
PRESSÃO ARTÉRIA PULMONAR Escala: 0 – 45 mmHg · Entalhe dicrótico: fechamento valva pulmonar
0 10 20 30 Sistólica Dicrótico Diastólica mmHg
Pressão Sistólica AP — Normal 15–30 mmHg. A PA sistólica é idêntica à VD sistólica na ausência de estenose pulmonar. Hipertensão pulmonar é definida por PAPm >20 mmHg em repouso (ESC/ERS 2022), redefinida de 25 mmHg para melhor correlação prognóstica.
⚠️
O entalhe dicrótico representa o fechamento da valva pulmonar. Sua ausência indica superdampening (ar no sistema, cateter dobrado, trombo). Um entalhe dicrótico muito proeminente e precoce é observado na hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (CTEPH), refletindo maior pulsatilidade e deflexão reflexa aumentada. (Nakayama et al., JACC 1997)
PAPm Normal
<20mmHg
Novo limiar ESC/ERS 2022 (anteriormente 25 mmHg)
DPP Normal
<12mmHg
PAsistólica − PAdiastólica. Maior em CTEPH
PAC Normal
>2,3mL/mmHg
Complacência arterial pulmonar: VS / DPP
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Pressão de Encunhamento Pulmonar (PCWP)
Equivalente da pressão atrial esquerda · Normal: 6–12 mmHg · Ondas a e v fase-deslocadas
Normal: 6–12 mmHg
PCWP — PRESSÃO DE ENCUNHAMENTO Escala: 0 – 25 mmHg · Confirmar: SatO₂ wedge ≥ SaO₂ arterial ± 3–5%
0 6 12 18 a v a v mmHg
Onda a da PCWP — Gerada pela contração atrial esquerda, transmitida retrogradamento pelo leito capilar pulmonar. A PCWP é fase-deslocada em relação ao ECG: a onda a da PCWP surge ~160 ms após a onda P (vs. onda a do AD, que coincide com o P). Esse atraso é essencial para interpretação correta da morfologia.
🔬 Confirmação da Posição Encunhada (Wedge)
A saturação de O₂ colhida na posição encunhada deve ser ≥ SaO₂ arterial ± 3–5% (tipicamente >95%). Saturações menores sugerem posição sub-encunhada com contaminação da curva arterial pulmonar, levando a superestimação da PCWP. A posição super-encunhada (over-wedge) elimina as ondas a e v e a variação respiratória — risco de ruptura da artéria pulmonar com balão superdistendido. (Rajagopalan et al., JACC HF 2024; Belkin et al., Circ HF 2026)
Curvas de Pressão Patológicas — Câmaras Direitas
As curvas de pressão direita fornecem padrões hemodinâmicos patognomônicos que, em contexto clínico adequado, permitem diagnóstico definitivo de condições como pericardite constritiva, cardiomiopatia restritiva, regurgitação mitral grave e os diferentes fenótipos de hipertensão pulmonar.
Pericardite Constritiva
Sinal da raiz quadrada · Descenso y proeminente · Interdependência ventricular · Equalização diastólica
Padrão "Dip-and-Plateau"
🔍
A pericardite constritiva cria um volume pericárdico fixo que desacopla o coração da respiração. O enchimento ventricular é rápido e precoce (ondas E proeminentes), porém abruptamente interrompido quando o volume pericárdico fixo é atingido — gerando os padrões hemodinâmicos clássicos. O diagnóstico hemodinâmico diferencial com cardiomiopatia restritiva é um dos desafios mais exigentes do cateterismo direito. (Garcia, JACC 2016; Pereira et al., JACC 2018)
VD — Sinal da Raiz Quadrada 0 – 50 mmHg
0 10 20 30 √ dip plateau
AD — Descenso y Proeminente Padrão M ou W
0 4 8 a x v y↓↓
Parâmetro Hemodinâmico Pericardite Constritiva CMP Restritiva
Sinal da raiz quadrada Presente Presente
Descenso y > x Sim (y proeminente) Variável
Interdependência ventricular Marcada (inspiração ↑ VD, ↓ VE) Ausente ou mínima
PDFVE − PDFVD <5 mmHg (equalização) ≥5 mmHg (PDFVE maior)
Área diastólica VE/VD por RMC Sinal do septo bounce Enchimento biventricular simétrico
Plateau diastólico (>1/3 do ciclo) Típico Típico
Pressão sistólica AP Habitualmente <50 mmHg Frequentemente >50 mmHg
🧠 Interdependência Ventricular — Chave Diagnóstica
Na pericardite constritiva, o volume pericárdico fixo cria acoplamento mecânico entre os ventrículos: na inspiração, o enchimento do VD aumenta (pressão sistólica VD ↑) enquanto o VE diminui (pressão sistólica VE ↓), com discordância VD/VE >25%. Na CMP restritiva, ambos os ventrículos se comportam de forma concordante com a respiração. A mensuração simultânea das pressões sistólicas VD e VE ao cateterismo é o gold standard — sensibilidade 85–90%, especificidade 85–95%. (Garcia, JACC 2016)
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Ondas v Gigantes na PCWP — Regurgitação Mitral
Onda v >30 mmHg · Hemossignificância hemodinâmica · Diagnóstico diferencial com HP
v >30 mmHg
PCWP — ONDAS v GIGANTES (Regurgitação Mitral Grave) Escala: 0 – 50 mmHg
0 10 20 30 40 a v gigante mmHg
⚠️
Interpretação crítica das ondas v gigantes: ondas v >30 mmHg na PCWP indicam regurgitação mitral hemodinamicamente significativa, mas sua magnitude não é proporcional à severidade anatômica. IM crônica com AE muito dilatada e complacente pode ter ondas v normais; IM aguda (rotura de papilares) em AE pequena e não-complacente gera ondas v maciças com edema pulmonar fulminante.

Impacto no cálculo da RVP: usar a PCWP média (não a pressão pré-onda a) quando ondas v gigantes estão presentes. As ondas v contribuem para elevar a PAPm e podem simular hipertensão pulmonar pré-capilar se a PCWP for subvalorizada. (Belkin et al., Circ HF 2026)
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Classificação Hemodinâmica da Hipertensão Pulmonar
Pré-capilar vs. Pós-capilar isolada vs. Pós-capilar combinada · Critérios ESC/ERS 2022
PAPm >20 mmHg
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Em 2022, a ESC/ERS reduziu o limiar diagnóstico de hipertensão pulmonar de PAPm ≥25 mmHg para PAPm >20 mmHg, com base em evidências de que PAPm entre 21–24 mmHg já confere prognóstico adverso e mortalidade aumentada. Paralelamente, o DPG (Gradiente de Pressão Diastólica) foi abandonado como critério de classificação, sendo substituído exclusivamente pela RVP. (Humbert et al., ESC/ERS 2022; Kovacs et al., ERJ 2024)
Fenótipo PAPm PCWP RVP Fisiopatologia
HP Pré-capilar >20 mmHg ≤15 mmHg >2 UW HAP, CTEPH, doença pulmonar
HP Pós-capilar Isolada (IpcPH) >20 mmHg >15 mmHg ≤2 UW Transmissão passiva IC-FEp/IC-FEr
HP Pós-capilar Combinada (CpcPH) >20 mmHg >15 mmHg >2 UW Remodelamento vascular + doença cardíaca esquerda
HP Não Classificada >20 mmHg ≤15 mmHg ≤2 UW Alto fluxo (shunt, hipertireoidismo)
⛔ Implicação Terapêutica Crítica
Terapias vasodilatatórias específicas para HAP (ERAs, iPDE-5, estimuladores de sGC, prostanoides) são formalmente contraindicadas em HP pós-capilar, podendo precipitar edema pulmonar agudo por aumento do fluxo em leito venoso não responsivo. A correta classificação hemodinâmica é portanto obrigatória antes de qualquer prescrição de terapia específica para HP. Na CpcPH, o manejo inicial é otimização da doença cardíaca esquerda de base. Apenas centros especializados devem considerar terapia direcionada nesse grupo. (Humbert et al., ESC/ERS 2022)
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Tamponamento Cardíaco
Equalização diastólica · Ausência de descenso y · Pulsus paradoxus hemodinâmico · Emergência
Emergência
🔴 Padrão Hemodinâmico Diagnóstico
No tamponamento cardíaco, a pressão pericárdica elevada comprime todas as câmaras igualmente, resultando em equalização das pressões diastólicas: PAD ≈ PDFVD ≈ PCWP ≈ PDFVE (dentro de 5 mmHg). Tipicamente >15–20 mmHg. A curva atrial direita perde o descenso y (a valva tricúspide não abre livremente no enchimento rápido pois a pressão pericárdica excede a pressão intracardíaca diastólica). O descenso x pode estar preservado. Pulsus paradoxus hemodinâmico (queda >10 mmHg na PA sistólica na inspiração) é o correlato clínico da exagerada interdependência ventricular dependente-de-pressão. (Rajagopalan et al., JACC HF 2024)
Equalização Diastólica
≤5mmHg
Entre PAD, PDFVD e PCWP
Descenso y
Ausente
Marca distintiva do tamponamento vs. constrição
Débito Cardíaco
↓↓
Choque obstrutivo com IC baixo
Curvas de Pressão Normais — VE e Aorta
O cateterismo esquerdo permite registro simultâneo das pressões ventricular esquerda e aórtica, fornecendo informação crítica sobre função sistólica e diastólica do VE, doença valvar aórtica e mitral, e resistência vascular sistêmica. A interpretação das morfologias requer correlação precisa com a fase do ciclo cardíaco e, idealmente, com o ECG e o ecocardiograma.
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Ventrículo Esquerdo — Pressão Normal
Pico sistólico: 90–140 mmHg · PDFVE: 8–12 mmHg · Relaxamento isovolumétrico rápido
PDFVE: 8–12 mmHg
PRESSÃO VENTRICULAR ESQUERDA Escala: 0 – 160 mmHg
0 40 80 120 160 Sistólica ~120 mmHg PDFVE 10 mmHg mmHg
PDFVE (Pressão Diastólica Final VE) — Normal 8–12 mmHg. Representa a pressão de enchimento do VE ao final da diástole (após a onda A). PDFVE <6 mmHg sugere hipovolemia ou tamponamento parcial. PDFVE >18 mmHg indica disfunção diastólica grave com pressões de enchimento cronicamente elevadas. A pressão pré-onda A (medida imediatamente antes da onda A) reflete melhor a pressão atrial esquerda média e é mais fidedigna para estimativa das pressões capilares. (Litwin & Zile, JACC CI 2020)
PDFVE Normal
8–12mmHg
Medida ao final da sístole atrial, após onda A
dP/dt máx normal
>1200mmHg/s
Índice de contratilidade; reduzido em disfunção sistólica
Tau (τ) normal
<50ms
Constante de relaxamento; prolongado em disfunção diastólica
Pressão mínima VE
<0mmHg
Sugção diastólica precoce ativa; prejudicada com envelhecimento
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Pressão Aórtica Normal
Sistólica: 90–140 · Diastólica: 60–90 · Pressão de pulso normal: 30–50 mmHg · Entalhe dicrótico
Sistólica 90–140 mmHg
PRESSÃO AÓRTICA CENTRAL Escala: 0 – 160 mmHg · Aorta ascendente/radial
0 40 80 120 160 Sistólica 120 mmHg Dicrótico Diastólica 70 mmHg mmHg
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Ondas reflexas e envelhecimento: em jovens saudáveis, as ondas de pressão reflexas retornam à aorta durante a diástole, aumentando a pressão de perfusão coronariana sem elevar a pós-carga sistólica. Com envelhecimento e rigidez arterial (↑ velocidade de onda de pulso), as ondas reflexas retornam durante a sístole tardia, gerando augmentation index (AIx) elevado — indicador de pós-carga excessiva e fator de risco cardiovascular independente. (Chirinos et al., JACC 2019)
Curvas de Pressão Patológicas — VE e Aorta
O cateterismo esquerdo identifica padrões hemodinâmicos patognomônicos em doenças valvares, cardiomiopatias e disfunção diastólica. A medição simultânea das pressões VE e aórtica com dois transdutores é fundamental para quantificação precisa de gradientes transvalvares.
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Estenose Aórtica — Gradiente VE–Aorta
Pulsus parvus et tardus · Gradiente médio ≥40 mmHg = grave · Retardo do pico aórtico
Gradiente médio ≥40 mmHg = Grave
GRADIENTE VE — AORTA (Estenose Aórtica Grave) Escala: 0 – 250 mmHg · VE (vermelho), Aorta (verde)
0 60 120 180 240 VE sistólica ~200 mmHg Ao sistólica ~130 mmHg Gradiente ~70 mmHg mmHg VE Ao
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Pulsus parvus et tardus: na EA grave, a curva aórtica exibe amplitude reduzida (parvus = pressão de pulso baixa) e upstroke retardado (tardus = pico aórtico atrasado em relação ao VE). O tempo entre os picos de pressão VE e aórtico (TLV-Ao) se correlaciona com a severidade da EA e o grau de calcificação valvar — TLV-Ao >40 ms sugere EA grave. (Sato et al., JAMA Cardiology 2019)
ParâmetroEA LeveEA ModeradaEA GraveEA Muito Grave
Gradiente médio <20 mmHg 20–39 mmHg ≥40 mmHg >60 mmHg
Vel. máx. Doppler <3 m/s 3–3,9 m/s ≥4 m/s >5 m/s
Área valvar >1,5 cm² 1,0–1,5 cm² ≤1,0 cm² <0,6 cm²
AVA indexada <0,6 cm²/m² <0,4 cm²/m²
⚠️ EA de Baixo Fluxo e Baixo Gradiente — Armadilha Crítica
Dois fenótipos de EA grave com gradiente <40 mmHg existem: (1) EA BF-BG com FE reduzida (fluxo sistólico baixo por disfunção VE; dobutamina revela AVA <1 cm² com aumento do fluxo); (2) EA Paradoxal BF-BG com FE preservada (fluxo reduzido por hipertrofia severa e câmara pequena; débito cardíaco baixo apesar de FE preservada). Nesses cenários, o gradiente catheter subestima a gravidade e a AVA planimetrada por ETE ou TCMD é indispensável. Usar equivalentes de velocidade Doppler e AVAi <0,6 cm²/m² ajuda. (Otto & Prendergast, NEJM 2014; Abbas & Pibarot, CCI 2019)
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CMH Obstrutiva — Sinal de Brockenbrough-Braunwald-Morrow
Gradiente dinâmico intraVE · Post-PVC: gradiente ↑ + pressão de pulso aórtica ↓ · Diagnóstico de obstrução dinâmica
Patognomônico CMHO
CMHO — SINAL BROCKENBROUGH (VE + Aorta pós-PVC) Escala: 0 – 200 mmHg · Batimento normal → PVC → Pós-PVC
0 50 100 150 200 Bat. 1 normal PVC Pós-PVC: VE↑↑ Ao: PP↓↓ (paradoxo) ↑ Gradiente VE Aorta mmHg
🔥 Sinal de Brockenbrough-Braunwald-Morrow
Após uma contração ventricular prematura (PVC), o batimento pós-extrassistólico exibe dois fenômenos paradoxais em relação à EA fixa:
1. Aumento do gradiente VE-Ao: o pós-PVC tem maior força contrátil (potenciação pós-extrassistólica) → VE gera pressão mais alta → obstrução dinâmica da VSVE se agrava → gradiente aumenta.
2. Redução da pressão de pulso aórtica (paradoxo de Brockenbrough): apesar da maior pressão VE, a Ao tem PP menor no pós-PVC, pois a obstrução dinâmica impede ejeção proporcional.
Na EA fixa, o pós-PVC tem PP aumentada (lei de Starling normal). Esse sinal diferencia CMHO de EA com alta especificidade. (Nishimura & Holmes, NEJM 2004; AHA/ACC CMHO Guidelines 2024)
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Padrão "spike-and-dome" aórtico: na CMHO, a curva de pressão aórtica exibe pico sistólico precoce ("spike") seguido de colapso mesossistólico com obstrução progressiva pela motilidade anterior da valva mitral (SAM) e, em alguns casos, re-ascensão parcial ("dome"). O envelope Doppler correspondente tem morfologia em "punhal" (dagger-shaped), com aceleração mesossistólica, diferindo da morfologia simétrica da EA fixa. Cateter pigtail de orifício terminal (sem orifícios laterais) é mandatório para localização precisa do gradiente. (Sherrid et al., JACC 2009; Maron et al., JACC 2022)
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Regurgitação Aórtica — Curvas de Pressão
Pressão de pulso alargada · Queda diastólica rápida · PDFVE elevada em RA aguda · Fechamento mitral precoce
PP alargada
RA CRÔNICA
PA sistólica
↑↑
Hipercinesia VE compensatória
PA diastólica
↓↓
Refluxo para VE durante diástole
Pressão de Pulso
>80mmHg
Típico: >100 mmHg em grave crônica
PDFVE
Normal
Câmara dilatada e complacente
RA AGUDA GRAVE
PA sistólica
Baixa
DC reduzido; vasoconstrição compensatória
PDFVE
↑↑
>30 mmHg — edema pulmonar iminente
Fechamento Mitral
Precoce
PDFVE > PAE → IM diastólica
PCWP
Elevada
Congestão pulmonar aguda
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Na RA aguda grave (endocardite, dissecção), a PDFVE sobe rapidamente porque o VE não tem tempo para dilatar. Quando a PDFVE excede a pressão atrial esquerda, ocorre fechamento prematuro da valva mitral e regurgitação mitral diastólica — achado patognomônico de RA aguda grave ao Doppler e ao cateterismo. A ecocardiografia emergencial é prioritária; a cirurgia urgente é frequentemente necessária antes da compensação hemodinâmica clínica. (Nagueh et al., JASE 2025)
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Avaliação da Função Diastólica — Parâmetros Invasivos
PDFVE · Pressão pré-onda A · Tau · Pressão mínima VE · Teste de estresse diastólico
Disfunção Diastólica
Parâmetro InvasivoNormalDisfunção Grau I
(relaxamento ↓)
Disfunção Grau III
(restritivo)
PDFVE 8–12 mmHg ≤12 mmHg >18 mmHg
Pressão pré-onda A 4–8 mmHg Normal ou ↑ leve >15 mmHg
Tau (τ) — relaxamento <50 ms 50–70 ms >80 ms
Pressão mínima VE <0 mmHg 0–5 mmHg >5 mmHg
PCWP exercício <25 mmHg (25W) ↑ desproporcional ≥25 mmHg (25W)
💡
Teste de estresse diastólico (exercise RHC): em pacientes com dispneia de esforço e pressões de repouso normais, a PCWP durante exercício submáximo (25W em bicicleta semi-supinada) ≥25 mmHg confirma IC-FEp com sensibilidade e especificidade superiores ao ecocardiograma de estresse. Representa o padrão-ouro para diagnóstico de hipertensão pulmonar de exercício e IC-FEp oculta. O protocolo invasivo padronizado pela AHA Scientific Statement 2026 (Belkin et al.) inclui medição simultânea de DC, PAPm e PCWP em repouso e no pico do exercício. (Ha et al., JACC CI 2020; Belkin et al., Circ HF 2026)
Técnica de Medição e Reconhecimento de Artefatos
A qualidade hemodinâmica depende diretamente da técnica. Erros de zeragem, amortecimento inadequado e posicionamento incorreto do cateter podem gerar desvios de pressão de 10–30 mmHg, com impacto direto nas decisões clínicas e cirúrgicas.
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Superdampening e Subdampening (Catheter Whip)
Artefatos de amortecimento · Consequências para valores de pressão · Identificação e correção
⚠ SUPERDAMPENING Perda do entalhe dicrótico
0 15 30 Pico ↓ falsamente Diast. ↑ falsamente
Causas: bolha de ar no sistema, cateter dobrado/ocluído, trombo, conector frouxo.
Consequências: subestima sistólica, superestima diastólica. Perda do entalhe dicrótico. Ondas arredondadas.
Correção: flush cuidadoso, aspiração de bolhas, substituição do cateter.
⚠ SUBDAMPENING (Catheter Whip) Oscilações exageradas
0 15 30 45 Sistólica ↑↑ falsa Diastólica ↓↓ falsa
Causas: cateter longo e rígido em AP tortuosa, taquicardia, alto débito.
Consequências: superestima sistólica, subestima diastólica. Pode simular HP ou mascarar EA.
Correção: reposicionar cateter, deflação parcial do balão.
🔬 Teste de Amortecimento Ótimo
Realize flush rápido do sistema e observe a resposta da curva ao retorno ao valor de pressão: o sistema ótimo exibe 1–2 oscilações antes de estabilizar (amortecimento crítico). Ausência de oscilações = superdampening; múltiplas oscilações prolongadas = subdampening. O frequência natural do sistema (>10–12 Hz) e coeficiente de amortecimento (0,6–0,7) garantem fidelidade da curva. (Rajagopalan et al., JACC HF 2024)
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Zeragem, Medição e Protocolo Padronizado
Referencial do átrio esquerdo · Fim de expiração · Protocolo AHA 2026
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Ponto de referência: o transdutor deve ser zerado à pressão atmosférica ao nível do átrio esquerdo, estimado como ponto médio entre o esterno anterior e a superfície dorsal da mesa (linha axilar média, 4º espaço intercostal). Erro de 5 cm na altura = erro de ~4 mmHg nas pressões. Em paciente sentado, a referência muda significativamente.
⚠️
Medição em fim de expiração: todas as pressões devem ser medidas ao fim da expiração (fim do platô expiratório), sem manobra de apneia, pois a pressão intratorácica é mínima e mais próxima da pressão atmosférica. Em pacientes com grandes variações pressóricas respiratórias (DPOC, obesidade, exercício), fazer média de 3–4 ciclos respiratórios completos é mais fidedigno. A sedação excessiva que resulta em respiração de grande amplitude deve ser evitada. (Belkin et al., Circ HF 2026; Humbert et al., ESC 2022)
Situação ClínicaAbordagem
Ventilação mecânica com PEEPPEEP reduz PCWP real; subtrair transmissão pleural (geralmente 50% da PEEP se pulmão normal)
Fibrilação atrialFazer média de 5–10 ciclos; ausência de onda a é esperada
Ondas v gigantes (IM)Usar PCWP média para RVP; PCWP pré-onda A para PDFVE equivalente
Shunt intracardíacoUsar Qp (não Qs) para cálculo de RVP; Fick direto obrigatório
Hipertensão pulmonar grave + taquicardiaChecar dampening; confirmar wedge por oximetria
Parâmetros Hemodinâmicos Calculados
A interpretação completa do cateterismo exige o cálculo de parâmetros derivados das pressões e do débito cardíaco. A escolha do método de medição do DC é crítica: desvios >25% entre métodos são comuns e impactam diretamente os valores de RVP e índice cardíaco.
🧮
Débito Cardíaco — Métodos e Limitações
Fick direto (padrão-ouro) · Termodiluição (prático) · Fick indireto (não recomendado)
DC = VO₂ / (CaO₂ − CvO₂)
Fick direto · VO₂ medido por análise de gases expirados
MétodoPrecisãoDisponibilidadeRecomendação
Fick Direto Padrão-ouro Rara (laboratório especializado) Obrigatório em shunts; HP severa
Termodiluição Boa (±10–15%) Universalmente disponível Recomendado na prática
Fick Indireto Ruim (>25% desvio) Disponível mas impreciso Não recomendado (AHA 2026)
O Fick indireto estima o VO₂ por nomogramas derivados de populações pediátricas e adultos selecionados — não dos pacientes que habitualmente requerem cateterismo. Análise de >15.000 pacientes confirmou correlação pobre com a termodiluição (r = 0,65), com um terço da coorte diferindo >20% entre métodos. Esse erro propaga-se diretamente para a RVP, podendo reclassificar erroneamente fenótipos de HP. (Maron et al., JACC 2020; AHA Scientific Statement 2026)
⚠️
Termodiluição — Protocol: injetar 10 mL de SF gelado ou à temperatura ambiente no porto proximal do cateter; repetir 3 vezes até valores dentro de 10% entre si; fazer média. Injetar no mesmo ponto do ciclo respiratório (preferencialmente expiração). Não confiável em: shunts intracardíacos (usar Fick direto), insuficiência tricúspide grave, baixo débito extremo. (Belkin et al., Circ HF 2026)
📊
Parâmetros Derivados Essenciais
RVP · TPG · DPG · PAC · IC · ITSSVD
RVP = (PAPm − PCWP) / DC
Unidades Wood (UW) · Normal: <2 UW · Limiar HP pré-capilar: >2 UW
RVP Normal
<2UW
0,3–1,5 UW em adultos jovens; até 2 UW com envelhecimento
RVP Limiar HP pré-cap.
>2UW
ESC/ERS 2022; anteriormente >3 UW
Índice Cardíaco Normal
2,5–4,0L/min/m²
IC <2,2 em choque cardiogênico
TPG (Gradiente Transpulm.)
<12mmHg
PAPm − PCWP; elevado em HP pré-capilar
PAC (Complacência AP)
>2,3mL/mmHg
VS / (PAPs − PAPd); preditor prognóstico independente
RVS Normal
700–1600dyn·s/cm⁵
(PAM − PAD) / DC × 80
TPR = PAPm / DC
Resistência Pulmonar Total · Normal: <3 UW · Inclui componente de pressão de câmaras esquerdas
💡
Shunts intracardíacos — cálculo especial: em pacientes com shunt, o Qp (fluxo pulmonar) e o Qs (fluxo sistêmico) diferem. A RVP deve usar Qp (não Qs) para refletir a resistência real do leito pulmonar. O uso errôneo de Qs superestima a RVP em shunt esquerda→direita (simulando HP pré-capilar falsamente) e subestima em shunt direita→esquerda. A relação Qp/Qs é calculada pela equação de Fick com amostras de saturação em múltiplos sítios. (Miranda et al., JACC CI 2022)
⚠️ Abandono do DPG (Gradiente de Pressão Diastólica)
O DPG (= PAdiastólica − PCWP), anteriormente usado para distinguir IpcPH de CpcPH (limiar <7 mmHg), foi abandonado nas diretrizes ESC/ERS 2022 devido à alta variabilidade, dependência da frequência cardíaca e frequência cardíaca, e reprodutibilidade insatisfatória. A RVP >2 UW é agora o único critério para identificar o componente pré-capilar em HP pós-capilar (CpcPH). Evidências recentes sugerem que RVP ≥2,2 UW pode ter maior sensibilidade para identificar doença vascular clinicamente relevante. (Humbert et al., ESC 2022; Kovacs et al., ERJ 2024)
📚
Referências
Evidências que fundamentam este conteúdo
📋 Sobre as Fontes
Este material é fundamentado em diretrizes internacionais vigentes (ESC/ERS 2022, AHA/ACC 2024), declarações científicas recentes (AHA Circ HF 2026) e artigos de alto impacto publicados em JACC, NEJM, JAMA e Circulation. As referências estão organizadas por tema.
Diretrizes & Consensos
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Última atualização do conteúdo: Março 2026. Diretrizes ESC/ERS 2022 e declaração AHA 2026 incorporadas. Este material destina-se exclusivamente a profissionais de saúde.